Digníssimo Dom Jean Silva, arcebispo eleito de Aparecida.
Digníssimo Dom Gregório Cardeal Magnus, núncio apostólico.
Digníssimo Mons. Lucas Beni, em nome do qual saúdo todos os concelebrantes aqui presentes.
Irmãos e irmãs, estamos celebrando Nossa Senhora Auxiliadora, solenidade aqui nesta Basílica e, numa coincidência deste ano, a memória de Maria, Mãe da Igreja. Esse último titulo, de Mãe da Igreja, já aparecera com Santo Ambrósio de Milão, mas volta a aparecer no Concílio Vaticano II, com São Paulo VI. Nos tempos do Concílio, havia uma discussão se Maria devia ser colocada no mesmo documento que falava sobre a Igreja ou se deveriam criar um documento só sobre ela. Então, sabiamente, o Concílio, na constituição Lumen Gentium, que fala sobre a Igreja, cria um capítulo unicamente para a Virgem Maria, pois, ela é membro da Igreja. E já fora assim na Igreja nascente. São João, colocando Maria aos pés da cruz, confere a ela um lugar privilegiado que ninguém, na época de Jesus, poderia ocupar: estar próximo a um condenado. Mas, São João não faz isso sem motivo, faz para que quando Jesus soprar o seu Espírito, ele recaia primeiro sobre Maria. Maria já era cheia do Espírito Santo pela concepção, mas, agora, recebia novamente o Espírito para ser Mãe da Igreja. Essa Igreja que brota do lado aberto do seu Senhor e que nasce no Pentecostes, recebe Maria como Mãe. Os discípulos deviam ter Maria próxima deles com grande carinho. Deviam sentar-se aos seus pés, pedindo para ouvir histórias sobre Jesus, pedindo para ela rezar com eles. Ela é Mãe da Igreja, e como Mãe não é alheia a vida dessa Igreja. Por isso, ela também é auxílio dos cristãos. Mesmo antes de São Pio V inserir este título na ladainha, Maria já era o auxílio dos cristãos. Foi auxílio da Igreja nascente e foi auxílio em cada momento. Em todas as aparições Marianas, ela não aparece em vão. Ela aparece para ser Mãe, e aparece para ser auxílio. Ela vem para nos ajudar nas dificuldades, nas confusões que os tempos propõem, e não deixa de ser presente na história de seus filhos. Não só foi auxílio em batalhas humanas, mas é auxílio nas batalhas espirituais. Depois dos nomes de Deus, é ao nome de Maria que o demônio mais teme, pois ela não conheceu a desobediência. Por fim, não podemos nos esquecer do que disse São João Bosco, há quase 160 anos atrás, mas que continua tão atual: "vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã". Que a Mãe da Igreja nos seja auxílio nas batalhas humanas e também na defesa da nossa verdadeira fé, da Igreja e da dignidade da pessoa humana. Que ela continue sendo auxílio de toda a Igreja que sofre, de modo especial pelos cristãos da China e todo aquele país, que nas garras de poderes autoritários ainda não permitem que o reino de Deus se faça presente. Amém.
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