Beatíssimo Pai, Paulo IV,
Digníssimo Monsenhor Geraldo Agnelo, que hoje toma posse como Custódio para a Terra Santa,
Amados irmãos e irmãs,
Nós estamos celebrando o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. Este dia que a Igreja antecipa
o dia da Paixão do Senhor e, curiosamente, a celebra no dia da ressurreição. Esta junção do dia
da Paixão com o dia da Ressurreição se dá, em primeiro lugar, por um motivo prático: Para que
aqueles que não poderão na Sexta-Feira participar da leitura do Evangelho da Paixão, experimentem
o sabor, a profundidade do mistério da morte do Senhor. Mas, também, vejo nisso um sentido
bonito. Celebrar estes dois eventos neste mesmo dia nos leva a recordar que a vida do Cristo não
acaba com sua morte. Mas, passando pela morte, ele é capaz de vencê-la. A morte foi vencida
pelo Senhor da vida. Assim, irmãos e irmãs caríssimos, estamos nesse lugar privilegiado onde
todos esses eventos ocorreram, para celebrarmos tão grandes mistérios. Aqui, esse Cristo foi elevado
pelo Pai, ressuscitado dentre os mortos. Mas antes, o Cristo precisou fazer sua Kenonis, seu rebaixamento,
como nos disse São Paulo na segunda leitura. Jesus precisou fazer-se Servo e servo obediente
até a morte e morte de Cruz. Ele aceita a cruz por obediência. Podia sacudir-se e sair da cruz como
num pulo, mas não, ele abraça livremente a paixão. Na cruz, o nosso Mestre abraçou a humanidade
toda. Sua paixão abraça toda a humanidade. Para Jesus não foi o suficiente rebaixar-se na encarnação,
não foi o suficiente Deus se fazer homem. Deus precisou se fazer nada. Sendo Deus ele precisou
ser obediente. Sendo tão poderoso quanto o Pai, Cristo se submete a vontade do Pai, para cumprir
o desejo de toda a Trindade, de que nós vivamos em união com Ela.
A primeira leitura, por sua vez, nos apresenta o terceiro cântico do servo sofredor. O cântico apresenta
o modo como este servo era justo. E, mesmo sendo justo, deixa-se ser humilhado. É um servo
obediente. Irmãos e irmãs, esse servo se cumpre em Cristo Jesus, nosso Senhor! É Jesus esse
homem que se confia inteiramente e se abandona completamente nas mãos do Pai. Oxalá também
nós fossemos capazes de nos abandonar. Quiséramos nós também nos entregarmos completamente,
dizermos: Senhor, faça de nós aquilo que quiseres. Mas, não somos capazes disso, pois somos
fracos, muito fracos. Nós ainda não somos capazes de nos abandonar nas mãos do Senhor para
que Ele faça conosco aquilo que quiser. Não podemos, enquanto não fizermos isso, chamar a Deus
de Pai. A criança não tem medo de que o pai a jogue para cima, pois sabe que o pai vai segurá-la.
Nós precisamos fazer essa mesma experiência com Deus: Confiarmos nele cegamente, e ele NÃO vai
nos decepcionar.
Assim, irmãos, olho convosco para estes dois momentos da vida do Cristo que contemplamos hoje:
A gloriosa entrada e a derrota da cruz.
Cristo entra pela porta principal de Jerusalém, sabendo que vai encarar a morte. Ele sabe que não
vai sair de Jerusalém antes de experimentar a dor e o sofrimento da morte. Ainda sim, ele entra,
e é acolhido como um Rei. Todos vão para aclamar Jesus! Eles balançam os ramos e jogam seus mantos,
acolhem Jesus do modo como acolhiam um verdadeiro rei para Israel. Infelizmente, muitos ali
estão por mero fogo de palha. Logo eles mandarão crucificar Jesus, nem se lembrando daquela
entrada gloriosa. Os ramos são abandonados. Os alegres gritos que proclamavam Jesus Rei, mudam
para "Crucifica-o". Jesus é abandonado para morrer como um malfeitor. Logo ele, que era o Rei
de Israel, precisou morrer pelo medo dos poderosos. Pôncio Pilatos sabia que aquele homem era
diferente. Ele quer libertar Jesus. Sua mulher o avisa. Ele vê que a situação que ele vivia era diferente
de qualquer outra antes experimentada. Mas isso não faz diferença. Ele, por medo de perder seu
poder, entrega Jesus a morte. Porém, da boca de um pagão o Pai tira a profissão de fé para o seu
Cristo, seu ungido: Na verdade, este homem era o filho de Deus.
Hoje, irmãos e irmãs, vemos o Cristo nessas duas dimensões: O Rei e o Crucificado. E essas duas
dimensões se unem, pois o trono de Cristo é a árvore da cruz. Que nossas palmas o saúdem como
Rei, mas que também os nossos corações o acolham como Rei e esta palma que levaremos para
nossas casas se torne a PALMA DA VITÓRIA. Vitória pois nós estamos ao lado do Senhor. Vitória
pois ao longo de toda essa semana nós não o abandonaremos e nem no resto das nossas vidas,
pois Ele é o nosso Rei, ele reina em nossas vidas, por suas chagas nós fomos curados. E acima
de tudo, PALMA DA VITÓRIA, pois Ele venceu por nós. Amém.
Querido Monsenhor Geraldo Agnelo, hoje a Igreja te confia a Custódia para a Terra Santa, pode
até parecer um trabalho sem sentido, basicamente celebrar nesta igreja e nas outras que vierem,
mas saibas, aqui o senhor tem a obrigação de todos sentirem e viverem essa vitória do Senhor
ressuscitado. Aqui o senhor deve celebrar os sacramentos com grande fé e amor, pois aqui nos
recordamos o grande sentido da nossa fé. Aqui, essa semana, o senhor irá presidir a Missa da
Ceia do Senhor e a Celebração da Paixão, pois este lugar tão importante da nossa fé merece esses
ritos com dignidade, merece um pastor zeloso, um homem com amor por Cristo, que quer aqui
doar a sua vida. Seja feliz nesse novo ministério, que seja uma experiência profunda e profícua,
para seu crescimento, e para a animação desta custódia, grande missão que te confiamos. Seja feliz!
Irmãos e irmãs em Cristo, em pé, professemos a nossa fé.
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