Irmãos, o nome do Senhor dos reúne. Moisés foi essa figura que, no Antigo Testamento, em nome do Senhor, reuniu o povo com o seu Senhor. Moisés, desde a libertação do Egito, foi o guia da comunidade do povo Eleito, o conduzindo à Jerusalém. Contudo, o próprio Moisés não entrou na Terra Prometida. Isso, porém, não diminuiu o seu valor, e ele portanto, não teve o seu vigor diminuído, mas, sim, esteve na vontade do Senhor até o último dia de sua vida. Muitas vezes, temos dificuldade de encontrar essa vontade do Senhor que nos dá vigor, não conseguimos encontrar o caminho certo. Como Jesus disse no Evangelho, podemos precisar ser corrigidos e corrigir. Precisamos, sim, corrigir os que estão no erro, mas, também, precisamos permitir a correção dos outros e a correção da Igreja, estas correções que vão fazendo de nós pessoas mais abertas ao outro, mais dispostas e mais atentas a vontade do Senhor, mais humildes. Hoje celebramos a memória de Santa Clara, que aqui neste Santuário é elevado ao grau de Solenidade, como padroeira. Santa Clara é esse exemplo de alguém que aceitou as correções, se abriu ao outro, e foi ficando mais disposta a vontade do Senhor e mais humilde. Clara, a jovem bela de Assis, bem sabemos, amava Francisco de Assis. Francisco, por sua vez, também amava Clara. Se parássemos aqui, já teríamos uma linda história de amor e um casal que poderia ter sido um dos mais santos de toda a história da Igreja. Mas, quis Deus que São Francisco se apaixonasse por Ele por meio da pobreza. Assim, Francisco amou a Deus e aos pobres, aos que mais precisavam e começava a reunir seguidores, sempre homens. Clara vai viver este mesmo encanto. Ela não vai querer apenas se unir a Francisco. Não, Clara quer se unir a Deus! Ela vê no modo de vida do seu amigo, o modo de extrapolar o amor. E ambos, Clara e Francisco, extrapolam os níveis do amor que poderiam sentir apenas um pelo outro e fazem deste amor uma outra extrapolação, que ir aos extremos do cumprimento da vontade do Senhor. "Há entre Francisco e Clara algo misterioso que conjuga Eros e Ágape, fascinação e transfiguração". Apesar dos boatos que deviam ter em Assis sobre a relação dos dois, Francisco e Clara mantém frequentes encontros, mesmo depois da fundação das Damas Pobres. O relato histórico não poderia ser mais carregado de densidade amorosa. Francisco combinara com Clara que na noite do domingo de Ramos, belamente adornada, fugisse de casa e viesse encontrá-lo na capelinha que havia construído, a Porciúncula. Efetivamente ela fugiu. Chegou à igrejinha e lá estavam Francisco e seus companheiros com tochas acessas. Alegres a aplaudiram e a receberam com extremo carinho. Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Era o símbolo de sua entrada no novo caminho religioso. Agora eram dois num só e mesmo caminho e até hoje não se separaram. Quando Francisco morreu em 1226, seu corpo passa por São Damião para ser mostrado a Clara. Santa Clara vai ser mulher forte e importante para a Igreja de seu tempo. No momento em que as tropas de Frederico II iriam atacar onde viviam, Clara, com o Santíssimo Sacramento, afasta os soldados. Por fim, ela volta ao Pai em 11 de agosto de 1253, com suas exéquias sendo celebradas por Inocêncio IV, que abre seu processo de canonização. Assim, Clara clareia até hoje a nossa história, ensinando que quando observamos os irmãos, os que nos corrigem, nos ensinam e os que precisam de nós, nos tornamos verdadeiros amantes de todos e do Senhor. Que assim seja em nossa vida. Amém.
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