Eminentíssimos pares, irmãos no colégio cardinalício, aos quais saúdo na pessoa de nosso decano, Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, com esta celebração eucarística iniciamos a nossa clausura, celebrando a Solenidade da natividade de São João Batista. Celebramos sua natividade pois esta é um grande milagre: sinal de que Deus se recordou do seu povo. João Batista representa essa passagem do Antigo para o Novo Testamento. Deus que outrora falou pelos profetas, fala também por João Batista, que não só diz sobre o Salvador, mas, também, o aponta e o batiza. João Batista não só prepara os caminhos para o Senhor, Ele próprio aponta o Senhor. Oxalá todos nós fôssemos mais como o Batista, apontando o Senhor. Que fôssemos mais como João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, mas, que ainda assim, fez-se tão pequeno, viveu uma vida tão simples, sem nenhuma outra preocupação a não ser o projeto do Reino de Deus. Que fossemos mais como João Batista, ainda, em sua austeridade e em seu silêncio. Morando no deserto, na solidão, ele pode ouvir melhor a voz do Senhor que o orientava em sua missão. Devemos entender a clausura que iniciaremos, eminentíssimos irmãos, não apenas como um momento de nos privarmos das opiniões externas, do contato com outras fontes, para garantir o nosso sigilo. Mas, a clausura para nós deve significar mais: deve significar um verdadeiro retiro espiritual. Sim, irmãos, pois é muito salutar esse nosso costume de um retiro em preparação para a eleição daquele que vai nos liderar. Pois, não nos liderará apenas como homem, mas, como aquele sobre o qual o Espírito Santo de Deus é profusamente derramado. Por isso, este é o momento de nos retirarmos, nos silenciarmos, e permitirmos que o Pai, pelo seu Verbo Jesus, fale conosco no Espírito Santo que mora em nós e que só depende de nosso silênciamento para ser escutado.
sábado, 24 de junho de 2023
domingo, 18 de junho de 2023
18.06.2023 - Discurso no encerramento do Pontificado de Antonio
Beatíssimo pai, Antônio,
Hoje nos reunimos como comunidade de fé para expressar nossa profunda gratidão por seu pontificado curto, mas marcante. Embora não tenha sido fácil ao senhor, valorizamos os simbolismos significativos e a atenção especial que vossa santidade dedicou aos leigos, a cada um dos filhos e filhas de Deus que buscaram seu apoio e orientação. Permita-me recordar as palavras do evangelista Mateus: "Vendo as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor" (Mt 9, 36). Essas palavras ressoaram profundamente em seu coração, Santo Padre, e seu pontificado foi moldado pelo amor compassivo que você manifestou por aqueles que mais precisam e normalmente são esquecidos por nós. Assim como Jesus chamou seus discípulos, você também nos convocou, Santo Padre, a assumir a missão de cuidar uns dos outros. Sua voz, santidade, ressoou como um chamado ao serviço e à solidariedade, recordando-nos que todos somos responsáveis pelo bem-estar e crescimento da família humana, especialmente pelos marginalizados, oprimidos e esquecidos. Tu nos lembraste que cada pessoa é um dom valioso para nossa evangelização virtual e que nossa tarefa é estender a mão e acolher a todos, sem exceção. E, retomo aquilo que lhe disse na noite de sua renúncia: quando Antônio pregou e os da cidade não o quiseram ouvir, ele pregou aos peixes. Quando tu pregaste e a hierarquia da Igreja não quis te ouvir, muito mais ressoou a tua Palavra ao coração daqueles mais afastados da vida da Igreja. Por ser Palavra de Deus, também ela não voltará sem antes em nós frutificar. Hoje, em profunda gratidão pelo seu pontificado, renovamos nosso compromisso de seguir seus ensinamentos e exemplos. Como discípulos de Cristo, seguiremos sua mensagem de amor e misericórdia, levando-a a todos os cantos da Terra. Que o próprio Deus, em sua infinita bondade, te abençoe, Santo Padre, em sua nova jornada. Que as sementes de amor e justiça, de caridade e de missionariedade que vossa santidade plantou continuem a florescer nos corações daqueles que tiveram o privilégio de serem tocados por seu ministério. Seu pontificado é um testemunho poderoso de que cada um de nós pode fazer a diferença, independentemente do tempo que nos é concedido. Reverentemente, obrigado, Papa Antônio.