domingo, 12 de julho de 2020

12.07.2020 - XV Domingo do Tempo Comum

Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro nesse XV Domingo do Tempo Comum.
Hoje a Palavra de Deus fala sobre a Ela própria. No tempo do exílio, o povo que havia recebido a 
promessa da libertação, aguardava, mas começou a desanimar e questionar-se sobre a veracidade
da Palavra em sua vida. O povo se sentiu abandonado por Deus no exílio. Então o segundo Isaías,
recorda ao povo que Deus é fiel, que Deus é cumpridor de sua Palavra. Ele não se esquecerá do
que prometeu ao seu povo. Sua palavra é viva, eficaz, libertadora e geradora de vida. A Palavra 
é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Assim, Isaías, usando a dinâmica da chuva,
anima ao povo exilado nos seus sofrimentos, com a força do Senhor. É Deus que passa e não deixa
de fortalecer o seu povo. Por isso a Palavra é como chuva que passa mas que não volta aos céus
sem fazer o que devia. E o que a Palavra devia? Tocar o coração humano. Sim, se o povo exilado,
desanimado e descrente na Palavra, confiasse em Deus, permitisse Deus tocar seus corações pela
boca dos profetas, o povo não desconfiaria, mas, se encheria de esperança no Senhor. Pois Ele não
deixaria seu povo abandonado a sua própria sorte e em suas dificuldades, mas estava ali para 
ser sua esperança e libertação! Por isso, irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deve tocar os nossos
corações. É deste modo que Jesus, no Evangelho, conta-nos a parábola do semeador. Cristo é o semeador.
A semente é a Palavra. O terreno é o nosso coração. O problema não está, em nenhum momento
nem no semeador e nem na semente, mas, está no terreno. Muitas vezes o nosso coração não está 
pronto para acolher a Palavra de Deus. Por isso, nos cabe hoje o questionamento: Como está
o meu
coração para acolher a Palavra de Deus? Como vem sido a minha resposta a Palavra na vida? 
Muitas vezes o nosso coração está endurecido a escuta da Palavra. As vezes estamos na Eucaristia,
nos sacramentos, e fechamos o nosso coração a Palavra de Deus. Pensamos: Esta Palavra é para
outro. NÃO! A Palavra é para cada um. Se pensamos que já conhecemos aquele trecho lido na 
Missa e não prestamos atenção, estamos nos fechando a vida que a Palavra trás. A Palavra do Senhor
é viva e eficaz, é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Mas, só corta, só penetra o nosso
ser se nós o permitirmos. A Palavra corta o nosso orgulho e indiferença, penetra a nossa existência
e nos faz existirmos em Deus. Mas, se nós achamos que a Palavra de Deus não tem nada a nos dizer,
não tem nenhuma novidade a nos trazer, se nos fechamos a uma experiência verdadeira da Palavra
nunca iremos ser transformados. Ficaremos fechados em nosso orgulho e iremos ignorar o Senhor
que fala ao íntimo dos nossos corações pela sua Palavra. Se não somos tocados pela Palavra, tão pouco
seremos tocados pela Eucaristia. Se nosso coração não acolhe a Palavra, comeremos o Corpo de
Cristo, mas não faremos comunhão com Cristo. Seremos como cães a mesa. Comeremos, mas não
nos alimentaremos. Como cavalos batizados, ouviremos, mas não terá efeito. Outro problema 
é quando não há raiz. Na primeira dificuldade da fé, que foi criada apenas num sentimento, eu 
desisto. Ou então, Jesus já explicou, eu crio espinhos e sufoco a Palavra. É quando o meu pecado
fecha o meu coração. Eu quero acolher a Palavra. Mas o meu pecado não permite que essa Palavra
produza frutos, pois ela sufoca a semente. Mas, há o coração que acolhe a Palavra e gera frutos.
Há o coração que acolhendo a Palavra de Deus faz a transformação desta terra, em Reino de Deus.
É o coração que transformou sua vida e que transforma a vida de todos aqueles que estão em sua 
vida. Pois a Palavra de Deus, a qual precisamos crer, Ela nos faz esperar e transformar. É na esperança,
na transformação, que no dia a dia nós vamos gerando frutos, nós vamos fazendo com que o Reino
de Deus se estabeleça. É isso que São Paulo pede na carta. Se toda a criação geme, sofre, que façamos
a nossa conversão pessoal, comunitária e mundial ao Senhor. Assim transformaremos não apenas 
a nós mesmos, mas a todo o mundo. É essa a ação do Espírito que quer ser libertado. É o Espírito
Santo que move a Palavra dos nossos ouvidos ao nosso coração. Mas Ele precisa ser libertado
por nós, para que Ele nos liberte de nós mesmos, do nosso orgulho e indiferença frente a Palavra 
de Deus e ao mundo. Para encerrar, irmãos e irmãs, celebrando a Palavra de Deus e o banquete
da vida, permitamos que a Palavra se enraíze em nosso coração. Sim, pois tudo depende da Palavra.
A própria Eucaristia acontece pela força da Palavra. Então permita que a Palavra fecunde seu coração.
Que todo nosso ser seja aberto e atento a Palavra do Senhor, pois Ele quer fazer uma grande obra
em nossa vida. E, sim, ele fará essa grande obra: com nosso auxílio, Ele nos salvará!

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