Saúdo com alegria e afeto Dom Jorge Snaif Cardeal Sarto, nosso núncio apostólico para o Brasil,
bem como Dom Pedro Cardeal Melchior, nosso digníssimo Arcebispo Metropolitano de São Salvador
da Bahia, que hoje toma posse de sua diocese. Em seus nomes eu saúdo a todos os concelebrantes,
e todos os fiéis que participam dessa nossa Liturgia. Jesus Cristo é a Palavra do Pai. Se ontem,
lá em São Paulo, eu falava que Cristo é Palavra da Vida, hoje ele se releva como Palavra do Pai.
O Pai falou muitas vezes no Antigo Testamento, revelando o seu mistério de modo vagaroso. Porém,
quando chegou a plenitude dos tempos, o Pai passou a falar pelo seu Verbo, isto é, pela sua Palavra
encarnada, o seu Filho. Jesus fala pelo Pai e fala com autoridade, pois Ele veio de junto do Pai.
No Evangelho de São João, toda essa história da unidade de Jesus com o Pai é o que vai levá-lo
a ser mais odiado pelos judeus. Mas, contra todas essas questões de ódio, Jesus continua anunciando,
comunicando, a verdade que o Pai lhe revelou. E, comunicar a Palavra do Pai, é para Jesus anunciar
o Reino do Pai, fazer com que todos conheçam essa Verdade da Revelação. Hoje, como nos diz
a Constituição Dei Verbum do Concílio Vaticano II, nós cremos firmemente que esta Revelação
do Pai se deu na sagrada Escritura, junto com a tradição e o magistério. Essa Revelação do Senhor
Jesus Cristo nos faz conhecermos a intimidade de Deus. A Vida Eterna da qual Jesus fala é essa
intimidade com Deus. Nós somos convidados a viver essa intimidade com Deus pelo nosso chamado
Batismal. O Batismo deve inserir-nos a essa realidade de filhos. Como o Filho de Deus está na
intimidade com Deus, também nós somos chamados a vivermos nessa intimidade do coração
do Pai amoroso. Esse convite a vivermos na intimidade de Deus nunca se calou na história do
mundo. Se outrora a intimidade com Deus estava em viver a Antiga Aliança, agora entramos na
intimidade de Deus pela escuta e vivência da Palavra que nos liga a Deus. Por isso, Deus continuou
a suscitar homens e mulheres para continuarem o anúncio da Palavra. Por isso o Espírito Santo
ordena que Paulo e Barnabé, na primeira leitura, vão para outra missão. E, o ato do envio desses
dois homens para a missão do anúncio da Palavra é a imposição das mãos. Imposição das mãos
que os ministros ordenados receberam na sua Ordenação, mas, também, imposição das mãos
que todos nós recebemos no Sacramento da Confirmação, quando, maduros, nos comprometemos
a viver o nosso Batismo. Viver o nosso Batismo é sermos anunciadores dessa Palavra, inspirados
pelo Divino Espírito Santo para a missão. Por isso devemos fazer essa experiência Batismal, de
vivermos realmente o nosso Batismo, pela escuta da Palavra entrarmos na intimidade de Deus
que nos dá a vida na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ali recebermos a vida eterna,
que desde já experimentamos nos Sacramentos, mas que queremos experimentar um dia face
a face.
Dom Pedro Melchior, meu querido amigo e irmão, hoje o senhor assume essa árdua missão de
ser para essa Igreja Particular de Salvador, essa voz de Deus que fala com seu povo. Aqui o senhor
irá inspirar essa amada parcela do Povo de Deus na renovação de seu Batismo, num caminho,
não tem dúvidas, neocatecumenal, isto é, na vivência de um novo processo de formação cristã,
num novo processo Batismal, para que todos e todas sejam sujeitos dessa Palavra de Deus. Que
o senhor seja muito feliz nessa missão que já se mostrou ao senhor tão difícil, mas que com as
graças do Santíssimo Salvador da humanidade da Mãe desse Redentor, alcançará o seu objetivo.
Seu objetivo de fortalecer aqui um clero bonito e sujo pelo trabalho e não pelo pecado. Seu objetivo
de fazer com que Cristo, aqui em Salvador, seja verdadeiramente reconhecido como Salvador
de todo e cada homem e sua Palavra aqui se difunda levando todos a conhecerem e amarem o
Pai e viverem na intimidade com Ele, com o Cristo e na força do Espírito Santo. Amém.
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