Caríssimos irmãos e irmãs, vamos falar neste catequese sobre as devoções Marianas na vida do
povo. Estamos aqui no Brasil. Na Arquidiocese de Aparecida. Um local profundamente marcado
pela devoção a Nossa Senhora Aparecida, num país de profunda devoção Mariana. Quando em
1717 os três pescadores encontraram, às margens do Paraíba do Sul, a imagem de Nossa Senhora
Aparecida, mal sabiam eles que iniciariam uma devoção que levaria aquela pequena imagem de
terracota a ser a Padroeira de todo o país, e não só isso, de ser a senhora da segunda maior basílica
do mundo todo. O número 37 do Documento de Aparecida já diz: “Em nossa cultura latino-americana
e caribenha conhecemos o papel tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha,
especialmente a devoção mariana, que contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum
condição de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, não obstante as diferenças
sociais, étnicas ou de qualquer outro tipo”. A devoção popular a Nossa Senhora é considerada
pela nossa Igreja algo nobre, que merece a nossa estima. Pois, se temos Maria como mãe, sabemos
que temos Deus como Pai. Daí Nossa Senhora se mostra como ligação entre nós e o Filho. O povo
brasileiro já vinha com uma profunda devoção a Nossa Senhora da Conceição. E aqui, 217 anos
depois do Brasil ser descoberto, essa Nossa Senhora da Conceição se torna Aparecida. Ela se torna
mãe do Brasil. Sendo de terracota, negra, Nossa Senhora assume a cor dos escravos e dos marginalizados
pela sociedade. Ela se torna mãe e amiga daqueles que se sentem desamparados por uma sociedade
profundamente preconceituosa. E, assim, aqueles pobres que não tinham ninguém por eles, passam
a ter alguém, passam a ter uma Mãe. Uma Mãe, Maria Santíssima, que havia sido pobre como
eles, que viveu com o preconceito contra a mulher de sua época - preconceito hoje, que, diga-se
de passagem, ainda existe muito forte, numa visão que deve ser destruída - que sofreu em seu
tempo. Assim cresce entre a classe trabalhadora, a grande maioria dos brasileiros, a devoção
por essa Santa. Deste modo nasce um culto à Mãe de Deus em solo brasileiro. Negros, índios e
portugueses se referirão à mãe de Deus com títulos e práticas devocionais das mais variadas. É quase
impossível de se imaginar a casa de um católico brasileiro que não tenha a imagem de Nossa Senhora,
seja ela da Conceição, de Nazaré, Aparecida, de Schoenstatt, das Graças ou do Rosário. Maria
é presente e presença na vida dos brasileiros e das brasileiras, como esse porto seguro, essa mãe
próxima e que nos aproxima de Deus. Zacarias era alguém que soube se aproximar de Maria como
seu porto seguro. Aquele escravo velho que sabia que ia apanhar, reconhece em Nossa Senhora
Aparecida a sua cor, e vê a ela como sua Mãe, e vem recorrer a ela a liberdade. Ele foge e vem
atrás aquele que era seu feitor. Chegando na porta da Basílica Velha caem as correntes das mãos
daquele velho escravo, que se confiara a Nossa Senhora. A Mãe Aparecida o tornou um homem livre.
E, ainda, como vir até aqui sem recordar daquele milagre que minha avó contava, desde pequeno,
quando um cavaleiro sem fé vinha zombar do povo que rezava a Virgem Mãe Aparecida, e na porta
da mesma Basílica Velha, em sua porta, as patas do cavalo, deixando uma marca no chão, param
imediatamente e o homem caí no chão. Ele se levanta sendo um homem crente. Maria não quer
que nenhum dos seus filhos se percam. E, essas e muitas outras histórias que se espalharam de
boca em boca, transformaram a vida do nosso amado povo brasileiro. O Brasil já não se imagina
sem a proteção de Nossa Senhora Aparecida. A devoção deste povo cresce cada vez mais. Maria
age no consciente das pessoas e no acontecer da história como estrela que ilumina e dá esperança
na noite escura e que não tem resistência em se ofuscar diante da luz de Deus, da luz do dia da
qual ela é sinal escatológico. Este dia é o Reino de Deus sonhado e buscado pelo povo cristão brasileiro.
Maria transforma profundamente o nosso modo de rezar. Rezamos a ela, somos devotos dela,
pois sabemos que ela nos conduz a seu Filho, Jesus. Por isso, no piedoso terço, nos ofícios, nas
procissões, honramos àquela Mãe que caminha conosco, que sabe as nossas dificuldades, que
compreende a nossa dor, que não nos abandona, e sabemos que honrando a ela, honramos ao
Senhor Jesus. Pois foi o anjo que disse: Bem-aventurada és tu entre as mulheres. E Santa Isabel
que conclui: Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu
ventre. Isso, irmãos e irmãs, pois a voz de Maria, a presença de Maria, sempre traz a presença
do Senhor. Por isso, no Pentecostes, Maria está presente, recebendo a presença do Espírito Santo
de Deus. Maria é presente na história da Igreja e no coração dos discípulos de Jesus, ela é motivadora,
é animadora, é aquela que olha e não se esquece de nenhum de seus filhos. Assim, todos nós, devotos
e devotas de Nossa Senhora viemos aqui nesse dia, honrar a Imaculada Senhora da Conceição
Aparecida, aproximar o nosso coração do seu coração, como tantas vezes fazemos em nossa vida.
E queremos continuar aproximando o nosso coração do seu materno coração, até o dia em que
ela rogar por nós pela última vez, na hora de nossa morte. Amém.
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