sábado, 9 de maio de 2020

09.05.2020 - Dedicação da Capela do Convento

Saúdo com afeto e estima a cada irmão que concelebra esta Eucaristia, e os demais irmãos
ordenados
presentes nessa celebração. Saúdo com grande alegria a Irmã Suzana Battaglia, superiora da Ordem
de Santa Clara e em seu nome saúdo a cada irmã Clarissa. E, assim, saúdo a cada um e cada uma
aqui presente, nesse dia que estamos reunidos para celebrarmos a dedicação dessa capela do convento,
dedicada a São Francisco. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Então o povo chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado. 

Mas agora, Esdras os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. 
E Esdras, faz algo 

que nós devemos levar a sério: ele explica a Palavra de Deus ao povo. Irmãos, nós precisamos 
aprender de Esdras, pois a dedicação dessa Igreja deve nos levar a um colocar-se a disposição 
de toda a Igreja para levar a todos a Palavra de Deus. Assim, de São Francisco aprendemos a 
nos disponibilizar no serviço da Palavra. São Francisco nunca foi padre. Ele foi um grande diácono
que ocupou e gastou a sua vida em anunciar e praticar a Palavra de Deus. Ele tinha o seu coração
como um coração cheio da mais profunda alegria, justamente pois ele anunciava a Palavra. E, 
para Francisco, anunciar a Palavra era também viver a Palavra. E, quem vive a Palavra vive a perfeita
alegria, pois viver a Palavra é viver o próprio Cristo, é fazer parte do verdadeiro corpo de Cristo.
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo,
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. E é isso que celebramos nesse grande Tempo Pascal. Estamos vivenciando essa 

vitória do Cristo sobre o antigo inimigo. Vitória essa que nos congregou num grande corpo, não
feito de pedras físicas, mas um corpo que brota do Corpo glorificado do Senhor, que Ressuscitado
já não conhece o ocaso, que Ressuscitado atrai para si todas as coisas. E, nós, que aqui celebramos
essa dedicação, também queremos ser atraídos para esse Corpo. Queremos, dedicando esse templo,
dedicar também os nossos corações para santificarmos o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo que
podemos muitas vezes manchar por nossas disputas políticas e brigas internas, nós também podemos
santificar pela nossa santificação pessoal. Não podemos ser membros mortos do Corpo do Senhor,
mas, devemos ser membros vivos, que vivem na plena e perfeita alegria, tal qual Francisco de Assis,
sempre ativos, sempre na atividade, sempre na missão, sempre de coração verdadeiramente dedicado
a aquele que, na unção da cruz com seu próprio sangue, ungiu-nos e marcou-nos como libertos
para também sermos, com ele, glorificados, e também vencermos todo o mundo. Amém.

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