domingo, 22 de janeiro de 2023

22.01.2023 - III Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Tempo Comum, instituído pelo Santo Padre Francisco, como domingo da Palavra de Deus e iniciamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A liturgia deste domingo nos apresenta o Senhor Jesus, que logo após a morte de João Batista, sai de Jerusalém e vai para Cafarnaum, para a Galiléia dos pagões. Jesus sai do centro da fé e vai para a periferia social e existencial, onde sua Palavra poderia ser acolhida. Não dá, irmãos e irmãs, para acolher a Palavra de Deus, com "P" maiúsculo, quando já estamos crentes na nossa própria palavra, com "p" minúsculo. Em Jerusalém, Jesus não foi bem acolhido, pois os crentes já tinham uma palavra estática, que não permitia movimento, mudança, e que, portanto, permaneceu fechada à Revelação do Senhor. A Palavra de Deus não é estática; é dinâmica; foi proferida por Deus para ser fonte de vida, de renovação. Tanto que, qual é o anúncio feito por Jesus chegando em Cafarnaum? "Convertei-vos e crede no Evangelho.". Jesus chama à mudança de vida. Jesus chama o povo a sair das trevas, para ir para a luz, cumpre o que profetizou Isaías na primeira leitura. E ele é a grande luz para a qual todos nós caminhamos pressurosos. É a partir deste primeiro anúncio de Jesus que Ele vai chamar os apóstolos, para que também eles repitam este convite ao amor, para que sua mensagem se perpetuasse na história, através dos tempos. Quando envia os discípulos, Ele os envia para anunciar o Evangelho e batizar. Por isso, a vida do anúncio não pode se distanciar da vida dos sacramentos e nem vice-versa. Não vale nada nossos rituais, se não temos uma atitude evangelizadora. Do mesmo modo só pregar e não viver os sacramentos é mero proseletismo de um ideal, e não amor por uma pessoa, uma pessoa, Jesus Cristo, que vivemos e experimentamos nos sacramentos e na Palavra. Além disso, um último aspecto vale a pena ser ressaltado deste Evangelho: depois de chamar os discípulos para segui-lo, Jesus continua indo pelas sinagogas e curando. Ou seja, irmãos e irmãs, a formação dos apóstolos, a formação dos seguidores de Jesus é por meio da Palavra de Deus; acontece na sinagoga. O culto sinagogal, diferente do culto do Templo de Jerusalém, não girava entorno dos altares dos sacrifícios, mas, unicamente da mesa e dos rolos da Palavra de Deus. É neste ambiente que Jesus forma os seus. Irmãos e irmãs, devemos fazer uma experiência com a Palavra de Deus para nos convertermos e seguirmos os caminhos do Senhor, em toda a força do seu dinamismo. Então seremos capazes de viver a unidade a qual São Paulo interpelou a comunidade de Corínto. Unidade, esta, que devemos promover com os irmãos e irmãs separados, mas, unidade também entre nós e unidade com Cristo. Não basta, porém, que tenhamos uma experiência com a Palavra de Deus, que nos convertamos, que vivamos na unidade, é então preciso dar um passo além: é preciso nos tornarmos anunciadores da Palavra de Deus. Mas, sermos anunciadores da Palavra, nem sempre é falarmos. Uma tradição franciscana diz que certo dia o santo de Assis saiu com um dos seus freis para pregar o Evangelho; e eles caminharam por toda a cidade e voltaram para sua casa. Ao retornar, o frei pergunta ao santo porque eles não falaram nada, se saíram para pregar. São Francisco o respondeu: "Anuncie o Evangelho a todo o tempo, se necessário use palavras.". Irmãos e irmãs, nossa vida pode ser o único Evangelho, a unica fonte da Palavra de Deus que os outros lerão. E mais importante do que falarmos, é o nosso testemunho vivo que chama e conclama para Cristo. Como já dizia Bento XVI: "A Igreja cresce por atração e não por proseletismo.". Nos esforcemos, portanto, para sermos boca de Deus, vivenciadores e anunciadores de sua Palavra, que transforma e salva, pois para isso fomos chamados. Assim seja! Amém.

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