domingo, 1 de agosto de 2021

01.08.2021 - XVIII Domingo do Tempo Comum

Irmãos, nunca ficamos satisfeitos com aquilo que Deus faz por nós. Por isso, Deus sempre se dá ainda mais e se revela ainda mais. Depois de sair do Egito, onde o povo era escravo, ele se deparou com o deserto e sentiu saudades da escravidão, pois lá tinha o que comer. Para o povo não bastou ser liberto por Deus, por isso, Deus os deu de comer o Maná. Este alimento que caia a cada dia, menos aos sábados, eram como que pequenos grãos, com os quais o povo hebreu se alimentou. Depois de Jesus ter alimentado o povo, quando multiplicou 5 pães e 2 peixes, conforme ouvimos no Evangelho do domingo passado, o povo ainda continuo seguindo Jesus. O povo não queria saber mais, queria comer mais. Não era o suficiente o que Jesus já tinha feito para eles, eles ainda queriam mais. Jesus tinha acabado, também, de realizar um sinal e antecipar a sua hora. Ainda sim, para aquele povo, o sinal não foi o suficiente e eles queriam ainda mais. Por isso, o Senhor Jesus se apresenta como pão da vida, como pão que sacia a fome e a sede que a humanidade tem. Precisamos deixar para trás o homem velho e a mulher velha, que eram famintos e insaciáveis e que, por isso, buscavam se saciar em tantas coisas e não em Deus. É em Deus que nos saciaremos. É no banquete Eucarístico que nos alimentamos do pão da vida eterna. Mas, em todas as experiências de Deus que fazemos nós nos deparamos com um sentimento de alegria imenso. Quando rezamos o santo terço, o breviário, as jaculatórias ou outras orações, diante do sacrário ou a Nossa Senhora e aos santos, nós sentimos paz pela oração que acabamos de fazer. Do mesmo modo, quando saciamos a fome e a sede dos que tem fome e sede, dos abandonados, quando vamos ao encontro dos sofredores, que sofrem de dores físicas ou psíquicas, nossa alma também se sente plena, pois neles nós nos encontramos com Deus. Nos encontramos com Deus em tantas realidades, mas, devemos aprender a percebe-lo e experimenta-lo. Dom Lindomar realizou essa experiência diversas vezes e de modo especial há seis anos, quando recebeu o barrete cardinalício. Desde lá, se empenhando para que os outros também faça essa experiência, deve ser tido pelos mais jovens como um exemplo de empenho e de fidelidade. Os arcebispos que hoje levam os seus pálios para serem impostos em suas arquidioceses devem favorecer lá uma cultura do encontro. O encontro deve se dar com os que estão afastados. Hoje, tive oportunidade de ler um comentário em uma rede social, onde o irmão dizia que o nosso erro como Igreja no Habbo Hotel foi nos esforçarmos tanto para chegarmos aos leigos. Me pergunto se vale a pena vivermos uma Igreja só de rosto, com muitos clérigos, sobretudo bispos e cardeais carreiristas e antissociais que não sabem fazer vida de comunidade. Por outro lado, não precisamos ser rosto que atraí os outros para Cristo? Aos que desejam uma análise de conjuntura sobre nossa situação atual, com poucos padres, eu respondo com simplicidade: desde o dia que descobrimos o que somos, nunca mais seremos os mesmos. Nós nos tornamos muito mais exigentes conosco mesmo e com os outros. Nós descobrimos para onde devemos ir e esse "onde" não é em busca só de clérigos a qualquer custo para encher uma "Igreja de Sacristia". A maturidade de nossa Igreja nos trouxe uma crise, pois os que não experimentaram Jesus querem sempre mais cargos e títulos e nunca mais ofícios e trabalhos. Se não fizermos a experiência de Deus no pouco que Ele nos dá e nos concede, jamais iremos realizar essa experiência no muito que ele está disposto a nos entregar. 

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