para essa tarde é: Mistério Pascal: Salvação, Aliança e Perpétua Memória. Um tema que tem tudo
a ver com a Eucaristia, neste Congresso Eucarístico e que merece que o exploremos um pouco.
Em primeiro lugar, convém que destrinchemos o tema. O que é Mistério Pascal? Alguém pode responder?
O Mistério Pascal é a vida de Cristo. Alguns focam o mistério Pascal apenas na paixão, morte
e ressurreição. Mas, eu sigo aqueles que não concordam com isso. Toda a vida de Cristo é pascal.
Toda a vida de nosso Senhor é uma passagem da morte para a vida. Num primeiro momento é
a passagem da morte dos reis magos, que conheceram o Salvador. Depois é passagem para Simeão
e para Ana. É passagem para tantos que estavam em situação de morte e por Ele foram curados,
em especial Lázaro. É passagem quando Ele passou da morte para a vida Eterna. E é passagem
quando Ele deu o Espírito de vida aos apóstolos. Por isso, todo o caminho de Cristo, desde a encarnação
até o Pentecostes, é o Mistério Pascal. E, por que este Mistério Pascal precisou ocorrer? Pois pecamos.
Irmãos, precisamos voltar ao livro do gênesis. Quando Deus criou o homem e a mulher e só os
deu uma ordem - a de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal - e Adão
e Eva comeram, estabeleceu-se no mundo o pecado. Perdemos o Paraíso pelo pecado de Adão
e de Eva. Este pecado original é o da desobediência. Não tem nada a ver com questões de outras
naturezas. Não! O pecado original é a desobediência. Por isso, na Sexta-Feira Santa cantamos:
SALVE CRISTO OBEDIENTE! Pois o pecado original é a desobediência. Então, passaram os anos
e Deus foi dando pequenas salvações. Deus foi dando e construindo com seu povo uma História
da Salvação. Esta Salvação foi dada a Noé e a sua família. E se firmou como promessa em Abraão.
Deus fez aliança com Abraão. E que aliança é essa? "Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo".
Esta aliança não parece nada, mas é muito. Ela quer dizer que Deus será o adorado por aquele
povo, pelos filhos de Abraão. E, se eles o adorarem, Deus cuidará deles como o seu povo. Lembrem-se,
que na época de Abraão se acreditava em muitos deuses. Mas, a partir deste momento, surge
o monoteísmo, a crença em um só Deus. E Abraão ainda não acredita em Deus como criador.
A crença em Deus, neste momento, é uma crença num Deus GOEL. Goel é uma palavra que significa
"vingador". Quando acontecia algum crime, pela lei de talião, o criminoso devia sofrer a mesma
coisa. Por exemplo: Se Snaif me cortar a perna, eu posso cortar a perna dele. Mas, há casos, onde
a pessoa que sofreu a injustiça não pode revidar. Por exemplo: Se Snaif me cortar os dois braços,
como eu vou cortar os dois braços Dele? Ou, se ele me tirar a vida, como eu tirarei a vida dele?
É então que entra o Goel. O Goel é aquele que fará a minha vingança em meu nome. E a primeira
crença do povo em Deus é a crença neste vingador. Um Deus que os protegeria dos inimigos e que
os vingaria se fosse necessário. É assim que surge a Aliança. A Aliança surge como uma fidelidade
entre Deus e seu povo. Este adorará a Deus. E Deus vai cuidar do seu povo. Pois bem, o problema
está que o povo quebrou esta aliança. O povo quebrou a aliança adorando outros deuses. Quebrou
a aliança quando se aliou a outros líderes que eram contrários ao Senhor. Os reis de Israel, em
muitos momentos romperam com a Aliança e Deus os tirou do trono. Isso tudo porque a Aliança
tinha sido firmada com o sangue. Quando Abraão e Deus passaram no meio dos animais mortos,
eles firmaram uma aliança em cima do sangue daqueles animais. Era um pacto de sangue. Quem
rompe com a Aliança, pagará pelo sangue dos animais. E o povo viveu continuamente rompendo
e voltando com a Aliança. Mas, todas as vezes, eles pagaram o preço. Uma das provas disso é o
exílio da Babilônia. O povo foi se aliando a governantes que não seguiam o caminho do Senhor.
Deus desagradou-se, e a consequência foi Ele permitir o povo ir para o cativeiro. E lá, no cativeiro,
o povo sentiu a ausência de Deus, a ausência da aliança. Lá eles viram e reconheceram o seu erro.
É neste contexto que vão surgir profetas e belos salmos, animando o povo para o retorno a Terra
Prometida, que o povo reconheceu ter perdido por ter desonrado o Senhor. E, quando voltou a Israel,
o povo de Deus precisou lidar com os Samaritanos, que haviam permitido misturar sua cultura
com a fé em outros deuses. É por isso que há uma forte briga entre judeus e samaritanos. Não por
maldade dos judeus, mas, por eles saberem a consequência de não servirem o Senhor Deus. Mas,
mesmo após tudo isso, a Aliança continuou sendo rompida e Deus sempre foi em busca de restaurar
essa mesma aliança. Então, surge no mundo o Cristo Jesus, nosso Senhor. Se a humanidade estava
perdida nas trevas do pecado e da morte, surge uma esperança. Chega o momento da Salvação.
Com toda a sua vida, e, de modo especial na paixão, morte e ressurreição, Cristo nos garantiu
a Salvação. Esta salvação é firmada na Nova e Eterna Aliança. Por isso, Salvação, Aliança e Perpétua
Memória estão completamente unidas. Quando na Ceia, Jesus entrega corpo e sangue liturgicamente,
e na cruz entrega fisicamente, Ele estabeleceu uma nova e Eterna Aliança. Não mais o sangue
dos animais seria usado para marcar a Aliança. E qual é essa nova aliança? A salvação. É a promessa
de que todo aquele que participar da Perpétua Memória, do perpétuo memorial, do Corpo e Sangue,
celebrado nos altares do mundo, fará parte da Aliança, será salvo. Assim, irmãos e irmãs, quando
nós comungamos, é como se fizéssemos a experiência de Abraão. É como se passássemos no meio
dos animais com Deus e firmássemos com Ele uma Aliança. Mas, no fundo, no fundo, é ainda
mais. Nós passamos pela Cruz do Sangue do Cordeiro de Deus, e recebemos a Salvação. Eu gosto
muito da comparação da cruz com o Êxodo do Egito. Deus institui uma perpétua memória que é
a celebração pascal. O povo era escravo do Faraó no Egito, mas Deus tirou seu povo de lá.
Essa Ceia que os judeus até hoje celebram, na verdade, prefigurava Jesus Cristo. Cristo é esse cordeiro,
sem defeito, sem mancha, que devia ser imolado. O sangue do cordeiro devia ser passado no batente
das portas para que o anjo exterminador não matasse os primogênitos que habitassem naquela
casa. Do mesmo modo o sangue de Cristo que vai ser derramado na cruz é o que nos poupa da
morte eterna. Por isso, irmãos, Jesus manda seus discípulos fazerem uma Ceia para eles comemorarem
a Páscoa. Mas, essa comemoração pascal de Jesus se dá um dia antes do dia que se devia celebrar a
Páscoa. Isso porque chegou o tempo de uma nova Páscoa. Uma Páscoa que precedia em importância
a primeira Páscoa, era o momento da passagem do Filho do Homem. Jesus rasga o pão, imaginem
a cena, como um sinal que ele próprio vai se rasgar. Ele próprio vai se partir, vai ter seu lado rasgado,
para nos dar de comer. Quando Jesus rasga o pão ele nos deixa o sinal que une os dois momentos.
Então ele diz aos apóstolos: Isso é meu corpo, isso é meu sangue, dado por vós. Pronto, está instituída
a Eucaristia. Quando ele faz isso, ele sabe que não poderia mais voltar atrás. Já estava feito. Ele
já tinha se entregado desde o começo, a cada gota de suor derramada nos caminhos, mas, agora,
sua entrega tinha se levado até o extremo. Ele já se deu na Eucaristia. Jesus quis permanecer
conosco, e por isso Ele deixa seu Corpo e Sangue. Nós aqui celebramos a memória deste evento
a cada celebração. Mas cremos, que no Santíssimo Sacramento, Jesus está realmente presente.
Ali ele instituiu uma nova e eterna aliança. Que aliança? Deus ser nosso Deus e nós sermos o seu povo.
A Aliança é a mesma, só que agora é nova. Uma aliança agora firmada eternamente. Não mais o
nosso sangue vai ser usado na aliança. Apenas um sangue vai firmar essa aliança. É o sangue de Cristo.
Quando nós rompermos a Aliança, não vai ser o nosso sangue que vai pagar os nossos crimes.
É o Sangue de Cristo, derramado uma vez por todas que vai reafirmar a Aliança, que vai nos Reconciliar,
com o Pai e nos colocar de volta na Aliança. Essa Aliança nos garante a Salvação. Essa Aliança
nos garante o Reino dos Céus. Essa Aliança vai se mostrar esplendorosa com a Ressurreição do
Senhor, que nos apresenta que nós também ressuscitaremos. Passaremos todos deste mundo
para o Pai. Seremos todos vitoriosos pelo Sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Isso, pois, em Cristo, a humanidade encontra a nova Criação. Sim, a criação do homem no sexto
dia conclui a obra da criação, e Deus descansa no sétimo dia. Mas agora, agora chegou o oitavodia. Chegou o dia sem fim. Chegou o dia de Cristo. Dia de tal luz que não conhece fim. Na Vigília
Pascal nós celebramos essa vitória eterna re-afirmamos nosso batismo. Nosso batismo nos marcou
como membros do povo de Deus, povo da Aliança. E a Eucaristia nos dá a graça de, na perpétua
memória, participarmos da Páscoa de Cristo. Bebemos, ali, seu sangue. Comemos ali, seu corpo.
Deste modo, participamos da Páscoa a cada missa, como povo da Aliança, Salvos e Libertos pelo
Senhor, celebrando a perpétua memória que é a Eucaristia, até o dia em que nossos olhos se fecharem
para este mundo. Neste dia, irmãos e irmãs, viveremos plenamente o que experimentamos aqui
na Terra, adoraremos o Cordeiro, seremos felizes eternamente, no local que esperançosos desejamos.
Deste modo, espero que essa catequese tenha feito seu coração arder do desejo de estar em comunhão
constante com o Senhor, compreendendo que você é membro do povo de Deus, do povo da Aliança,
que foi comprado pelo Sangue do Senhor, que você comunga na Eucaristia e assim recebe a Salvação.
Amém.
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