sexta-feira, 15 de maio de 2020

15.05.2020 - Dedicação da Basílica da Natividade

Saúdo com alegria e afeto Dom Vito Cardeal Lavezzo, responsável por esta basílica, saúdo Dom 
Magnus Cardeal Lion, Custódio para a Terra Santa, e em seus nomes saúdo a cada concelebrante
e cada um e cada uma presente nesta Celebração de Dedicação desta Basílica da Natividade aqui
em Belém. Aqui sempre é Natal. Aqui o espaço sobrepõe-se ao tempo. Estamos num lugar sagrado
para a nossa fé. Recordamo-nos daquele momento em que os anjos dizem aos pastores: "Hoje,
em Belém da Judeia, nasceu para vós o Salvador que é Cristo, o Senhor". E, aqui, continua sempre
a ecoar esse "hoje" do nascimento de Cristo. Aqui sempre recordamos o amor de Deus. O amor
de Deus que fez com que o Verbo Divino se encarnasse. Quando pensamos no processo Kenótico
de Jesus, isso é, no seu rebaixamento, vemos que esse processo se inicia na encarnação. Jesus 
Cristo que já era Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, se torna Homem. Cristo,
por amor da humanidade, se rebaixa a nossa condição de criatura. Estando presente na Criação,
passado o tempo de Adão e Eva, dos patriarcas, do Egito, do Exílio, dos profetas, e, chegando 
a plenitude dos Tempos, Jesus Cristo se encarna no sheio da Vhirgem Maria e se faz Homem.
Deus assume a carne e entra na história. Deus assume a carne humana, a realidade humana. 
Nós, aqui contemplamos sempre esse grande mistério. Pois, ao assumir a nossa realidade, Jesus
assume, também as nossas dores, nossos sofrimentos, angustias e mazelas. Jesus Cristo assume
o estado humano, a realidade humana em sua plenitude. Aqui, irmãos e irmãs, somos capazes
de olhar para Jesus Cristo como um completamente igual a nós. Jesus que seria tentado, que sofreria,
que seria descartado pela sociedade quando não satisfaz seus sonhos e seus desejos, Ele, aqui
assume essa realidade por amor ao homem. É com esse olhar que enxergamos Jesus na manjedoura.
Revestido da fragilidade humana, feito Menino, recém-nascido, do modo mais frágil do homem,
Cristo se apresenta para nós de modo dócil. É um Cristo do qual queremos nos aproximar. Que
nos chama a atenção. Um menininho. Quem não vê uma criança e não faz pelo menos uma gracinha
para a criança? Jesus quer ser isso. Quer nos atrair para Ele por meio deste seu mistério de ser
criança. Porém, essa fé vai amadurecer até chegar a idade adulta. E, ali ele será crucificado e ressuscitará.
Isso, irmãos e irmãs, que já aflige o coração de Maria, nos recorda que toda a vida do Cristo é
constituída para a Salvação, e toda a sua vida o dirige para a Cruz. Por isso, nas nossas vidas também
passaremos pela Cruz. A fé no Menino Jesus deve ser fé, também, no Senhor Crucificado. Pois,
se na manjedoura Jesus repousou por não ter lugar na hospedaria, na Cruz ele repousou para
nos dar um lugar no céu. E, agora, com essa dedicação. Queremos que ele habite aqui nesta Basílica
da Natividade. Se antes ninguém o acolhia, queremos que essa grande igreja seja sua habitação,
que aqui ele continue a repousar para nos dar a Salvação. Aqui repousará o Cristo menino e o Cristo
crucificado. Na gruta sob este altar repouse o Jesus menino. Sobre este altar repousará o Cristo 
crucificado e Ressuscitado, Verbo Eterno do Pai que outrora se encarnou como menino e agora
continuamos tornando presente por meio de sua memória. Aqui, o Corpo e Sangue assumido
por Cristo na gestação de Maria se fará memória no altar. Irmãos e irmãs, que nossos corações
também se abram para esse Cristo que habitará essa casa. Que nossos coração seja uma manjedoura,
sempre simples, sempre preparada, sempre pronta para receber o Senhor, que aqui sempre receberemos,
que aqui sempre se dará e se fará presente. E que, habitando em nós, Ele nos faça compreender
com amor o seu mistério; sermos gratos por sua encarnação; e o permitamos crescer em nós.
Se outrora o Espírito Santo fez de Maria a Basílica da morada do Senhor, seja agora essa casa
e o nosso coração constituídos, por esse mesmo Espírito, local do Natal, local de acolhida pelo
Senhor, local da habitação do altíssimo, que nos ama e nos chama ao Amor. Amém.

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