domingo, 17 de maio de 2020

17.05.2020 - VI Domingo da Páscoa

Saúdo os eminentíssimos senhores cardeais, os excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos
presbíteros e diáconos, os religiosos, religiosas, leigos e leigas, que celebram essa Eucaristia Dominical. 
Irmãos e irmãs, estamos no VI Domingo da Páscoa. Nos aproximamos do final do Tempo Pascal
e da celebração de Pentecostes e a Liturgia da Igreja vai nos preparando para a vinda do Espírito
Santo, depois de já ter meditado sobre a Ressurreição de Cristo e sobre a própria Igreja, corpo
místico do Senhor. Gostaria de começar minha reflexão convosco pelo Evangelho. Esse texto que
lemos se passa na noite da Quinta-Feira Santa durante o discurso da despedida. Jesus ia morrer
e afirma isso aos seus discípulos. Os discípulos, então, entram em um descontentamento. Em
primeiro lugar pois eles esperavam que o Mestre fosse um libertador político. Eles esperavam 
que Jesus fosse restaurar o reinado de Israel e eles fariam parte da corte. Os apóstolos vivem, 
naquele momento, o drama da desilusão. Cristo não veio para fazer a vontade deles e nem o que
esperava todo o povo. Ele vinha restaurar um outro reino, e era o Reino de Deus. E, de fato, Jesus
faz isso por meio de sua morte e ressurreição. Irmãos e irmãs, me permitam levar essa reflexão
para um outro lado. Talvez quando fui eleito papa muitos tiveram o mesmo pensamento, que 
fariam parte de alguma "corte". Porém, não foi isso que aconteceu. E isso causou, sem dúvidas,
um grande desconforto. Houve, sim, uma desilusão. Mas, tentei dar o melhor de mim, pela minha
palavra e pelo meu exemplo, na construção de uma Igreja da comunhão, uma Igreja da Palavra,
uma Igreja que seja esse sacramento para o Habbo. Se falhei vos peço perdão. Deixar-vos hoje
me faz sentir um pouco do drama de Jesus naquela noite. Meu coração se enche de tristeza. Por mim,
ficaria convosco mais muito tempo, e, de fato, não estou morrendo, João Paulo continuará a existir,
só não mais próximo, só não mais pai. Mas, meu coração se enche de tristeza pois queria poder
fazer muito mais convosco e por vós, mas, foi preciso que eu enchesse meu coração com toda 
a humildade possível reconhecendo que não tenho mais condições de dar o melhor de mim, e 
que não posso ser um peso para a Igreja. Por isso, deixarei daqui a pouco o ministério petrino
com alegria e sentimento de missão cumprida. Agora, porém, pedimos que Cristo envie a nós
aquela mesma realidade que ele prometeu aos Apóstolos depois da Ceia: o Espírito Santo. O Espírito
era aquele que seria enviado pelo Cristo para fortalecer os Apóstolos na missão que eles assumiram
com Jesus e iriam continuar, o projeto de Jesus Cristo. Hoje peço que o Espírito Santo permaneça
conduzindo a sua Igreja. Conduza os cardeais na escolha que logo farão. Conduza a cada um e 
cada uma para que a Igreja possa realizar a sua missão: Tornar todos discípulos e discípulas de 
Jesus Cristo. E é essa realidade que vemos nos Atos dos Apóstolos com a conversão da Samaria.
O povo samaritano que havia se misturado com outros povos e deixou de crer fielmente no Deus 
de Israel agora voltava para o Senhor, e voltava por meio de Jesus Cristo. A missão ali naquele
lugar deu resultados e muitos se converteram ao Senhor e muitos receberam, pela oração dos 
Apóstolos o dom do Espírito Santo. E, o dom do Espírito, é o que nos fala a segunda leitura, São Pedro
em sua carta. O dom do Espírito, ou melhor, os dons do Espírito é o que fortalece a sua Igreja.
Nessa tarde o sucessor de Pedro eleva aos céus uma súplica: Que venha sobre a Igreja o Espírito
Santo, para que nos fortaleça na missão, para que apesar das dificuldades nunca desistamos, para 
que apesar de todos os apesares, suportemos tudo pelo Senhor. Irmãos e irmãs, muito mais fácil
seriamos desistir. Vendo o fracasso da cruz os apóstolos pensaram em desistir. Vendo nossos
fracassos no dia a dia pensamos em desistir. Mas, acolhamos o Espírito Santo com sua fortaleza,
acolhamos o Espírito que vem habitar em nós para que possamos continuar a missão, continuar
com seriedade, assumindo a doação de cada gota de nosso sangue por Cristo e por sua Igreja.
Amém.

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