Caríssimos irmãos em Cristo, a liturgia de hoje nos propõe refletirmos
sobre o início do tempo da
graça de Deus. A bênção comunicada por Deus na
primeira leitura, ao povo de Israel quando peregrinava
do Egito à terra
prometida, foi-lhes sinal da presença poderosa do Senhor dos exércitos. A
bênção
era valiosa para aquele povo. A bênção fora, antes, comunicada a Abraão,
Isaac e Jacó, nossos patriarcas.
Jacó até roubou a bênção de seu irmão. A
bênção é a própria mão do Senhor, do Adonai, que toca
o seu povo. E bênção
maior ainda foi quando Deus não só tocou o seu povo, mas se fez presente
em sua
história pela encarnação do Cristo. Por isso, São Paulo nos recordou que a
bênção, a graça
de Deus chegou a nós pelo Filho, que nos fez filhos. Em Cristo
fomos feitos filhos de Deus, recebemos
a filiação adotiva. Nos tornamos eternos
herdeiros da bênção e da graça de Deus. E, para que isso
acontecesse, São Paulo
destaca, o Filho nasceu de uma mulher. Nasceu sujeito a lei, isto é, com as
mesmas obrigações incumbidas ao homem por sua natureza. Santo Atanásio afirma
que ao se unir
com o Verbo de Deus, o corpo humano teve um engrandecimento sem
par: “de mortal tornou-se
imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno,
transpôs as portas do céu”. Isso porque Jesus
nasceu de uma mulher, Maria
Santíssima. E estamos no oitavo dia depois do seu nascimento, celebrando
o dia
da circuncisão de Jesus. Neste dia, Jesus recebeu o seu nome: Yeshua, Deus
Salva, memória
que celebraremos em alguns dias. E o santo Evangelho nos destacou
que Maria guardou em seu
coração todos os acontecimentos do nascimento de Jesus
e os meditava. Maria compreendia o tamanho
da missão de seu Filho e foi fiel
colaboradora dele. Ela sabia que não era mãe de um profeta, dela
nasceu a
segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. Ele, gerado antes dos tempos,
não criado
pelo
Pai, mas, gerado na mesma substância do Pai, assumiu a condição
humana em Maria. Dentro de Maria,
Deus se fez homem, não apenas Jesus humano
saiu dela, o próprio Deus habitou em Maria. Ela
se tornou Theotokos, portadora
de Deus, o primeiro dos dogmas sobre Maria. E, retornando a reflexão
de Santo
Atanásio, vemos que o anjo Gabriel, com que prudência e sabedoria, já anunciara
Jesus
a Maria; “não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não
se julgar que se tratava
de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti,
para se acreditar que o fruto desta concepção
procedia realmente de Maria”. Deste
modo, continua o santo bispo, “mesmo tendo o Verbo tomado
um corpo no seio da
Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição.
É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja
proclama um
único Deus no Pai e no Verbo”. Este é o grande mistério da
solenidade de hoje. Por isso, exaltando
Maria no término deste ano de 2020, entrando
no ano de 2021, pedimos a ela, que do mesmo modo
que Deus cumulou nela todas as
graças para fazer dela a Mãe de Deus, Ele possa cumular todas
as bênçãos em sua
Santa Igreja e fazer de nós verdadeiros portadores e anunciadores da Salvação
que Cristo veio comunicar a nossa humanidade.
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