Eminentíssimos pares, irmãos no colégio cardinalício, aos quais saúdo na pessoa de nosso decano, Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, com esta celebração eucarística iniciamos a nossa clausura, celebrando a Solenidade da natividade de São João Batista. Celebramos sua natividade pois esta é um grande milagre: sinal de que Deus se recordou do seu povo. João Batista representa essa passagem do Antigo para o Novo Testamento. Deus que outrora falou pelos profetas, fala também por João Batista, que não só diz sobre o Salvador, mas, também, o aponta e o batiza. João Batista não só prepara os caminhos para o Senhor, Ele próprio aponta o Senhor. Oxalá todos nós fôssemos mais como o Batista, apontando o Senhor. Que fôssemos mais como João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, mas, que ainda assim, fez-se tão pequeno, viveu uma vida tão simples, sem nenhuma outra preocupação a não ser o projeto do Reino de Deus. Que fossemos mais como João Batista, ainda, em sua austeridade e em seu silêncio. Morando no deserto, na solidão, ele pode ouvir melhor a voz do Senhor que o orientava em sua missão. Devemos entender a clausura que iniciaremos, eminentíssimos irmãos, não apenas como um momento de nos privarmos das opiniões externas, do contato com outras fontes, para garantir o nosso sigilo. Mas, a clausura para nós deve significar mais: deve significar um verdadeiro retiro espiritual. Sim, irmãos, pois é muito salutar esse nosso costume de um retiro em preparação para a eleição daquele que vai nos liderar. Pois, não nos liderará apenas como homem, mas, como aquele sobre o qual o Espírito Santo de Deus é profusamente derramado. Por isso, este é o momento de nos retirarmos, nos silenciarmos, e permitirmos que o Pai, pelo seu Verbo Jesus, fale conosco no Espírito Santo que mora em nós e que só depende de nosso silênciamento para ser escutado.
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