domingo, 17 de maio de 2020

17.05.2020 - VI Domingo da Páscoa

Saúdo os eminentíssimos senhores cardeais, os excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos
presbíteros e diáconos, os religiosos, religiosas, leigos e leigas, que celebram essa Eucaristia Dominical. 
Irmãos e irmãs, estamos no VI Domingo da Páscoa. Nos aproximamos do final do Tempo Pascal
e da celebração de Pentecostes e a Liturgia da Igreja vai nos preparando para a vinda do Espírito
Santo, depois de já ter meditado sobre a Ressurreição de Cristo e sobre a própria Igreja, corpo
místico do Senhor. Gostaria de começar minha reflexão convosco pelo Evangelho. Esse texto que
lemos se passa na noite da Quinta-Feira Santa durante o discurso da despedida. Jesus ia morrer
e afirma isso aos seus discípulos. Os discípulos, então, entram em um descontentamento. Em
primeiro lugar pois eles esperavam que o Mestre fosse um libertador político. Eles esperavam 
que Jesus fosse restaurar o reinado de Israel e eles fariam parte da corte. Os apóstolos vivem, 
naquele momento, o drama da desilusão. Cristo não veio para fazer a vontade deles e nem o que
esperava todo o povo. Ele vinha restaurar um outro reino, e era o Reino de Deus. E, de fato, Jesus
faz isso por meio de sua morte e ressurreição. Irmãos e irmãs, me permitam levar essa reflexão
para um outro lado. Talvez quando fui eleito papa muitos tiveram o mesmo pensamento, que 
fariam parte de alguma "corte". Porém, não foi isso que aconteceu. E isso causou, sem dúvidas,
um grande desconforto. Houve, sim, uma desilusão. Mas, tentei dar o melhor de mim, pela minha
palavra e pelo meu exemplo, na construção de uma Igreja da comunhão, uma Igreja da Palavra,
uma Igreja que seja esse sacramento para o Habbo. Se falhei vos peço perdão. Deixar-vos hoje
me faz sentir um pouco do drama de Jesus naquela noite. Meu coração se enche de tristeza. Por mim,
ficaria convosco mais muito tempo, e, de fato, não estou morrendo, João Paulo continuará a existir,
só não mais próximo, só não mais pai. Mas, meu coração se enche de tristeza pois queria poder
fazer muito mais convosco e por vós, mas, foi preciso que eu enchesse meu coração com toda 
a humildade possível reconhecendo que não tenho mais condições de dar o melhor de mim, e 
que não posso ser um peso para a Igreja. Por isso, deixarei daqui a pouco o ministério petrino
com alegria e sentimento de missão cumprida. Agora, porém, pedimos que Cristo envie a nós
aquela mesma realidade que ele prometeu aos Apóstolos depois da Ceia: o Espírito Santo. O Espírito
era aquele que seria enviado pelo Cristo para fortalecer os Apóstolos na missão que eles assumiram
com Jesus e iriam continuar, o projeto de Jesus Cristo. Hoje peço que o Espírito Santo permaneça
conduzindo a sua Igreja. Conduza os cardeais na escolha que logo farão. Conduza a cada um e 
cada uma para que a Igreja possa realizar a sua missão: Tornar todos discípulos e discípulas de 
Jesus Cristo. E é essa realidade que vemos nos Atos dos Apóstolos com a conversão da Samaria.
O povo samaritano que havia se misturado com outros povos e deixou de crer fielmente no Deus 
de Israel agora voltava para o Senhor, e voltava por meio de Jesus Cristo. A missão ali naquele
lugar deu resultados e muitos se converteram ao Senhor e muitos receberam, pela oração dos 
Apóstolos o dom do Espírito Santo. E, o dom do Espírito, é o que nos fala a segunda leitura, São Pedro
em sua carta. O dom do Espírito, ou melhor, os dons do Espírito é o que fortalece a sua Igreja.
Nessa tarde o sucessor de Pedro eleva aos céus uma súplica: Que venha sobre a Igreja o Espírito
Santo, para que nos fortaleça na missão, para que apesar das dificuldades nunca desistamos, para 
que apesar de todos os apesares, suportemos tudo pelo Senhor. Irmãos e irmãs, muito mais fácil
seriamos desistir. Vendo o fracasso da cruz os apóstolos pensaram em desistir. Vendo nossos
fracassos no dia a dia pensamos em desistir. Mas, acolhamos o Espírito Santo com sua fortaleza,
acolhamos o Espírito que vem habitar em nós para que possamos continuar a missão, continuar
com seriedade, assumindo a doação de cada gota de nosso sangue por Cristo e por sua Igreja.
Amém.

sábado, 16 de maio de 2020

16.05.2020 - Véspera do VI Domingo da Páscoa

Saúdo com alegria e afeto a nossa aniversariante, Irmã Suzana Battaglia, que hoje comemora 
mais um ano de vida. E saúdo a cada um e cada uma presente nessa Missa do Sexto Domingo
da Páscoa. Esse domingo que gira entorno da preparação para a vinda do Espírito Santo. A primeira
leitura trata sobre a situação de não-vinda do Espírito Santo e a de vinda na Samaria. É pela intercessão
dos Apóstolos que o Espírito Santo chega aos samaritanos. Assim, os Apóstolos assumem aquele
papel que, na verdade, era de Jesus. Jesus no Evangelho se mostra como aquele que rogaria a
vinda do Espírito Santo aos Apóstolos. Estes, por terem recebido, também o dariam aos outros.
O Espírito é aquele que iria dar força e fortalecer os Apóstolos na missão. O Espírito seria a presença
do Pai e do Filho no meio do seu povo. De fato, irmãos, o Espírito é a presença de Deus conosco
e em nós. Ele está dentro de nós e nos move. Se, filosoficamente falando, o espírito é a nossa união
com o Transcendente, é porque o nosso espírito humano nos une, teologicamente ao Espírito
Santo. E é assim que Cristo nos prepara para recebermos o Espírito. E é o Espírito que, como 
na segunda leitura, irá nos fortalecer para suportar todas as coisas, todas as dificuldades, pois,
é suportando, é fazendo o bem, que nos assemelhamos ao Cristo que morrendo foi Ressuscitado
na força do Espírito. Por isso Ele nos dá a mesma força. Para que experimentemos essa graça 
do Espírito que inspira o nosso coração, que nos fortalece, que nos fazer verdadeiros cristãos 
pelo nosso Batismo. Que nosso coração, na alegria do Ressuscitado, se prepare para a vinda do
Espírito. Que nosso coração se prepare para receber a força de Deus que vem em nosso socorro
e permanece conosco para sempre. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

15.05.2020 - Dedicação da Basílica da Natividade

Saúdo com alegria e afeto Dom Vito Cardeal Lavezzo, responsável por esta basílica, saúdo Dom 
Magnus Cardeal Lion, Custódio para a Terra Santa, e em seus nomes saúdo a cada concelebrante
e cada um e cada uma presente nesta Celebração de Dedicação desta Basílica da Natividade aqui
em Belém. Aqui sempre é Natal. Aqui o espaço sobrepõe-se ao tempo. Estamos num lugar sagrado
para a nossa fé. Recordamo-nos daquele momento em que os anjos dizem aos pastores: "Hoje,
em Belém da Judeia, nasceu para vós o Salvador que é Cristo, o Senhor". E, aqui, continua sempre
a ecoar esse "hoje" do nascimento de Cristo. Aqui sempre recordamos o amor de Deus. O amor
de Deus que fez com que o Verbo Divino se encarnasse. Quando pensamos no processo Kenótico
de Jesus, isso é, no seu rebaixamento, vemos que esse processo se inicia na encarnação. Jesus 
Cristo que já era Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, se torna Homem. Cristo,
por amor da humanidade, se rebaixa a nossa condição de criatura. Estando presente na Criação,
passado o tempo de Adão e Eva, dos patriarcas, do Egito, do Exílio, dos profetas, e, chegando 
a plenitude dos Tempos, Jesus Cristo se encarna no sheio da Vhirgem Maria e se faz Homem.
Deus assume a carne e entra na história. Deus assume a carne humana, a realidade humana. 
Nós, aqui contemplamos sempre esse grande mistério. Pois, ao assumir a nossa realidade, Jesus
assume, também as nossas dores, nossos sofrimentos, angustias e mazelas. Jesus Cristo assume
o estado humano, a realidade humana em sua plenitude. Aqui, irmãos e irmãs, somos capazes
de olhar para Jesus Cristo como um completamente igual a nós. Jesus que seria tentado, que sofreria,
que seria descartado pela sociedade quando não satisfaz seus sonhos e seus desejos, Ele, aqui
assume essa realidade por amor ao homem. É com esse olhar que enxergamos Jesus na manjedoura.
Revestido da fragilidade humana, feito Menino, recém-nascido, do modo mais frágil do homem,
Cristo se apresenta para nós de modo dócil. É um Cristo do qual queremos nos aproximar. Que
nos chama a atenção. Um menininho. Quem não vê uma criança e não faz pelo menos uma gracinha
para a criança? Jesus quer ser isso. Quer nos atrair para Ele por meio deste seu mistério de ser
criança. Porém, essa fé vai amadurecer até chegar a idade adulta. E, ali ele será crucificado e ressuscitará.
Isso, irmãos e irmãs, que já aflige o coração de Maria, nos recorda que toda a vida do Cristo é
constituída para a Salvação, e toda a sua vida o dirige para a Cruz. Por isso, nas nossas vidas também
passaremos pela Cruz. A fé no Menino Jesus deve ser fé, também, no Senhor Crucificado. Pois,
se na manjedoura Jesus repousou por não ter lugar na hospedaria, na Cruz ele repousou para
nos dar um lugar no céu. E, agora, com essa dedicação. Queremos que ele habite aqui nesta Basílica
da Natividade. Se antes ninguém o acolhia, queremos que essa grande igreja seja sua habitação,
que aqui ele continue a repousar para nos dar a Salvação. Aqui repousará o Cristo menino e o Cristo
crucificado. Na gruta sob este altar repouse o Jesus menino. Sobre este altar repousará o Cristo 
crucificado e Ressuscitado, Verbo Eterno do Pai que outrora se encarnou como menino e agora
continuamos tornando presente por meio de sua memória. Aqui, o Corpo e Sangue assumido
por Cristo na gestação de Maria se fará memória no altar. Irmãos e irmãs, que nossos corações
também se abram para esse Cristo que habitará essa casa. Que nossos coração seja uma manjedoura,
sempre simples, sempre preparada, sempre pronta para receber o Senhor, que aqui sempre receberemos,
que aqui sempre se dará e se fará presente. E que, habitando em nós, Ele nos faça compreender
com amor o seu mistério; sermos gratos por sua encarnação; e o permitamos crescer em nós.
Se outrora o Espírito Santo fez de Maria a Basílica da morada do Senhor, seja agora essa casa
e o nosso coração constituídos, por esse mesmo Espírito, local do Natal, local de acolhida pelo
Senhor, local da habitação do altíssimo, que nos ama e nos chama ao Amor. Amém.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

13.05.2020 - Missa em Santa Maria Maior

Saúdo com afeto e estima Dom Giuseppe Cardeal Betori, nosso arcipreste, Dom Erlei superior
da Ordem dos Frades Menores e em seu nome saúdo toda a Ordem de São Francisco, e saúdo
ainda a cada um e cada uma aqui presente na nossa Basílica de Santa Maria Maior. Estamos aqui
nesse dia em que celebramos a memória de Nossa Senhora de Fátima. A Liturgia desta quinta
semana do Tempo Pascal no dia de hoje nos convida a estarmos unidos a videira. O Senhor Jesus
nos recorda que quem está unido a ele, tem a vida. Pois, o galho que se separa da videira seca 
e será jogado fora. Isso muito se aproxima do pedido de Nossa Senhora de Fátima pela conversão.
Quando pecamos nós nos separamos de Cristo. O pecado ofende a Deus justamente porque ele
separa o nosso coração do coração de Deus. Por isso Jesus nos convida a estarmos unidos a ele,
estarmos unidos a videira. Estarmos unidos a Jesus é ouvirmos a sua Palavra. E, não apenas ouvirmos,
a colocarmos em prática. Esse é o grande convite da mensagem de Fátima. Maria nos pede escuta
a Palavra de Jesus para que nós tenhamos a vida. E, esse projeto de Jesus é que estejamos unidos 
a Ele. Por isso, em Fátima, Maria pede a conversão, e por tal motivo, por uma mensagem tão 
próxima a do Evangelho é que nós reconhecemos que essa aparição é verdadeira. Portanto, irmãos
e irmãs, ouvindo a voz do Senhor que nos chama a permanecermos unidos a Ele, reconheçamos
o chamado a conversão de Nossa Senhora de Fátima. Assim, seguindo um caminho de conversão
que se dirige para o Cristo, viveremos um dia com Ele nos céus a nós prometido. E, nessa dinâmica
de escuta da Palavra, é que os Atos dos Apóstolos nos revela que houve uma discussão sobre a 
necessidade ou não da circuncisão, outrora ordenada por Deus. E, a leitura termina falando sobre
o inicio do Concílio de Jerusalém. Os Apóstolos que vão se reunir para tratar sobre esse assunto.
Isso nos recorda que, quando não há interpretação correta sobre a Revelação de Deus, quem interpreta
é a Igreja em seu magistério. Por isso, é crentes na Igreja que confirma a mensagem de Fátima,
nos passos do Senhor, num caminho de conversão e santificação, unidos a Igreja que é o Corpo
de Cristo, que alcançamos a vida, que damos frutos. Amém.

13.05.2020 - Missa em Fátima

Saúdo com afeto e estima Dom Raul Cardeal Gabriel, responsável por esta Basílica de Nossa Senhora
de Fátima, e em seu nome saúdo os concelebrantes e saúdo a cada um e cada uma aqui presente.
Estamos celebrando Nossa Senhora de Fátima. Nossa Senhora, Maria, como mulher escolhida
por Deus para trazer ao mundo seu Filho Jesus Cristo, foi também a responsável por trazer a 
Palavra de Deus nos grandes momentos da história da humanidade. Essas aparições da Mãe de
Fátima a aqueles três jovens pastorinhos, são sinais da graça de Deus que continua a se dar na 
história da humanidade. Maria revela a aquelas crianças o horror do pecado. E, ainda, realiza
diversos sinais. Mas, é importante observamos que ela escolheu três crianças para se revelar. Isso,
porque, nos diz Jesus, temos que ter a sensibilidade de crianças. Temos que ter, irmãos e irmãs,
a sensibilidade de ouvir a Palavra de Deus. Maria precisa se revelar em Fátima porque o coração
humano estava fechado a ação de Deus. E, agora, 103 anos depois, sua mensagem continua tão
atual. Ainda, muitos de nós, vive com o coração fechado. Um coração que não ouve, e mais, que
não quer ouvir a voz de Deus. E, um coração que não escuta a Deus é, também, um coração que
não tem a sensibilidade de falar com Deus. Por isso a Senhora de Fátima recomenda a oração.
Ela pede a oração do santo rosário, do santo terço. Maria recomenda a seus filhos que se recomendem
a ela, pois ela rogará por eles. Para um povo simples, que não sabe como rezar, que não sabe como
falar com Deus, que palavras usar, como desenvolver sua conversa com o Pai, Maria se põe como
intercessora. Numa oração simples e muito fervorosa, que é o santo terço, o santo rosário, Maria
dá a humanidade a oportunidade de se comunicar com Deus, por meio dela. Ela sabe o que se 
passa no coração de seus filhos e filhas, e ela própria se encarregará de levar tudo isso a Deus.
E é assim, nesse espírito, que estamos aqui hoje festejando a Mãe de Fátima. Queremos que ela
seja a nossa intercessora. Num coração cheio de gratidão por sua mensagem, e cheio de amor 
por ela, a Mãe de Deus, viemos até aqui para exaltar aquela que nos trouxe o Verbo de Deus. Outrora
encarnado e tantas vezes em mensagem. Que ela, a Senhora de Fátima, inspire os nossos corações,
os faça sensíveis a ouvir a voz de Deus, como foram aqueles pastorinhos, e nos ensine a sermos
verdadeiramente fiéis a oração, pedindo por nós e pelo mundo todo. Amém.

terça-feira, 12 de maio de 2020

12.05.2020 - Visita em Santo Agapito

Saúdo com afeto e estima Dom Vito Cardeal Lavezzo, nosso bispo diocesano da diocese titular
de Palestrina, responsável por essa Catedral de Santo Agapito. Saúdo, ainda, a cada um e cada
uma que toma parte nessa Eucaristia, sejam os concelebrantes, seja nessa assembléia. Estamos
celebrando essa Eucaristia como irmãos diante da mesa do Senhor. Entorno da mesa do Senhor,
hoje presidida pelo Bispo de Roma, queremos começar firmando a união de toda a Santa Igreja,
depois de um momento onde muitos murmúrios correram falando sobre algum modo de desunião,
o que confirmamos que nunca foi cogitado. E, celebrando nesta Catedral, reafirmamos a comunhão
de toda a Igreja, entorno de Cristo que fazemos memória, e entorno do Romano Pontífice, que
assumistes e escolhestes como pai, sendo, aqui, Igreja do Senhor. Igreja do sucessor de Pedro.
Igreja dos sucessores dos Apóstolos. Igreja do povo de Deus. Igreja de Cristo, e Cristo Ressuscitado.
É nesse espírito, irmãos e irmãs, que celebramos essa Eucaristia, nesse dia em que o Senhor comunica
aos seus discípulos a paz. A paz, para muitos, é a ausência de conflitos, é um estado de elevação
do ser, é o nirvana, é tantas coisas. Mas, Jesus diz que a paz que ele dá não é a paz do mundo.
A paz de Cristo: dizemos isso tantas vezes e pouco paramos para pensar no que isso quer dizer.
A paz de Cristo não é apenas uma filosofia de vida, uma ausência de brigas, não. A paz de Cristo
não se refere as coisas desta vida. A paz de Cristo é uma harmonização com Deus. Precisamos
entender que o mundo entrou em desiquilíbrio pelo pecado. O homem não estava na harmonia
da sua relação com Deus, nem com seus irmãos e nem com a natureza. Chamamos isso de nó
relacional. A relação entre todas as coisas, a harmonia entre todas as coisas, estava quebrada. 
E, quebrada pela desobediência humana. Desobediência que fecha o homem em seu egoísmo
e não o permite ver e ouvir a Deus. Mas, vem Cristo. E, estamos ouvindo o trecho do grande sermão
de Jesus depois da Ceia. No dia seguinte Ele irá restaurar todas as coisas pelo sangue derramado
na cruz. Por isso, agora, Ele diz que deixa a sua paz. A sua paz, ali, é primeiro o perdão dos pecados
dos discípulos, que comungaram na Ceia. Depois, é a paz deixada. A paz deixada é a harmonização
de todas as coisas com Deus, a restauração da relação, do nó relacional, com Deus. O homem
só encontra a verdadeira e profunda paz se ele entra na relação com o seu Senhor. O homem tem
necessidade de Deus. O coração humano suspira por Deus. Por isso, o homem só encontra a paz,
a verdadeira paz, encontrando a paz de Cristo, a relação com o seu Pai e Criador, com seu Irmão
e Salvador, e com Paráclito Consolador. Essa é a paz de Cristo. Paz essa que somos convidados
a receber. Mas, para receber essa paz plena e verdadeira, precisamos nos afastar daquilo que rompe
a relação: o pecado. O pecado continua rompendo a relação com Deus. Mas, foi-nos deixado o Batismo,
e a vivência batismal por meio do Sacramento da Reconciliação, para que sempre possamos voltar
a esse estado de relação com Deus, de preenchimento total de nosso ser em Deus, de nossa paz
em Deus. Esta já era a ordem do Pai que Jesus diz no final do Evangelho: reconciliar todas as
coisas, para firmar com todas as coisas uma relação de amor. É dessa relação que somos chamados
a cada dia a participarmos, pois fomos remidos e restaurados em Deus pelo Sangue do Cristo.
E, para que todas as comunidades recebessem essa mesma restauração nós lemos na primeira
leitura os Apóstolos, os Bispos da Igreja, que deixam os presbíteros em seu nome. Os presbíteros
nas comunidades teriam a função de celebrar os sacramentos, tal como hoje. Eles celebravam
a Fração do Pão, batizavam, tudo em nome dos Apóstolos, do mesmo modo que hoje cada padre
representa o seu bispo. Os Apóstolos deixaram os presbíteros para presidir as comunidades em
seu nome, para que ali todos recebessem a paz de Cristo, todos fossem restaurados em Cristo,
todos recebessem a Salvação de Cristo. Eles sabiam que a Salvação, a Reconciliação de todo o
gênero humano se daria pela participação nos mistérios do Senhor e que todas as comunidades,
em todos os tempos, precisariam comer essa Ceia Pascal. Por isso, somos convidados a sempre
encontrarmos aqui no altar o ponto auge de nossa vida, momento de nossa perfeita união com 
Cristo, momento de nossa comunhão com Ele. Esse é o momento que, como na cruz, todas as
coisas são restauradas no Pai. E, aqui, oferecemos o nosso louvor e nossa ação de graças. Por isso,
irmãos e irmãs, restaurados pela graça de Deus que nos dá o Pão da Vida e o Cálice da Salvação,
recebendo essa paz plena de Cristo, anunciemos a morte de Cristo e proclamemos a sua ressurreição,
até que Ele venha. Ele já vem pelo seu Espírito e faz nova todas as coisas. Sim, Ele vem, o Vencedor
do Mundo, Aquele que traz a paz, Ele vem e nos dá sua paz, seu Corpo e Sangue, Sacrifício perfeito
e sangue e Salvação do mundo inteiro. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

11.04.2020 - Missa Tridentina

Lectio
"Então, com grande confiança, o justo se levantará em face dos que o perseguiram e zombaram dos seus males aqui embaixo. Diante de sua vista serão presos de grande temor e tomados de assombro ao vê-lo salvo contra sua expectativa;tocados de arrependimento, dirão entre si: e, gemendo na angústia de sua alma, dirão: “Ei-lo, aquele de quem outrora escarnecemos, e a quem loucamente cobrimos de insultos! Considerávamos sua vida como uma loucura, e sua morte como uma vergonha. Como, pois, é ele do número dos filhos de Deus, e como está seu lugar entre os santos?"
Evangelho
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou". Disse-lhe Tomé: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?" Jesus lhe respondeu: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto". Disse-lhe Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta". Respondeu Jesus: "Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai".

Homilia
Saúdo com afeto e estima os membros da recém criada Administração Apostólica São Paulo Apóstolo,
na pessoa de seu Administrador, Dom Vicenzo Pecci. Saúdo a cada um e cada uma que participa
desta celebração na forma extraordinária do Rito Romano. Celebrarmos hoje este rito, nessa 
Igreja Principal desta Administração é firmarmos a comunhão plena da Igreja de Cristo. É relembrarmos
uma história difícil vivida num passado não tão distante. E, ao recordamos dos erros do passado, 
querermos construir um futuro melhor. Um futuro de verdadeiros cristãos. Quando me reclamaram
sobre minha decisão de criar uma Administração Apostólica para que celebreis e vivais segundo
vossos costumes, eu disse com clareza: "Quem quiser ser o diabo e dividir a Igreja seja". Porém,
eu não serei. Não podemos ser uma Igreja da Koinonia, isso é, da Comunhão, se não lutarmos 
pela comunhão. Quem divide não é de Cristo. Sabendo de todos os riscos, sabendo de todo o passado,
sabendo de tudo aquilo que se diz pelos corredores, eu preferi que façamos uma Igreja unida. 
Quem divide é o diabo. Cada um de nós podemos nos tornar discípulos do diabo quando queremos
causar desunião. Esse é um risco para todos. Um fato vivido no passado por membros dessa Administração,
e por tantos outros membros da Igreja, bem como é um risco hoje. Cristo, porém, nos convida 
para um projeto de amor. Projeto que insiste no perdão. Óbvio, irmãos e irmãs, perdoar não é
fechar os olhos aos erros do passado, mas confiar no melhor dos outros. E, foi nesse espírito, reconhecendo
o vosso arrependimento, e confiando que vos mantereis unidos a Igreja de Cristo, o que prometestes,
queridos membros da Administração Apostólica Pessoal São Paulo Apóstolo, que criei essa Administração
para vós. Para que, aqui, possais difundir a vivência da forma extraordinária da mesma celebração 
Eucarística, estimulando a verdadeira piedade aos nossos clérigos, e não por um mero capricho
vosso. Assim, celebrando e vivendo deste modo tradicional, vos mantenhais unidos a Igreja de
Cristo. Igreja que não divide, mas que une. Por isso, trabalhareis pela comunhão da Igreja, seja
em vosso apostolado nas arquidioceses, seja nos trabalhos conjuntos com todas as áreas dessa
Igreja. Estimulai em vós e em vossos membros esse espírito de unidade. A unidade é dom de Deus.
Desse modo que Jesus fala que Ele está no Pai e o Pai nele, no Evangelho que ouvimos. Deus é
unidade.  A própria Trindade é comunhão. Por isso, estando todos unidos, nós formamos o Corpo
de Cristo. Cada um de nós, sozinho, é membro do Corpo. Mas, o Corpo só é completo com todos
juntos. Embora muito utópico o sonho da perfeição, a Igreja caminha para esse projeto de perfeição,
pois seu fundador, Jesus Cristo, é perfeito. Saímos da perfeição quando estimulamos nosso egoísmo,
nossos caprichos pessoais, nossa desobediência. Mas, se nos mantemos fiéis a Palavra do Senhor,
quando aceitamos o projeto de Cristo como nosso projeto de Vida, nos tornamos perfeitos, pois
nos assemelhamos a Cristo. Ele nos prometeu obras ainda maior do que as dele. E, que obra melhor
que unirmos todo o mundo sob a mesma Igreja de Cristo, a fim de que todos nós nos sentemos,
unidos, para a Ceia Eucarística do Cordeiro de Deus? 

domingo, 10 de maio de 2020

10.05.2020 - V Domingo da Páscoa

Queridos irmãos que concelebram esta Eucaristia, que saúdo de modo especial Dom Loris, pároco
desta nossa igreja de Santo Antonio. Queridos e amados irmãos e irmãs em Jesus Cristo, estamos
celebrando o quinto domingo do Tempo da Páscoa. Esse domingo que nos convida, por sua Liturgia
a considerarmos a adoção de Deus que nos faz seus filhos e filhas, inicia nos lembrando na primeira
leitura do momento da eleição dos diáconos. Ainda estamos no capítulo 6 dos atos dos Apóstolos,
e o número dos que aderiram a Cristo já era demasiadamente grande para a missão dos apóstolos.
Por isso eles escolhem sete homens prudentes, que os ajudariam no serviço da caridade. Os apóstolos
sabiam que a centralidade da sua missão estava na oração e na pregação da Palavra. Isso quer
dizer que a centralidade da sua missão estava na Liturgia e na Missão. Mas, isso não os afastava
do dever de cuidar daqueles que necessitavam dele. Muito pelo contrário, por serem celebrantes
da Liturgia, da Fração do Pão e por serem anunciadores do projeto de Jesus Cristo, eles deveriam 
cuidar daqueles e daquelas que não tinham quem cuidasse por eles. O verdadeiro Apóstolo de Jesus
não deixa para trás a sua missão caritativa, mesmo que não possa realizá-la. Por isso, quando
perguntam porque a Igreja não faz mais caridade, porque os bispos não fazem mais caridade, 
é porque há, justamente, uma ala da Igreja voltada, em nosso nome para a caridade. E, por que
não acrescentar aos diáconos, aqueles irmãos e irmãs, religiosos, religiosas, leigos e leigas, que 
desgastam a sua vida nas pastorais sociais para que aqueles que estão a margem da sociedade
tenham condições de vida digna? Todos nós somos responsáveis pelo serviço da caridade. Pois
a caridade é amor, e Deus é amor. Nenhum de nós é excluído da obrigação da caridade, mesmo
que não a façamos pelas nossas próprias mãos. E, do mesmo modo que os Apóstolos escolheram
os sete homens, Deus continua nos escolhendo, como diz São Pedro na segunda leitura, para sermos
o seu povo, o seu sacerdócio, a sua nação. Deus continua nos escolhendo para nos aproximarmos
de Jesus Cristo e termos as mesmas atitudes de Jesus. Somos chamados a obediência a Palavra,
a vivermos na luz maravilhosa de Cristo. E, na dinâmica do Evangelho, quando vivemos nessa 
luz que é Cristo, não podemos perturbar o nosso coração. Nesse diálogo de Jesus com seus apóstolos
logo depois da Ceia da grande quinta-feira santa, só no primeiro versículo já se diz muita coisa.
Nós não podemos deixar o nosso coração perturbado. E com quantas coisas o nosso coração se
perturba a cada dia? Quantas coisas, quantas situações, não nos deixam inquietos? E, na inquietude,
quantas vezes nós não ficamos sem ouvir a voz de Deus que fala conosco? Ele fala no íntimo de 
nosso coração e tenta nos acalmar. Mas, estamos tão perturbados, tão inquietos, tão pensativos
que não ouvimos a sua voz e não confiamos Nele. Colocamos a esperança em todas coisas, mas 
não colocamos a nossa esperança a nossa fé, em Deus. Irmãos e irmãs, Jesus nos faz um convite
a radicalidade de confiarmos as nossas vidas em suas mãos. Fomos escolhidos por Deus, adquiridos
por Deus, custamos caro para Deus. Em troca ele só nos pede que o amemos e ouçamos sua voz. 
E, quanto ouvimos sua voz nós nos deixamos levar pelos caminhos que ele quiser. E, Ele próprio,
Cristo Jesus, é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é o Caminho pelo qual nós devemos trilhar. 
Nos confiarmos em Deus e termos fé, é seguir a Palavra de Cristo que nos conduz por caminhos
que nós não imaginamos. Mas, Caminhos da Verdade, a Verdade anunciada, a Verdade que cremos
e professamos. E, acima de tudo, Caminho que leva a Vida. Caminho com sofrimento, sim. Pois,
no dia seguinte Jesus vai ser crucificado. Mas, Caminho que nos leva a uma Vida vivida de modo
que não somos capazes de imaginar. Só temos a Vida verdadeira se vivemos a Vida de Deus, caso
contrário não estamos vivendo verdadeiramente. Caso contrário, estamos sendo escravos de nós
mesmos. Cristo nos propõe o caminho da liberdade, liberdade que traz plenitude, pela obediência
a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que vivamos unidos com Ele aqui na terra, e que um dia
nos unamos com Ele no banquete que o Cristo foi preparar para nós. Aí Jesus já anuncia sua ascensão,
que, liturgicamente vamos celebrar daqui duas semanas. Mas, Ele já indica a essa ascensão, quando
conheceremos a Deus. Pois a ascensão de Cristo é a certeza que nós também iremos conhecer
a Deus. E como o nosso coração anseia por conhecer a Deus? Muitos hoje se perguntam onde
está Deus, quem é Deus, o que Deus faz por nós. Mas, Jesus nos responde: Não perturbe o vosso coração,
quem me vê vê o Pai. Isto é: Quem vê Cristo, quem faz comunhão com Cristo, além de já fazer
comunhão com Deus aqui, fará comunhão com Ele quando comungar da Ceia eterna, que o Cristo
está preparando para nós e que nós experimentamos agora sob o véu do sacramento. Amém.

sábado, 9 de maio de 2020

09.05.2020 - Dedicação da Capela do Convento

Saúdo com afeto e estima a cada irmão que concelebra esta Eucaristia, e os demais irmãos
ordenados
presentes nessa celebração. Saúdo com grande alegria a Irmã Suzana Battaglia, superiora da Ordem
de Santa Clara e em seu nome saúdo a cada irmã Clarissa. E, assim, saúdo a cada um e cada uma
aqui presente, nesse dia que estamos reunidos para celebrarmos a dedicação dessa capela do convento,
dedicada a São Francisco. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Então o povo chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado. 

Mas agora, Esdras os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. 
E Esdras, faz algo 

que nós devemos levar a sério: ele explica a Palavra de Deus ao povo. Irmãos, nós precisamos 
aprender de Esdras, pois a dedicação dessa Igreja deve nos levar a um colocar-se a disposição 
de toda a Igreja para levar a todos a Palavra de Deus. Assim, de São Francisco aprendemos a 
nos disponibilizar no serviço da Palavra. São Francisco nunca foi padre. Ele foi um grande diácono
que ocupou e gastou a sua vida em anunciar e praticar a Palavra de Deus. Ele tinha o seu coração
como um coração cheio da mais profunda alegria, justamente pois ele anunciava a Palavra. E, 
para Francisco, anunciar a Palavra era também viver a Palavra. E, quem vive a Palavra vive a perfeita
alegria, pois viver a Palavra é viver o próprio Cristo, é fazer parte do verdadeiro corpo de Cristo.
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo,
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. E é isso que celebramos nesse grande Tempo Pascal. Estamos vivenciando essa 

vitória do Cristo sobre o antigo inimigo. Vitória essa que nos congregou num grande corpo, não
feito de pedras físicas, mas um corpo que brota do Corpo glorificado do Senhor, que Ressuscitado
já não conhece o ocaso, que Ressuscitado atrai para si todas as coisas. E, nós, que aqui celebramos
essa dedicação, também queremos ser atraídos para esse Corpo. Queremos, dedicando esse templo,
dedicar também os nossos corações para santificarmos o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo que
podemos muitas vezes manchar por nossas disputas políticas e brigas internas, nós também podemos
santificar pela nossa santificação pessoal. Não podemos ser membros mortos do Corpo do Senhor,
mas, devemos ser membros vivos, que vivem na plena e perfeita alegria, tal qual Francisco de Assis,
sempre ativos, sempre na atividade, sempre na missão, sempre de coração verdadeiramente dedicado
a aquele que, na unção da cruz com seu próprio sangue, ungiu-nos e marcou-nos como libertos
para também sermos, com ele, glorificados, e também vencermos todo o mundo. Amém.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

7.05.2020 - Missa em São Paulo Fora dos Muros


Reino de Sacerdotes para Deus seu Pai: eis o que fomos constituídos por Cristo, que nos lavou por seu sangue, e nos faz participar de seu sacerdócio para sua honra e glória para sempre (cf. Ap 1, 5-6). Já no Antigo Testamento o Senhor prefigurava o reino sacerdotal que seria estabelecido pelo seu Filho: “Toda a terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19,6). E, ainda, no Novo Testamento, os apóstolos dizem: “Vós também vos tornais [...] um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Pd 2, 5) e “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual” (Rm 12, 1).
Deste modo, todos nós somos chamados para desempenharmos o sacerdócio em nome de nosso Senhor, Jesus Cristo. Alguns pelo sacerdócio ministerial, configurados plenamente a Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, outros pela graça do sacerdócio comum de todos os fiéis, que também é, verdadeiramente, o sacerdócio de Cristo, do qual todos fazemos parte pelo Batismo.
São Leão Magno, dirigindo-se ao povo de Roma, diz: “Que outra coisa é mais sacerdotal do que oferecer a Deus uma consciência pura e oferecer no altar do coração as hóstias imaculadas da piedade? [...] Com efeito, em todo o corpo da Igreja não existe mais do que um só pontificado (o de Cristo), cuja graça misteriosa, embora se derrame com maior abundância sobre os membros superiores (o Papa, os bispos, os sacerdotes), nem por isso deixa de fluir sem parcimônia até os membros inferiores”.
Quando a vítima Pascal, oferecida uma vez por todas no altar da cruz, é novamente oferecida no altar, todos nós somos associados ao oferecimento deste sacrifício do Cristo pela oblação do sacerdote ministerial, que em nome de todos e em união com todos atualiza a Páscoa do Senhor, para que todos nela façam comunhão. Porém, somos convidados, de modo particular em nossa realidade habbiana, como diz São Leão Magno, a oferecer a Deus a vítima da nossa piedade, o nosso coração e a nossa consciência no altar de Deus.
Gregório XVII, o Magno, primeiro papa no Habbo, estabeleceu em 2006 a Cátedra da Santa Igreja, a Cátedra do Bispo de Roma, estabelecendo assim um apostolado virtual que tomou forma de Igreja. Há divergências da exata data em que isto aconteceu, mas, sabe-se que se deu entre junho e julho.
Porém, o importante é que, tal como cada família é uma Igreja Doméstica, com sua hierarquia, em nossas terras também se estabeleceu um reflexo da verdadeira e grande Igreja Católica Apostólica Romana, a qual estamos mais que estritamente unidos, pois dela fazemos parte. Gregório sabia que a nossa Igreja necessitaria de uma organização, por isso, junto dos outros fundadores, deu um caráter hierárquico a esse apostolado, assumindo, ele próprio, Vinicius Soares, a Cátedra, e assumindo o nome de Gregório XVII.
Depois de Gregório, outros sessenta e sete pontífices reinaram sobre esta Cátedra de Pedro, de Gregório, do Bispo de Roma. Alguns não tão santos quanto deveriam. Muitos momentos de escuridão e muitos momentos de luz foram vivenciados ao longo de todo esse tempo.
Uma coisa, contudo, não se perdeu em todo esse tempo: o sentimento de que todos e todas, como membros do Corpo de Cristo, devem ser anunciadores do Evangelho e distribuidores da graça de Deus que se derrama sobre nós por meio de nossa vida de louvor e de adoração e, tal graça, que deve ser comunicada a todos os irmãos e irmãs.
Esta Igreja foi fortalecida ao longo destes quase quinze anos por meio da celebração da Eucaristia, em nossa realidade, a memória do sacrifício do Senhor. A celebração dos demais ritos também colaboraram com o fortalecimento desta Igreja, bem como a doação de tantos homens e mulheres que aqui doaram e desgastaram tantos momentos de sua vida, para que Cristo seja mais conhecido e amado.
No Habbo, definiu o Concílio Vaticano VII na Constituição Salus Animarum, a Igreja é um discipulado ligado ao nosso sacerdócio batismal, onde somos convidados a oferecer a Deus o nosso louvor e receber suas graças, não pelo sacrifício do Cristo, mas, pela nossa oração, adoração, ação de graças, pedido de perdão pela humanidade e a celebrarmos os mistérios da nossa fé como ato de lembrança, de memória, do grande evento da nossa Salvação. Deste modo, a Igreja Católica Apostólica Romana no Habbo conduz o nosso coração a Deus e a todos a uma comunhão com a Igreja Católica na realidade e a uma vivência da fé.
No próximo ano de 2021, a Igreja celebrará seus quinze anos de discipulado. Por isso, usando de nossa autoridade apostólica, CONVOCAMOS o ano de 2021 como um ANO JUBILAR, celebrando os quinze anos da Igreja.
A abertura do ano jubilar será celebrada com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro no dia 21 de novembro, com a celebração da Santa Missa da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, rei do Universo. O encerramento do ano Jubilar se dará em 31 de dezembro de 2021, com o fechamento da Porta Santa da Basílica Vaticana e a Santa Missa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus com o solene canto do Te Deum.
A Cristo, Senhor do tempo e da história, nossa ação de graças e adoração, nossa ação de graças, nossa doação, louvor e glória pelos séculos dos séculos. Amém.


quarta-feira, 6 de maio de 2020

06.05.2020 - Ordenação Presbiteral em Salvador

Caríssimos irmãos concelebrantes, aos quais saúdo de modo especial nosso núncio Apostólico,
Dom Jorge Snaif Cardeal Sarto e os clérigos desta arquidiocese de Salvador. Saúdo, ainda o Diácono
Paulo Forgione que hoje ordenamos presbítero para a Igreja. Saúdo a cada um e cada uma que
se reúne nesta nossa última celebração desta visita apostólica. Por isso, olhando ao texto da primeira
leitura eu vos digo como diz o Senhor: Vai! É para longe que vou enviar-vos. O Senhor nos envia,
envia para longe, envia para fazermos a sua vontade. E devemos ir compressa. Não podemos,
agora, agora que estamos na escola do Mestre, deixarmos para depois a nossa missão. NÃO! A 
MISSÃO É AGORA! A HORA É AGORA! Não podemos fingir que não é conosco, pois o Senhor
nos envia. O Senhor nos envia a, confirmados na fé, fazermos seus discípulos todos os povos. Fazermos
de todos os brasileiros, de cada jogador do Habbo Hotel, discípulo e discípula do seu Amor. E como
tornaremos todos discípulos e discípulas do Senhor? É São Paulo quem responde isso na segunda
leitura, em sua carta a Timóteo: Sendo exemplo. Irmãos, já contei e sempre gosto de contar a 
história de quando São Francisco saiu para anunciar o Evangelho e levou um irmão consigo. Eles
deram muitas voltas na cidade e voltaram ao convento. Então o irmão disse: "Mas não íamos evangelizar?"
E São Francisco o respondeu: "Evangelizai sempre. Se preciso usai as palavras". Quanta sabedoria
nesta simples frase deste simples homem. É, irmãos e irmãs, perseverando no Senhor, perseverando
na sua Palavra e na sua vontade que nós nos tornaremos exemplos para os outros, salvaremos
os outros. Usaremos, sim, a nossa palavra. Mas, antes de tudo, seremos exemplo. Sejamos esse
exemplo. Sejamos esse testemunho que tanto falta no mundo atual. Testemunho de amor para
um mundo e uma sociedade que não conhece o Amor. Testemunho de caridade, de paz, de comunhão,
testemunho da presença de um Deus que tantos já não acreditam, mas que tanto ama a todos
e a cada um. O Concílio Vaticano VII aqui no Habbo nos convocou a sermos instrumento de aproximação
do nosso rebanho com a grande majestade de Jesus na Santa Igreja Católica. Somos discípulos,
não conduzimos nada para nós, mas conduzimos tudo para Ele. ABRI AS PORTAS! Abri as portas
de nossas arquidioceses, de nossas igrejas, de nossas vidas, para que todos conheçam e façam
parte da vida de Cristo! Abri as portas para que todos conheçam Cristo como nós conhecemos!
Abri as portas para que todos se apaixonem por Cristo como nós nos apaixonamos. Pois, seguir
Jesus Cristo exige de nós uma verdadeira paixão. Por isso Jesus diz no Evangelho que devemos
amá-lo mais do que os nossos pais, mães, irmãos e irmãs, mais do que a nossa própria vida. Escolher
por Jesus Cristo é escolhe-lo com radicalidade e só pode viver essa radicalidade quem é apaixonado
pelo Senhor. Não a paixão que o mundo vive. Mas a paixão de ter um coração sempre inflamado
de amor por esse Senhor, que é capaz de viver as coisas mais extremas, de suportar as piores 
situações por esse Amado. Este é o apelo do papa nessa despedida, nesse vosso envio. Ide, pois
sois enviados. Confirmados na fé pelo Romano Pontífice, que veio a vós como irmão, confirmar-vos
e alegrar-vos, agora anunciai a todos este amor sublime de Cristo e a maravilhosa experiência
de viver esse amor, e abri o coração de todos para que amem a Cristo e o acolham em sua vida
como Senhor de seus corações, de suas vidas, de suas histórias! E assim, todo o Habbo Hotel, 
todos os corações, serão de Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte, vencedor do Mundo!
Diácono Paulo, hoje o senhor se configura a esse Cristo Sumo Sacerdote que canta o salmo responsorial.
Não é o senhor que é sacerdote para sempre por si próprio. Cristo é o Sacerdote para sempre e 
o senhor, diácono Paulo, se configurará pela imposição de nossas mãos a esse Cristo sumo Sacerdote.
Que o senhor não se esqueça da importância dessa configuração e busque vivê-la com radicalidade.
Que o senhor busque cada dia mais ter as mesmas atitudes de Cristo, sendo exemplo para os demais.
Que no altar o senhor possa, a cada dia, renovar seu ministério e sua vida na celebração da Eucaristia.
Que sua vida seja um grande testemunho do Amor do Ressuscitado que vive entre nós, que te
chamou para a missão a qual o senhor deu o seu sim generoso. E todos nós, irmãos e irmãs, rezemos
para o Diácono Paulo, em breve Padre Paulo, seja cada vez mais mais consciente do que celebra,
vivendo, cada vez melhor, o sacrifício do Senhor em sua vida, sendo sacramento de cura das almas.
Que este irmão que hoje consagramos como presbítero seja um sacrifício que não cesse de arder
no altar do Senhor, pela salvação de todo o seu povo. E, todos nós, povo de Deus, possamos na
graça do Senhor nos unirmos como Igreja de Cristo que, reunida em torno deste altar, louva o 
Pai por todas as maravilhas que ele fez e se fortalece para a grande missão. Amém.

06.05.2020 - Posse do Arcebispo de Salvador

Saúdo com alegria e afeto Dom Jorge Snaif Cardeal Sarto, nosso núncio apostólico para o Brasil,
bem como Dom Pedro Cardeal Melchior, nosso digníssimo Arcebispo Metropolitano de São Salvador
da Bahia, que hoje toma posse de sua diocese. Em seus nomes eu saúdo a todos os concelebrantes,
e todos os fiéis que participam dessa nossa Liturgia. Jesus Cristo é a Palavra do Pai. Se ontem,
lá em São Paulo, eu falava que Cristo é Palavra da Vida, hoje ele se releva como Palavra do Pai.
O Pai falou muitas vezes no Antigo Testamento, revelando o seu mistério de modo vagaroso. Porém,
quando chegou a plenitude dos tempos, o Pai passou a falar pelo seu Verbo, isto é, pela sua Palavra
encarnada, o seu Filho. Jesus fala pelo Pai e fala com autoridade, pois Ele veio de junto do Pai.
No Evangelho de São João, toda essa história da unidade de Jesus com o Pai é o que vai levá-lo
a ser mais odiado pelos judeus. Mas, contra todas essas questões de ódio, Jesus continua anunciando,
comunicando, a verdade que o Pai lhe revelou. E, comunicar a Palavra do Pai, é para Jesus anunciar
o Reino do Pai, fazer com que todos conheçam essa Verdade da Revelação. Hoje, como nos diz
a Constituição Dei Verbum do Concílio Vaticano II, nós cremos firmemente que esta Revelação
do Pai se deu na sagrada Escritura, junto com a tradição e o magistério. Essa Revelação do Senhor
Jesus Cristo nos faz conhecermos a intimidade de Deus. A Vida Eterna da qual Jesus fala é essa
intimidade com Deus. Nós somos convidados a viver essa intimidade com Deus pelo nosso chamado
Batismal. O Batismo deve inserir-nos a essa realidade de filhos. Como o Filho de Deus está na
intimidade com Deus, também nós somos chamados a vivermos nessa intimidade do coração
do Pai amoroso. Esse convite a vivermos na intimidade de Deus nunca se calou na história do
mundo. Se outrora a intimidade com Deus estava em viver a Antiga Aliança, agora entramos na
intimidade de Deus pela escuta e vivência da Palavra que nos liga a Deus. Por isso, Deus continuou
a suscitar homens e mulheres para continuarem o anúncio da Palavra. Por isso o Espírito Santo
ordena que Paulo e Barnabé, na primeira leitura, vão para outra missão. E, o ato do envio desses
dois homens para a missão do anúncio da Palavra é a imposição das mãos. Imposição das mãos
que os ministros ordenados receberam na sua Ordenação, mas, também, imposição das mãos
que todos nós recebemos no Sacramento da Confirmação, quando, maduros, nos comprometemos
a viver o nosso Batismo. Viver o nosso Batismo é sermos anunciadores dessa Palavra, inspirados
pelo Divino Espírito Santo para a missão. Por isso devemos fazer essa experiência Batismal, de
vivermos realmente o nosso Batismo, pela escuta da Palavra entrarmos na intimidade de Deus
que nos dá a vida na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ali recebermos a vida eterna,
que desde já experimentamos nos Sacramentos, mas que queremos experimentar um dia face
a face.
Dom Pedro Melchior, meu querido amigo e irmão, hoje o senhor assume essa árdua missão de 
ser para essa Igreja Particular de Salvador, essa voz de Deus que fala com seu povo. Aqui o senhor
irá inspirar essa amada parcela do Povo de Deus na renovação de seu Batismo, num caminho,
não tem dúvidas, neocatecumenal, isto é, na vivência de um novo processo de formação cristã,
num novo processo Batismal, para que todos e todas sejam sujeitos dessa Palavra de Deus. Que 
o senhor seja muito feliz nessa missão que já se mostrou ao senhor tão difícil, mas que com as 
graças do Santíssimo Salvador da humanidade da Mãe desse Redentor, alcançará o seu objetivo.
Seu objetivo de fortalecer aqui um clero bonito e sujo pelo trabalho e não pelo pecado. Seu objetivo
de fazer com que Cristo, aqui em Salvador, seja verdadeiramente reconhecido como Salvador
de todo e cada homem e sua Palavra aqui se difunda levando todos a conhecerem e amarem o 
Pai e viverem na intimidade com Ele, com o Cristo e na força do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 5 de maio de 2020

05.05.2020 - Visita a Arquidiocese de São Paulo

Saúdo com alegria e estima nosso arcebispo metropolitano, Dom Raul Cardeal Damasceno, e meu
grande cardeal Núncio Apostólico, Dom Jorge Snaif Cardeal Sarto, bem como os membros desta
Igreja Particular de São Paulo, os membros da minha comitiva e os demais irmãos que concelebram
comigo esta Eucaristia. Essa liturgia de hoje nos coloca uma pergunta: Estamos ouvindo a voz
do pastor? Jesus é questionado se ele é o Messias. Os judeus, em dúvida, confusos por tantas vozes
querem saber se Jesus é realmente o Cristo. Mediante a essa pergunta, Jesus próprio afirma aos 
Judeus que Ele já disse isso. Isto é, Ele já mostrou em vários momentos que ele é o Messias, o 
Cristo, o ungido, aquele prometido pelo Pai no Antigo Testamento para ser o libertador de Israel.
Mas, os judeus não foram capazes de acreditar nisso, pois não ouviam a voz de Jesus como voz 
do pastor. Eles ouviam a voz de Jesus, mas não tinham Jesus como pastor. Por isso, as palavras
de Jesus eram as palavras de qualquer um.  Mas, quem é ovelha do Senhor, quem é do rebanho
do Senhor, ouve a sua voz e segue a sua voz. As ovelhas erguem a voz do Pastor. E, do mesmo
modo quem segue a Jesus Cristo, quem faz parte do rebanho de Jesus Cristo, segue a sua voz.
Irmãos e irmãs, estamos num mundo de tanta confusão. Um mundo de tantas vozes. Temos diante
de nós as vozes da economia, a voz dos políticos, a voz das mídias sociais. Numa sociedade de
tantos "influencers" que vemos por aí, nos vídeos, "blogueirinhos", ouvimos tantas vozes, vozes
que nos afastam da voz do verdadeiro Pastor. E, irmãos e irmãs, quantas vezes nós ouvimos essas
vozes? Quantas vezes nós não vamos atrás desses influenciadores das mídias sociais que nos 
levam as coisas mais absurdas, porém não ouvimos a voz daquele que deve ser o verdadeiro e
supremo influenciador de nossas vidas, o Cristo Senhor? O Senhor apenas nos propõe um absurdo
que é amar e amar sem medidas. Num mundo de tantas vozes, nas seitas e nos sistemas de governo,
como ouvirmos a voz do Pastor? Nós sabemos, sim, quando é o Senhor que fala conosco, pois,
ele nos traz a Vida. A Palavra do Senhor é Palavra de Vida. Por exemplo, se um político X toma
atitudes contra a vida, seja ela desrespeitando o tempo de pandemia, seja ela propondo o aborto,
nós não devemos ouvir a sua voz e devemos lutar pela Vida. A Palavra do Senhor é sempre uma
Palavra de Vida. Palavra que protege a Vida. Palavra que trabalha pela Vida. Palavra que garante
a Vida. E, além disso, em nossa vida pessoal, a voz do Senhor é a voz que está no fundo de nosso
coração. É a voz da nossa consciência. Aquela voz que apenas nós ouvimos, que não é esquizofrenia,
mas, que é a voz da nossa consciência, que fala no mais profundo de nosso ser. Essa é a voz de 
Deus que se comunica conosco. Ele se comunica conosco quando ouvimos a sua Palavra. Ele se
comunica conosco no irmão, quando o irmão nos dá palavras de amor. E, irmãos e irmãs, é essa
Palavra de amor anunciada aos gregos em Antioquia que faz com que os gregos se convertam.
Essa Palavra de amor transforma todos em discípulos e discípulas de Jesus, que anunciam esse
amor de Jesus também aos outros e faz com que todos adiram ao projeto de Jesus Cristo. E, aderindo
a esse projeto todos se tornam membros do rebanho do Senhor. E, ali, em Antioquia, pela primeira
vez esse rebanho do Senhor são chamado de "CRISTÃOS". Cristãos por um motivo: Pois neles
se vê o outro Cristo. Pois eles continuam a obra do Senhor Jesus. Ali a obra do Senhor cresceu,
ali a obra do Senhor espalhou-se, ali se pode ver a voz do Pastor que falava nos irmãos e irmãs,
ali o rebanho se configurou ao Pastor, trazendo todos ao rebanho. E, quando nos configuramos
ao Senhor nós também nos tornamos "OUTRO CRISTO". E vocês, aqui em São Paulo, esta arquidiocese
tão querida, donde já fui arcebispo em 2014, tem a missão de fazer "Deus habitar nessa cidade".
E, de fato, Deus já habita aqui. Mas vós deveis fazer com que todo o povo Paulistano e Paulista,
Paulista tal qual o papa é, todo esse povo conheça a voz do Senhor, conheça a Palavra do Senhor,
e faça parte desse rebanho do Senhor. E aqui vós vivereis como ovelhas desse grande rebanho,
uma parcela do grande Rebanho do Senhor, e ninguém, ninguém, irá nos arrancar das mãos do
Senhor. Pois nós, membros do Corpo de Cristo, rebanho do Senhor, recebemos dele a vida Eterna,
e um dia nos uniremos, com Ele, ao Pai, na glória celeste, para onde todos caminhamos juntos,
onde o Ressuscitado, o nosso Bom Pastor, prepara para nós um lugar, na Ceia do Eterno Amor.
Para lá o Bom Pastor nos guia, para que todos nos unamos com Ele para sempre, onde termos
a vida eterna, também com o Pai e na unidade do Espírito Santo. Amém.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

04.05.2020 - Missa e Ordenação Episcopal

Ave! Ave! Ave Maria, Nossa Senhora Aparecida!
Saúdo com alegria o nosso arcebispo metropolitano, Dom Caio Cardeal Medeiros, bem como 
o nosso grande Núncio Apostólico, Dom Jorge Snaif Cardeal Sarto, e em seus nomes saúdo a todos
os irmãos concelebrantes. Saúdo, ainda, de modo especial, Monsenhor Idalécio Maria que neste
dia, pela imposição das nossas mãos e pela oração de consagração se tornará sucessor dos Apóstolos.
Neste dia tão especial de nossa visita a este maior Santuário Mariano do mundo, consagramos
o Habbo Hotel Brasileiro e todo o Brasil a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Maria, senhora
e mãe do Brasil, é também Padroeira do nosso Hotel. Todos nós somos capazes de sentir de perto
a proteção e olhar de Nossa Senhora Aparecida. A devoção de nosso povo a Nossa Senhora Aparecida
se estende por todo o nosso Hotel. Mesmo aqueles que não professam a mesma fé que nós, ao 
ouvirem falar de uma Igreja de Nossa Senhora Aparecida eles associam que há uma Igreja verdadeiramente
brasileira no Habbo Hotel. Consagrarmos o nosso hotel a Mãe Aparecida é confirmarmos que 
ela é Senhora de nossos corações, como sinal da presença de Deus no Brasil. Nós queremos ser
bons filhos dessa Mãe, como ela foi fiel ao Senhor. Nós queremos que Aparecida seja, no nosso
hotel essa mulher que está sobre a lua, isto é, acima de todos nós. Uma mulher que faz com que
a sua Igreja não seja atacada pelo dragão. Todas as vezes que aqueles contrários a nossa fé tentarem
nos atacar, que a Mãe Aparecida não permita. Podem até nos impedir de escrever "Igreja" em
nossas missões, mas, que a Mãe não permita que sua Igreja fique sem socorro. Que a Mãe Aparecida,
tal qual a rainha Ester, seja a intercessora pela nossa vida. Que ela nunca cesse de interceder por
nós e por nossa missão ao seu Filho Jesus. Do mesmo modo que Ester, ela intercedeu nas bodas
de Caná. Quando acabou o vinho, a alegria da festa, quando acabou a alegria do mundo, Maria
pede ao seu filho, que lhes devolva essa alegria. E Jesus, pela intercessão de Maria, realiza o seu
primeiro sinal, ele transforma a água em vinho. Jesus faz com que a alegria volte para àquela festa
onde já não havia mais a alegria. E, a alegria, o vinho, que Jesus dá é melhor que todos os outros.
Isso quer dizer que a alegria que o Senhor nos dá, alegria que se dá pela graça, que se dá pela comunhão
com Ele, é maior do que todas as alegrias que o homem havia experimentado. Todos, mesmo 
os mais embriagados pelo pecado, experimentam uma graça que deixa os seus corações plenos
de alegria, pois é uma alegria de fato plena, é a alegria da comunhão com Ele. E, irmãos e irmãs,
quem melhor experimentou essa alegria se não àquela que trouxe a alegria? Maria é aquela que
intercede pela alegria, mas também é aquela que trouxe em seu ventre a Alegria. Por isso, diante
a imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma imagem desta Maria grávida, nós queremos também
nós experimentarmos essa plena alegria da comunhão com Jesus, da unidade com Jesus. E assim,
sendo ela bem-aventurada por ter se unido ao seu filho que crescia em seu ventre, também nós
seremos bem-aventurados por nos unirmos ao Cristo que vive em nossos corações, numa comunhão
de amor e de fé, numa comunhão que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira Vida, que a Virgem
Maria, antes que todos, pode experimentar. Que a Mãe Aparecida interceda por nós, para que 
também nós bebamos desse vinho melhor e vivamos essa alegria da união com Cristo.
Monsenhor Idalécio, ao senhor, bem como a todos irmãos sacerdotes, eu dirijo uma questão especial
nesse texto. Maria, sim, intercede. Mas, ela não vê o milagre acontecer. Os que serviam encheram
as talhas de água e retiraram água das talhas. O milagre se fez nas mãos deles. O milagre, Monsenhor,
se faz em nossas mãos. É nas mãos de quem serve que o Cristo dá alegria a todos. Por isso, nunca
se esqueça que acima de tudo está o serviço. O senhor receberá todos os sinais da glória daquele
que participa da plenitude do sacerdócio, mas, sob todos esses sinais, o senhor traz a dalmática,
relembrando que antes de tudo o senhor deve ser servo. Servo deste povo bonito que o senhor 
irá ajudar a pastorear. Servo da Igreja de Cristo. E nunca se esqueça disso: Não foi na mão dos
noivos, não foi na mão do mestre sala, foi na mão dos servos que o milagre se fez. É nas mãos
de quem serve que Cristo se dá como alegria ao seu povo. Que o Senhor, te fazendo servo e nos
fazendo servos, faça com que o vinho novo, com que a comunhão com Ele, nunca falte ao nosso
amado povo de Deus. Amém.