Irmãos, vamos ouvir o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”.
Palavra da Salvação.
Amados filhos e irmãos, que bom termos este nosso momento de encontro. O encontro do Sumo Pontífice, cabeça do colégio episcopal, com os demais membros deste mesmo colégio é sempre um encontro que tende a ser profícuo. Inspirados pela Palavra que acabamos de escutar, gostaria de propor para todos nós duas sinceras meditações.
A primeira meditação é: qual terreno sou eu? Esta meditação é comum, corrente para nós, mas nem por isso pode deixar de ser respondida. Como nós estamos acolhendo em nossas vidas a palavra e a vontade do Senhor? Ou achamos que vamos ser capazes de dar aos outros àquilo que nem nós mesmos temos? Fico pensando nos bispos que andam por aí o tempo todo de mal humor, o tempo todo desanimados, com os quais não se pode contar para nada. Me pergunto: será que fizeram realmente um encontro com a Palavra do Senhor? Será que deixaram se transformar por ela? É muito fácil subir no ambão e ler a Palavra, e até mesmo fazer pregações. A parte difícil, meus irmãos, é deixar que essa Palavra seja transformadora em nossas vidas. É claro que, prestem atenção, nenhum terreno dá a mesma quantidade de frutos, e nenhuma semente produz a mesma quantidade de frutos: uns são cem, outros sessenta e outros trinta. Isso é natural. Agora, é ruim quando não produzimos fruto algum. Existem entre vós, irmãos, e isto é completamente aceitável, aqueles que tem vocação para Bispo Auxiliar, por exemplo. Isso é negativo? De modo algum. Essa é a quantidade de frutos que alguém consegue dar. Por isso, a vida no clero não é uma constante subida, onde outrora éreis padres, hoje sois bispos, e amanhã sereis cardeais. Pelo contrário, acredito que nos últimos tempos a probabilidade maior vem sido a de descer do que a de subir. É muito mais fácil descer do que subir. A luta, então, não é uma luta por cargos, é uma luta por produzir frutos para a Igreja. Pode ser que alguém produza menos frutos, por exemplo, mas frutos melhores. Óbvio que quando for o momento de escolher alguém para ir para outro ofício, este será escolhido. Mas, e o que ficar como Bispo Auxiliar, este é diminuído? De modo algum. Tanto que, bem sabeis, não há diferença alguma de dignidade entre os Bispos e os Arcebispos: muda o ofício e o título, apenas. Um Arcebispo que não sabe conviver com respeito e não escuta seus Bispos Auxiliares está fadado a não conseguir levar adiante sua Arquidiocese. Um Arcebispo que toma tudo para si e não delega nada aos auxiliares, não confia neles, não levará seu trabalho adiante. É preciso haver esse vínculo de mútua confiança e mútua ajuda e crescimento. Não é necessário, ao meu ver, mais do que dois auxiliares por Arquidiocese. Por isso, o Arcebispo deve confiar em seus Bispos Auxiliares e ser próximo deles e estes próximos do Arcebispo. Se os Bispos Auxiliares não ajudam, o Arcebispo confiará ainda mais em seus presbíteros, que também podem desempenhar importantes funções na Igreja Particular, tanto que não é necessários tantos Auxiliares. E se tanto Bispos Auxiliares quanto Arcebispo estiverem falhando, ambos devem reclamar ao Dicastério para os Bispos. Os senhores sabem melhor o que acontece em vossas Igrejas do que nós. Enfim, quem cresce com vosso trabalho é a Igreja e não vós. O grande problema é que temos uma tendência a ficarmos nos comparando: "Por que ele e não eu?". Existem várias respostas para isso, mas, pode ser que, simplesmente, ele foi considerado que lidaria melhor para aquele ofício. Recordo, aqui, de Dom Lindomar Araújo. Dom Lindomar é um bispo chato, insuportável, vitimista. Lidar com ele era terrível. Mas, ele desempenhou muito bem funções em outras áreas fora da vida pastoral. Mas, sobressaia em vossas mentes que cada um dá uma quantidade diferente de frutos e frutos de qualidades diferentes, e isso não é negativo. Só não podemos fazer como aquele que precisei demitir essa semana, porque o rapaz simplesmente não dava as caras e já estava de achincalhamento, de zoação. E aqui um ponto importante: não zoem, não achincalhem, não cuspam na cara da Igreja. Sede com ela amorosos. Queridos filhos, nada me faz me dedicar a esta Igreja senão o fato de que a amo. A amo como papa, a amava como cardeal e a amaria se fosse exonerado a padre. Se amamos a Igreja as coisas fluem naturalmente. Tanto vós que estais nas funções administrativas, os Bispos Auxiliares, os Arcebispos, todos, se amarem a Igreja verão seu trabalho frutificar. Mas, não se enganem, vossos trabalhos são sim medidos. Há bispos que nem celebram missa, nem concelebram o papa, nem arcebispos, nem ajudam os padres, que NÃO SABEM celebrar uma missa direito, NÃO SABEM fazer uma homilia e muito menos tem contato com os seminaristas e os leigos. Este não é o tipo de Bispos que a Igreja quer mais. Queremos Bispos dispostos a contribuir, a ser presente e presença tanto na vida litúrgica - não minha, mas também nas vossas -, como na formação presbiteral - missão que vos cabe mais do que a qualquer outro - e no contato com as realidades como o laicato.
E disso eu puxo o gancho para a segunda meditação: como semeadores que sois, conheceis vosso terreno? Bispos, conheceis vossos padres? Cada um deles? Vocês sabem quais são as dificuldades deles? O que vocês fazem para integrá-los quando sentem que eles começam a se afastar. Eu estou sentindo falta de padres que eram ativíssimos e que sumiram sem pedir emeritação. É preciso correr atrás, sim, e sobretudo gastar tempo. Esta é uma missão vossa. Vós sois o braço da Igreja que tem essa responsabilidade. Não é uma missão do Dicastério para o Clero: é antes dos senhores. Não podem se ausentar desta missão tão particular. Além disso, um olhar para a formação presbiteral: Bispo Auxiliar pode e deve ser reitor ou ao menos formador no seminário. Arcebispo tem a missão de ser um exemplo nisto também, formando ou ao menos estando próximos. É preciso conhecer os seminaristas, saber o horário que eles logam e estar próximos. Eu já disse isso na semana passada e repito: o que nos faz perder seminaristas as vezes é justamente que nós não os integramos o suficiente. (E aqui faço um parêntese para vos dizer que ireis acompanhar e alguns participar ativamente na reforma da apostila dos seminários que começará na próxima semana e deve durar um mês ou um mês e meio, seguindo as especificações do XI Sínodo dos Bispos do ano passado, da exortação apostólica Fecerunt Me, e atualizando certas realidades conforme a vicissitude dos tempos. Por isso, também, teremos um novo diretório anexo a apostila para guiar a formação em toda a Igreja). É preciso conhecer, também, os leigos, fazer amizades. Eu vejo trabalhos como o do Frei Ruan e me alegro muito. Por quê? Pois por mais que ele dê umas escorregadinhas, é um homem que se esforça por conhecer os leigos, por atrai-los. Irmãos, prestem atenção, se não conhecerdes o terreno, podereis até lançar sementes, mas não haverá fruto. É preciso conhecer o terreno que sois chamados a ser semeadores. É preciso, sobretudo, se envolver. Se envolver com todas as realidades das nossas Igrejas particulares e não sermos alheios. Somos todos co-responsáveis pela Igreja. Depois, as coisas começam a dar errado e ficamos jogando a culpa em uns ou em outros, mas, nos esquecemos que somos co-responsáveis pela Igreja, pela missão. Sem esta noção de que todos vocês tem essa responsabilidade comigo, não haverá a compreensão que juntos somos um colégio, o colégio episcopal, o colégio apostólico. E é o que somos. Todos nós juntos temos a missão de construir a Igreja e guiá-la em sua missão. Não sois passivos do poder deste colégio. Por isso, o caminho de nossa Igreja também no Habbo é um caminho de sinodalidade, onde nos dispomos a caminhar juntos e assumirmos juntos os compromissos da evangelização, da missão, enfim, de sermos semeadores do Reino de Deus.
Que Deus nos ajude a compreendermos quem somos e a nos envolvermos com todas as realidades de nossa Igreja, a qual nos dispomos a servir e a sermos responsáveis por sua missão. Assim seja! Amém.
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