Saúdo com afeto e estima Dom Vito Cardeal Lavezzo, nosso bispo diocesano da diocese titular
de Palestrina, responsável por essa Catedral de Santo Agapito. Saúdo, ainda, a cada um e cada
uma que toma parte nessa Eucaristia, sejam os concelebrantes, seja nessa assembléia. Estamos
celebrando essa Eucaristia como irmãos diante da mesa do Senhor. Entorno da mesa do Senhor,
hoje presidida pelo Bispo de Roma, queremos começar firmando a união de toda a Santa Igreja,
depois de um momento onde muitos murmúrios correram falando sobre algum modo de desunião,
o que confirmamos que nunca foi cogitado. E, celebrando nesta Catedral, reafirmamos a comunhão
de toda a Igreja, entorno de Cristo que fazemos memória, e entorno do Romano Pontífice, que
assumistes e escolhestes como pai, sendo, aqui, Igreja do Senhor. Igreja do sucessor de Pedro.
Igreja dos sucessores dos Apóstolos. Igreja do povo de Deus. Igreja de Cristo, e Cristo Ressuscitado.
É nesse espírito, irmãos e irmãs, que celebramos essa Eucaristia, nesse dia em que o Senhor comunica
aos seus discípulos a paz. A paz, para muitos, é a ausência de conflitos, é um estado de elevação
do ser, é o nirvana, é tantas coisas. Mas, Jesus diz que a paz que ele dá não é a paz do mundo.
A paz de Cristo: dizemos isso tantas vezes e pouco paramos para pensar no que isso quer dizer.
A paz de Cristo não é apenas uma filosofia de vida, uma ausência de brigas, não. A paz de Cristo
não se refere as coisas desta vida. A paz de Cristo é uma harmonização com Deus. Precisamos
entender que o mundo entrou em desiquilíbrio pelo pecado. O homem não estava na harmonia
da sua relação com Deus, nem com seus irmãos e nem com a natureza. Chamamos isso de nó
relacional. A relação entre todas as coisas, a harmonia entre todas as coisas, estava quebrada.
E, quebrada pela desobediência humana. Desobediência que fecha o homem em seu egoísmo
e não o permite ver e ouvir a Deus. Mas, vem Cristo. E, estamos ouvindo o trecho do grande sermão
de Jesus depois da Ceia. No dia seguinte Ele irá restaurar todas as coisas pelo sangue derramado
na cruz. Por isso, agora, Ele diz que deixa a sua paz. A sua paz, ali, é primeiro o perdão dos pecados
dos discípulos, que comungaram na Ceia. Depois, é a paz deixada. A paz deixada é a harmonização
de todas as coisas com Deus, a restauração da relação, do nó relacional, com Deus. O homem
só encontra a verdadeira e profunda paz se ele entra na relação com o seu Senhor. O homem tem
necessidade de Deus. O coração humano suspira por Deus. Por isso, o homem só encontra a paz,
a verdadeira paz, encontrando a paz de Cristo, a relação com o seu Pai e Criador, com seu Irmão
e Salvador, e com Paráclito Consolador. Essa é a paz de Cristo. Paz essa que somos convidados
a receber. Mas, para receber essa paz plena e verdadeira, precisamos nos afastar daquilo que rompe
a relação: o pecado. O pecado continua rompendo a relação com Deus. Mas, foi-nos deixado o Batismo,
e a vivência batismal por meio do Sacramento da Reconciliação, para que sempre possamos voltar
a esse estado de relação com Deus, de preenchimento total de nosso ser em Deus, de nossa paz
em Deus. Esta já era a ordem do Pai que Jesus diz no final do Evangelho: reconciliar todas as
coisas, para firmar com todas as coisas uma relação de amor. É dessa relação que somos chamados
a cada dia a participarmos, pois fomos remidos e restaurados em Deus pelo Sangue do Cristo.
E, para que todas as comunidades recebessem essa mesma restauração nós lemos na primeira
leitura os Apóstolos, os Bispos da Igreja, que deixam os presbíteros em seu nome. Os presbíteros
nas comunidades teriam a função de celebrar os sacramentos, tal como hoje. Eles celebravam
a Fração do Pão, batizavam, tudo em nome dos Apóstolos, do mesmo modo que hoje cada padre
representa o seu bispo. Os Apóstolos deixaram os presbíteros para presidir as comunidades em
seu nome, para que ali todos recebessem a paz de Cristo, todos fossem restaurados em Cristo,
todos recebessem a Salvação de Cristo. Eles sabiam que a Salvação, a Reconciliação de todo o
gênero humano se daria pela participação nos mistérios do Senhor e que todas as comunidades,
em todos os tempos, precisariam comer essa Ceia Pascal. Por isso, somos convidados a sempre
encontrarmos aqui no altar o ponto auge de nossa vida, momento de nossa perfeita união com
Cristo, momento de nossa comunhão com Ele. Esse é o momento que, como na cruz, todas as
coisas são restauradas no Pai. E, aqui, oferecemos o nosso louvor e nossa ação de graças. Por isso,
irmãos e irmãs, restaurados pela graça de Deus que nos dá o Pão da Vida e o Cálice da Salvação,
recebendo essa paz plena de Cristo, anunciemos a morte de Cristo e proclamemos a sua ressurreição,
até que Ele venha. Ele já vem pelo seu Espírito e faz nova todas as coisas. Sim, Ele vem, o Vencedor
do Mundo, Aquele que traz a paz, Ele vem e nos dá sua paz, seu Corpo e Sangue, Sacrifício perfeito
e sangue e Salvação do mundo inteiro. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
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