terça-feira, 7 de janeiro de 2020

QUARTA-FEIRA, 28 DE DEZEMBRO DE 2016 - DESPEDIDA AGNELO

Caríssimo Dom Agnelo,
o que dizer do senhor?
O senhor sempre foi o grande corretor, aquele que nos corrige no erro.
O senhor sempre foi o grande amigo, que todos nós podemos contar nos momentos de fragilidade.
O senhor é parte da história de nossa Igreja e será sempre parte da história de cada um de nós.
Todos nós no começo podemos até ter pensado que o senhor é um chato, na verdade até eu pensei isso, mas com o tempo fomos, cada um de nós, lhe conhecendo melhor, e lhe amando mais.
O senhor é para nós um grande exemplo, sempre esteve ao lado dos pontifices, mesmo que os piores, os apoiando, e mandando o povo o ajudar. Exceto uns, que creio que mereciam sua oposição.
O senhor, Dom Agnelo, virará história, no futuro provavelmente será contado aos jovens sua história, como hoje nós contamos de tantos outros.
Dom Agnelo, o homem da tradição, aquele que fez o clero celebrar a forma extraórdinária, ao menos nos tempos atuais.
Não tenho mais palavras para descrever-te no geral, não é que essas me faltam, é que são muitas que posso utilizar, e ainda quero lhe dizer de forma pessoal:
Quando fui eleito bispo, fui bispo auxiliar da Arquidiocese Extraterritorial de São João Maria Vianney, eu, que nunca fui tradicional, e na época era da Renovação Caristimática Católica, fui colocado como o temido Dom Agnelo Rossi. Ali começavam as correções, os puxões de orelha, os ''Credo Daniel''.
O tempo passou, fomos novamente nos distanciando, unidos pela unidade do colégio apostólico apenas, foste então tu que virou meu confessor, e depois viraste Pio V, foste o grande papa, e me escolheste para ser seu camerlengo. Nossa amizade ali começou a crescer, a ponto que, de forma silenciosa, me preparaste para o Pontificado de João Paulo IV, o qual vivi, contigo a meu lado, mesmo nos erros, sempre me corrigindo e me ajudando a decidir o melhor.
E passou o tempo, outro pontificado, e neste não lhe escutei como deveria. 
Mas sempre fostes um amigo, sempre esteve ao meu lado, e já te disse que nossa amizade não acabará aqui, que eu irei lhe visitar e que o senhor ao menos uma vez por mes vai me visitar quando eu for pároco. Obrigado pela ajuda na vocação, obrigado por tudo, o senhor é realmente muito especial.
Será estranho a partir de amanhã, entrar no habbo e não ir mais te procurar, como eu sempre fiz, para ir lhe encher o saco, pois sei que agora não o acharei mais online.
E não tenho outro tom para desperdir-me ti querido amigo, és um grande homem, serás um grande sacerdote, se for na realidade o que foste aqui o teu rabanho terá um grande pastor. Uma boa sorte. Encerro com uma frase que eu guardarei eternamente, que uma vez me disseste, e eu hoje te digo, para que se lembre sempre, nos momentos de dificuldade que a vida trouxer e nos momentos de alegria: Negue a ti mesmo.
E como eu sempre digo ao enviar alguém pra algo:
Seja feliz!

                                                                    D. Daniel Paulo Card. Stramantino

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