Irmãos, é sempre momento de passagem. Estamos celebrando, hoje, meus cinco meses de ministério petrino, as vésperas do dia em que deixo a Sé Apostólica. É um momento de muita alegria e ação de graças. Ação de graças pois Deus nos trouxe até aqui e agora, nos convida a passarmos o Jordão e iniciarmos uma nova fase em nossas vidas, como foi a experiência do povo de Deus que voltava para a terra prometida. O povo que passara quarenta anos no deserto, guiado por Moisés, agora tendo como líder Josué, revive a experiência do Êxodo. Outrora o mar vermelho se abrira e agora se abre o Jordão, para a passagem do povo de Deus e uma vida nova. E a Igreja vive constantemente esta passagem, esta renovação que deve acontecer. A renovação é em primeiro lugar interior, pois, se não nos renovamos interiormente e mudamos a nossa atitude, entrará papa e saíra papa e estaremos no mesmo lugar, imutáveis e alheios, como tantos foram ao longo destes cinco meses. Mas, sou grato a Deus por aqueles que comigo aderiram o projeto do Reino de Deus e colaboraram para que este acontecesse ao longo de todo este período de pontificado. Há cinco meses, na noite em que os cardeais me elegeram para sentar-me nesta cátedra romana, precisei escolher um nome para meu ministério. Escolhi Clemente. Acabara de ler as obras de São Clemente Romano, que tanto me inspiraram. Mas ao mesmo tempo, Clemente era um nome que representaria as minhas atitudes. Ser bondoso, acolhedor e suave fora meus objetivos. É claro que, em muitos momentos precisamos ser mais duros frente a algumas realidades, embora sempre abertos a reconciliação dos que nos procuraram. Foi assim que Jesus nos pediu para ser. A parábola que hoje ouvimos nos leva a compreender isso. Todos nós, pelo batismo, recebemos o perdão de Deus. Devemos, então, perdoar uns aos outros. Isso não quer dizer sermos bobos dos outros. Mas, quer dizer, sermos abertos a aventura que é amar mesmo aqueles que não podem estar junto de nós. Como Igreja, dou-vos este desafio: sejais clementes; não endureçais vosso coração nem a Deus e nem aos irmãos, pois, ao nos fecharmos, corremos o risco de perder o vínculo da comunhão, que nos faz Igreja. Louvemos a Deus por este ministério que há cinco meses iniciemos e peçamos que tudo que realizamos se transforme num grande sacrifício ao Pai. Assim seja! Amém.
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