terça-feira, 10 de agosto de 2021

10.08.2021 - Consistório de Criação de Dom Marcos Messias

Irmãos, quanto mais alto subimos, de maior altura podemos cair. Os discípulos Tiago e João pediram lugares a direita e a esquerda de Jesus, pois queriam receber um pouco da glória que Jesus receberia. Mal sabiam, que a ascensão deles passaria pela experiência da queda. Hoje, estamos aqui reunidos para concedermos a Dom Marcos Messias este título de Cardeal. Este título que é honorífico nos recorda alguém que trabalha mais próximo do Romano Pontífice, mas, também, que desempenhando o exercício de seu ministério, foi visto com bom grado pelo Santo Padre e por seus irmãos, para receber esta honraria. Mas, esta honra vem com um serviço. O serviço que já vem sido feito, deve ser feito com ainda mais esmero. É a doação da própria vida, feita com alegria e generosidade que deve continuar permeando a vida deste nosso irmão, mas, também de todos os cardeais. Nós tendemos a achar que quando nos colocamos numa situação de poder e glória, nada nos tirará de lá. Porém, deste local alto, quando caímos, a queda muito alta. A queda é alta pois, muitas vezes, nos locais de poder, corremos o risco de dele usurpar e, ainda, de dele nos apegarmos. Tivemos, por exemplo, um irmão que se achou no direito de criticar a Igreja em suas redes sociais e por isso foi exonerado e depois demitido e hoje está cismando. É um claro exemplo de quem estava no topo e de lá caiu. Caiu não porque foi derrubado, mas, pelo contrário, porque de lá se precipitou. Normalmente, veneráveis irmãos, não são os outros que nos derrubam, somos nós que nos derrubamos. Em nossas atitudes de desprezo pela Igreja, quando não doamos a vida, e pior, quando cuspimos no rosto visível da Igreja, que é sua hierarquia, por meio de mensagens de ódio e de desobediência, na falta de comunhão com os irmãos, também quando usamos a Igreja para satisfazer as nossas necessidades e sedes, enfim, em todos estes momentos que nós maltratamos a Igreja, somos nós que nos derrubamos. Nos derrubamos pois a Igreja não merece ser escarrada por aqueles que estão dentro dela. E estes que tanto cospem em nossa cara, são os mesmos que depois recorrem pedindo retorno em meio a promessas políticas de campanhas inexistentes. Isto serve para todo o clero. Cuidado! O caminho da Igreja é o caminho para Jerusalém e Jerusalém é o lugar da Paixão e da Morte, mas, é também o lugar da Ressurreição. Nosso caminho no seguimento de Jesus deve ser este mesmo caminho, para bebermos deste mesmo cálice que é dar a vida. Neste caminho, não desonremos nosso Senhor com nossa soberba, mas, coloquemo-nos em humilde serviço. Por fim, volto-me aos cardeais para um público pedido. Bem sabeis que em poucos dias a Sé de São Pedro estará vacante. Quando fordes fazer a eleição para o meu sucessor, observai bem em quem votar. Não elejam, eminências, por favor, não elejam cardeais que falem de assuntos políticos. Não elejam quem fica preocupado falando só de crise na Igreja, porque disso estamos fartos de ouvir há muitos anos. Aliás, recordo que os chamamos momentos de glória da Igreja ali em 2014 e 2015 eram momentos de missas com 6 ou 7 pessoas. O momento da glória da Igreja é sempre o momento atual, por isso, falar de crise é buscar viver num constante e desnecessário medo, já que o que nos garante a vitória não é o número de membros, mas, o grau de comprometimento. Por isso, eminências, elejam alguém que fale de Jesus Cristo convosco. Se virem alguém fazendo campanha por si mesmos, caiam fora. Mas, se este alguém é alguém que vos fala de Jesus Cristo, que vá anunciar conosco Jesus Cristo, que vá mostrar aos outros Jesus Cristo em sua vida e obras, elegei este. É o meu conselho paterno e fraterno. Já sofremos demais com gente que viveu em constante guerra entre facções. Nos preocupemos, portanto, apenas com o que é necessário, Jesus Cristo, e doemos nossa vida em seu serviço e em serviço de sua Igreja. Assim seja! Amém.

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