Amados irmãos e irmãs, a Liturgia deste décimo oitavo domingo do Tempo Comum nos insere na dinâmica da partilha dos bens. O livro do Eclesiastes, na Primeira Leitura, nos fala sobre a vaidade, aqui causada pela posse dos bens. Possuir bens pode ser um grande bem para a pessoa, mas também pode ser um grande mal. Tudo depende de como lidamos com os bens que possuímos. É nesta dinâmica que Jesus conta a parábola do homem rico no Evangelho. Àquele homem possui muito, em excesso, e quer reservar tudo para si. Contudo, naquela mesma noite o homem morreria. E então, que havia feito ele de bom para os outros? Nada. Teria deixado a herança para os seus apenas. Mas, e seu cuidado para com a sociedade, para com os sofredores, para com os pobres, onde ficou? Irmãos e irmãs, sabemos e é comprovado: há, no mundo, capital suficiente, bens de consumo suficiente, alimentos suficientes para exterminar a fome e dar dignidade a todas as pessoas do mundo. O que falta, então? Uma justa distribuição dos bens. A Doutrina Social da Igreja desde o pontificado de Leão XIII já tem como um dos seus princípios a "destinação universal dos bens". Isso quer dizer que, como Deus criou a terra para o uso de todos os homens e mulheres, não é legítimo que ninguém seja possuidor de bens além de suas necessidades e satisfação de suas necessidades e prazeres "bons" enquanto os outros estão morrendo de fome, sofrendo sem receber a mínima dignidade que lhes é de direito. Por isso que São Paulo, na Segunda Leitura, nos fala que quem ressuscitou em Cristo precisa buscar as coisas do alto e não as coisas deste mundo. Por que as coisas deste mundo não são boas? Não, pelo contrário: pois os bens terrestres só fazem sentido se são revertidas para o cuidado com as coisas do alto. O homem novo é o homem que sabe usar do que é próprio deste nosso mundo para prover o necessário para os irmãos e irmãs, dando-lhes dignidade, e sabe não se apegar ciosamente as coisas e até mesmo as pessoas. Se amamos alguém mais do que amamos a Deus, por exemplo, temos uma relação do homem velho, isto é, do homem do pecado. Se nos apegamos a dinheiro, aos bens materiais, e não sabemos dele partilhar, estamos sendo como o homem velho. Ao nos renovarmos em Cristo, constantemente, nos tornamos capazes de experimentar o seu amor e criarmos em nós novas atitudes, que não se fecham em nós mesmos, mas, que se desprende de nós para doar-se. O homem vaidoso, avarento, é o homem que não consegue se doar, se por a serviço, exercer qualquer tipo de ministério. Mesmo que dê esmola, não faz caridade, pois o faz simplesmente por obrigação. Quem experimenta a Cristo e se renova nele, desprende-se de tal modo de si mesmo, que ao doar algo, doa-se. E este doar-se é quase que arrancar de si o coração, dar ao outro e dizer: como Jesus Cristo deu-se por mim, eu me dou a ti. Assim seja em nossa vida. Amém!
Nenhum comentário:
Postar um comentário