Amados irmãos e irmãs, os quais saúdo no nome de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, que foi o presidente deste Congresso Internacional dos Sacerdotes, que estamos encerrando, e de Dom Francisco Assis, Bispo Diocesano de São Sebastião do Rio de Janeiro. Celebramos, hoje, a memória, e aqui elevada ao grau de solenidade, deste popular santo da Igreja: São Sebastião. Ressaltemos aqui a figura sacerdotal de São Sebastião. Mesmo sendo considerado diácono, o mártir Sebastião exerceu o seu sacerdócio batismal quando ofereceu a sua própria vida ao martírio. Nós conhecemos a história, e sabemos que este mártir, soldado do Império, poderia ter negado a fé e nada o teria acontecido. Por outro lado, Sebastião confirma sua fé em Jesus Cristo e oferece sua vida junto de Jesus, derramando seu próprio sangue. Oferecer a vida, derramar o sangue; são gestos tão próprios do Jesus Sacerdote, mas que os mártires imitaram e que nós também somos convidados a imitar em cada dia de nossas vidas. Quando celebra a Ceia, Jesus diz: "isto é o meu corpo, oferecido, entregue, por vós"; "isto é o meu sangue derramado por vós". São gestos simbólicos, mas que resumiram uma entrega toda real do Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, mas, não só isso, resumiram toda a vida doada de Jesus para realizar o projeto de amor do Pai todo-poderoso. Aqui um questionamento deveria arder em nosso coração: estou doando a minha vida para realizar o projeto de amor do Pai? Poderíamos até pensar que se doar e se desgastar neste nosso apostolado virtual é inútil. Mas, não é. Se não aprendemos, aqui, a sermos fiéis nas pequenas coisas, não seremos nas coisas maiores que Deus quer nos confiar fora daqui. Estamos numa grande escola de fé, de fidelidade, de doação. Claro que tudo isso não pode desconsiderar todas as realidades exteriores a ressa realidade virtual: nossa vida, família, amigos, trabalho, e atividades na Igreja na realidade. Ainda assim, é possível sacrificar-se para estar aqui tanto quanto possível. Se não fizermos esse sacrifício, o nosso sacerdócio é fajuto: nada oferecemos, nada sacrificamos, nenhum sangue derramamos; e aí, irmão queridos, não vale a pena estarmos aqui. Não podemos nunca perder de mente que esse sacrifício, que esse "estarmos aqui" deve, sim, ser prazeroso. Não pode ser um fardo suportado com dor, e se for assim é melhor deixarmos o ministério. Tem que ser bom para nós, tem que nos trazer alegria, amizades, uma estranha satisfação de quem sabe que não está perdendo tempo, mas que está gastando seu tempo em algo que lhe alegra o coração, que estranhamente lhe satisfaz. Olhemos ao exemplo de São Sebastião e aos de tantos mártires, de tantos pastores, de tantos santos e santas, e imitemos deles a satisfação, a alegria, o amor em fazerem-se sacrifício e oferta nas mãos do Senhor, na certeza de que Ele, Sumo e Eterno Sacerdote, nos faz sacerdotes para podermos oferecer a Deus a nossa própria vida como Dom de amor. Assim seja! Amém.
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