Irmãos, neste domingo somos colocados diante do inexplicável mistério da Santíssima Trindade. Nós temos como fundamento de nossa fé a noção de que Deus é um. Desde Abraão, nosso Pai na fé, surge a concepção de que há um único Deus. Até aquele momento, os povos acreditam em diversos deuses e não tinham o conhecimento do Deus único e verdadeiro, logo, não existia o monoteísmo. Mas, a revelação de Deus para Abraão já era trinitária. Quando Abraão estava sob o carvalho de mambré, foram três homens que apareceram a ele, três pessoas. Ainda sim, Abraão compreende a unicidade de Deus e o povo hebreu vai sempre repetir: "Shema Israel, Adonai Elohenu, Adonai Echad.", isto é, "Ouve ó Israel, o Senhor é o teu Deus, um é o Senhor." Acontece, assim, um constante recordar-se que Deus é um só, e é o Senhor daquele povo. Moisés, ouvimos no Deuteronômio, recordava também ao povo que não haviam outros deuses, há um único Deus, o Senhor de Israel, o El Shaddai, Senhor dos Exércitos. Para o povo eleito, ter um Deus para chamar de seu era uma grande honra. Enquanto os povos possuíam diversos deuses, Israel tinha um Deus que era mais forte do que todos os outros deuses. Por isso, era necessário gravar nos corações as leis desse Senhor, para seguir seus passos, cumprir sua vontade, e estar em comunhão com Ele. E toda a História da Salvação vai se desenvolver como uma história de busca e comunhão do povo com seu Deus. Com Jesus Cristo, porém, nos chegará a Revelação de que Deus é trindade. Não são três deuses, é um único Deus. Não é, porém, uma única pessoa, são três: Pai, Filho e Espírito Santo. Onde há a ação do Pai, há a ação do Filho e do Espírito. Apesar disso, não se confundem nunca as pessoas. É diante desse inexplicável mistério que Cristo nos coloca. Não nos põe, porém, para confundir-nos, mas, para que façamos parte da comunhão dessa Trindade. Não seremos, nunca, deuses. Porém, fomos criador a imagem e semelhança da Trindade, capazes da comunhão, capazes de sermos glorificados por Deus. Pelo batismo, já temos o Espírito Santo que nos faz participar da comunhão com Deus. Jesus Cristo, a ação do Espírito Santo, nos fazem chamarmos a Deus de Abá, "meu pai". Temos a possibilidade de uma relação de intimidade com Deus. O batismo nos fez filhos e filhas de Deus, irmãos de Jesus Cristo, participantes na herança, nos dons de Deus. Originalmente na Igreja, se batizava tanto "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" como "em nome do Senhor Jesus", pois se considerava que no nome do Senhor já se inseria a pessoa em todo o mistério trinitário. Mas, essa fórmula caiu em desuso, e permaneceu aquela que até hoje fazemos: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Irmãos, pela nossa filiação na Trindade santíssima, podemos confiar que este mistério de comunhão nos permite participar do amor de Deus e fazermos comunhão com os irmãos, Isto porque, na comunidade dos batizados somos muitos, mas somos uma só Igreja, um só povo, reunido na Santíssima Trindade.
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