segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

07.12.2020 - Abertura da Porta Santa BSJPII

Ave, do mar Estrela, De Deus mãe bela, sempre virgem, da morada, celeste feliz entrada.
Beatíssimo Pai, Bento, e veneráveis irmãos no sacramento da ordem, amados irmãos e irmãs,
Estamos abrindo a Porta Santa de nossa basílica, celebrando as primeiras vésperas da Solenidade da
Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A liturgia desta solenidade com beleza nos leva a um percurso
pela história da salvação. Num primeiro momento vemos Eva, que conhece o pecado. Eva, mãe de 
todos os viventes, e seu marido Adão, desobedecem a Deus. Adão até tenta justificar seu erro e jogar
a culpa toda em Eva. Mas, sabemos que a culpa recaí sobre os dois. Adão e Eva são os pais da humanidade,
e os primeiros pecadores. Seu pecado? Nenhum pecado de cunho moral como muitos costumam dizer.
Seu pecado foi a desobediência. Eles simplesmente não podiam comer do fruto da árvore e comeram.
Foi o desrespeito a vontade de Deus que fez com que eles rompessem a relação com o Pai. Ao longo
de toda a história da salvação o Pai foi oferecendo a aliança aos homens e as mulheres e os intruiu
nos caminhos da salvação. Mas, foi na obediência de uma mulher, que Deus encontrou o meio de salvar
a humanidade caída no pecado e na morte. Não que por sua obediência seríamos salvos. Mas, por ela,
nos viria o salvador, o supremo obediente, que se faria obediente até a morte e morte de Cruz. Vejam,
irmãos, o fato de Maria ter sido preservada da mancha do pecado original desde sua concepção
em Santa Ana, o que cremos dogmaticamente, garantiu-nos uma mulher que não poderia ser desobediente.
Pois, se a desobediência, como vimos, é consequência do pecado, ela não conseguiria ser desobediente.
Pelo contrário, Maria responde ao anjo Gabriel, no Evangelho que ouvimos: Eis aqui a escrava do Senhor.
E, ao aceitar a missão de ser mãe do Salvador, com perfeita obediência, Maria nos dá o Redentor.
O Cristo, por sua vez, nascido de Maria, morto e ressuscitado, nos garante aquilo que São Paulo diz
na segunda leitura, na carta aos Efésios: Sermos santos e irrepreensíveis pelo amor. A santidade,
irmãos e irmãs, é conquistada pelo amor. Amor a Deus e amor aos irmãos. Amor que nos impulsiona
a deixarmos a desobediência e abraçarmos os planos e projetos de Deus para nós. Nem sempre 
esses planos são os mais fáceis. Porém, são os planos Dele que nos garantirão verdadeira felicidade.
Irmãos e irmãs, abrimos hoje a Porta Santa desta basílica, neste ano Jubilar. Mas, devemos abrir mais.
Devemos abrir o nosso próprio coração aos planos de Deus. Devemos abrir nosso ser a ação de Deus.
Ele não vai nos decepcionar. Pelo contrário, nos garantirá uma alegria que nem nós mesmos e nem
ninguém mais nos garante. Longe de Deus o nosso coração se angustia em buscá-lo. Isso é natural.
Somos homus religiosus. Isto é, buscamos naturalmente a religião. O nosso coração anseia e desfalece
por se unir ao coração do nosso Supremo Amor. E é a santidade que une nosso coração ao de Deus.
Que possamos, na alegria desse jubileu que celebramos, elevar para Deus os nossos corações e nos
unirmos plenamente a Ele. Assim, mesmo que não sejamos imaculados, imitaremos a Imaculada.
Desse modo, a obediência e o amor vão formar e gerar Cristo em nós. E nosso coração, tão estritamente
unido ao Sacratíssimo Coração de Jesus, poderá nos fazer servidores e construtores do Reino de Deus,
do povo Sacerdotal neste orbe habbiano. Amém.

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