Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial Mons. Giuseppe Siri, que hoje será ordenado Bispo para a Igreja. Estamos reunidos para este momento solene da nossa vida eclesial. Antigamente chamava-se este rito de sagração episcopal, termo que hoje caiu. Falamos, agora, de ordenação, isto é, de introdução do eleito na ordem dos Bispos, no Colégio Apostólico. Nunca podemos nos esquecer que o Bispo, uma vez introduzidos na Ordem, no Colégio, quando age pensando em si próprio e isolado, perde o próprio sentido e rumo. Os outros, os irmãos na Ordem, estão sempre aí para nos apoiar, para crescermos juntos. Quando queremos nos isolar, agir fora da comunhão, prejudicamos toda a missão e ferimos todo o tecido da Igreja. Como Bispos, somos guardiões da Igreja, responsáveis por prosseguir a obra salvífica que o Cristo confiou inicialmente aos apóstolos, mas também a cada cristão batizado. É o Bispo, porém, que está a frente desta missão. E hoje nós, Bispos, como Colégio Episcopal, imporemos sobre o Mons. Siri as nossas mãos e pediremos sobre ele o Espírito Santo Paráclito. É o Espírito que o enviará na missão do serviço da qual fala o profeta Isaías; é Ele quem o renovará em Cristo, como convida São Paulo na segunda carta aos coríntios; é Ele que nos reúne como amigos do Senhor. É salutar que reforcemos este aspecto que é sermos amigos do Senhor. Jesus nos chama a seu amor e é apenas experimentados no seu amor que somos enviados como seus embaixadores no mundo. Este é nosso serviço. Não somos os servos que não conhecem o seu Senhor. Cristo nos chama a sermos íntimos Dele, para podermos amar aos irmãos e irmãs. Assim, o nosso serviço é, tal como era o de Jesus: amar. O grande ato de serviço mas também de amor de Jesus foi a sua morte de cruz, vivenciado na véspera no lava-pés. E está é a Igreja que devemos ser e que exortamos este novo Bispo a experimentar e propor: a Igreja do lava-pés, da Ceia, da entrega generosa, da Cruz e da Ressurreição. Isto é, a Igreja deve vivenciar e se renovar completamente no mistério do seu Senhor. E para que amemos verdadeiramente é preciso criar vínculos de amor, de amizade e serviço com Deus, com os irmãos no ministério episcopal, com os presbíteros e diáconos e com o povo de Deus. Não há outro caminho! Qualquer caminho que fuja destes vínculos é ilusório. Exemplo disto são os Bispos que foram, infelizmente, demitidos no último mês: se perderam por não fortalecer estes vínculos. Quanto a ti, querido Mons. Siri, além de todas essas exortações, exorto-te com aquilo que recomenda o Pontifical Romano para a Ordenação do Bispo: lembra-te que foste tirado dentre os seres humanos, e colocado a serviço deles nas coisas de Deus. O Episcopado é um serviço e não uma honra; o Bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas. Prega a palavra de Deus, quer agrade, quer desagrade. Orando e oferecendo o sacrifício pelo povo que te foi confiado, procura haurir copiosamente da plenitude do Cristo as riquezas da graça. Distribui com prudência e guarda fielmente os mistério de Cristo. Vela, pois por todo o rebanho dos fiéis e cujo serviço te coloca o Espírito Santo, para reger a Igreja de Deus; em nome do Pai, de quem és imagem entre os fiéis; em nome do Filho, cuja missão de mestre, sacerdote e pastor exerces; e em nome do Espírito Santo, que dá vida a Igreja de Cristo, e fortalece a nossa fraqueza. Amém.
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