segunda-feira, 6 de abril de 2020

08.04.2020 - Missa e Sermão das 7 Palavras

Amados irmãos e irmãs, estamos na quarta-feira dessa semana maior. Amanhã de manhã vamos
encerrar o tempo da quaresma e começarmos a celebração da Páscoa do Senhor. Neste último
dia da quaresma a liturgia nos apresenta o que é o nosso pecado. Nosso pecado é a traição de Jesus.
Por isso hoje lemos o Evangelho de São Mateus e estamos, como ontem em São João, na noite
da Ceia do Senhor. Se ontem a figura central era São Pedro, hoje é Judas Iscariotes. Judas traí
nosso Senhor. Se segunda-feira Maria gastou com Jesus um perfume de 300 moedas, hoje Judas
traí Jesus por apenas 30 moedas. Eis a diferença entre o pecador e que confia no Senhor. Para 
quem confia em Cristo, para quem o ama, ele tem um altíssimo valor. Para o pecador, não importa,
para ele qualquer coisinha é o suficiente para trair nosso Senhor. Nós também vendemos nosso 
Senhor por muito pouco. O nosso pecado, o nosso abandono a Jesus, traí Jesus. Vendemos o Cristo
por um valor muito baixo. Mas, o próprio Jesus, que manda os discípulos prepararem a Ceia e 
vai cear com eles, diz qual é a consequência de o vender, de o trair: melhor seria não ter nascido.
Isso quer dizer que a consequência do pecado é terrível, a consequência de trair a Jesus é inimaginável
para nós. Mas ainda sim Judas podia ter mudado. Podia ter se convertido e voltado a trás. Mas
ele não faz isso. Judas não se arrepende, mas, ao ver o que fez, ele sente remorso e vai acabar
com sua própria vida. Esse remorso de Judas é diferente do arrependimento do pecador. O pecador
volta para o Senhor. Judas não pode pedir perdão. Ele foi egoísta até o último instante. Olhemos
para a nossa própria vida e reflitamos: Como eu estou traindo a Jesus? Como posso mudar isso?
É agora o momento de mudarmos essas realidades. Logo a ceia vai acabar, logo o Cristo vai ser
morto, logo poderemos também nós morrermos por consequência de nossos pecados. E o que fica?
Mas, mesmo vendido e condenado, Jesus é o Servo Sofredor, como estou repetindo desde o começo
da semana. E hoje, nesse terceiro cântico do Servo que já ouvimos no domingo, vemos que Deus
é o auxiliador do seu servo. Ele justifica seu Servo. Por isso, ninguém pode condenar a Jesus Cristo.
Os homens, Pilatos, Judas Iscariotes, os judeus, todos pensavam estar condenando a Jesus, porém
eles condenavam a si próprios, pois Jesus terá a vitória final. Sim, ele vencerá o mundo e nós 
venceremos com Ele. Amém.

SERMÃO DAS 7 PALAVRAS
O leitor anúncia cada palavra, isto é, cada frase, que é seguida pela meditação do padre.
PRIMEIRA PALAVRA:
 “Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34);

É fácil amar os amigos. É difícil amar os inimigos. Jesus perdoa aqueles que o crucificam. Pede
ao pai que tenha misericórdia daquela gente. Gesto nobre, digno de um Rei, perdoar aqueles
que não mereciam o perdão. Perdoar aqueles que o tirariam a vida e que o causaram tanta dor.
Jesus quer nos ensinar a amar aqueles que nós não amamos. Amar os nossos inimigos. Amar
sem medidas. O amor perdoa. Apenas o amor é capaz de perdoar. Jesus ama a todos, mesmo
aqueles que o crucificam. Jesus ama os pecadores, mesmo condenando seus pecados. Ele ama
a pessoa humana, e não quer que nenhum de nós se perca, por piores que sejamos.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


SEGUNDA PALAVRA:
 “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43);

Gosto muito daquela frase da música do Pe. Fabio de Melo: "Te tornas amigo do ladrão, só pra
lhe roubar o coração." Sim, irmãos e irmãs, aquele ladrão que provavelmente não sabia a história
de Jesus, não sabia o porque aquele homem estava ali, só sabe do que sabe por ter ouvido os comentários
que rondavam Jerusalém naquele dia, esse ladrão olha para Jesus e crê. Ele tinha tido uma vida
de pecado, mas olha para Jesus no alto da cruz e acredita. Eu fico tentando imaginar o olhar de Jesus,
o modo que Ele olhou para aquele ladrão que o converteu. Se nós olhássemos realmente para Jesus
veríamos a beleza do seu olhar, e não iriamos querer nenhum outro. E Jesus promete a esse homem
o paraíso. No alto da cruz, Jesus mostra que veio para salvar e não para condenar. E aquele ladrão,
São Dimas, é canonizado pelo próprio Jesus. Dimas é para nós sinal que não basta o quanto demoremos,
Jesus vai estar ali por nós, e vai nos oferecer a comunhão com Ele. Ele nos quer consigo.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


TERCEIRA PALAVRA:
 “Mulher, eis aí o teu Filho. Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,26);

A Igreja não poderia permanecer sozinha. A Igreja não era filha de chocadeira. Ela nascerá em 
alguns instantes, do lado aberto do Cristo, com o sangue e a água, a Eucaristia e o Batismo que
brotarão do seu lado. E Jesus deixa sua mãe aos cuidados da Igreja. Isso era o que João pensava
que ele ia cuidar de Maria. Na verdade, era ela que ia cuidar dele. João era o mais novo, o menos
experiente, o que exigia mais cuidados, era como uma criança aos olhos de Jesus. Por isso ele 
era o mais amado. Jesus o confia aos cuidados de Maria. Ele tinha sido o único fiel até o fim, pois
era puro de coração. E então ele acolhe Maria e ela o acolhe. São agora Mãe e filho. Mas João não
era por si o filho. Toda a Igreja recebia a maternidade de Maria. Por isso pedimos: Mãe, cubra-nos
com teu manto, cuida de nós como crianças. Olha teu povo no meio dessas tempestades, mãe,
e permanece conosco, pois o nosso Senhor e teu Deus te deu a nós. 

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


QUARTA PALAVRA:
 “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46);

Para ser sincero essa palavra sempre me causou confusão. Jesus se sente abandonado pelo Pai.
O Pai, que tantas vezes tinha falado e se anunciado nas escrituras, que falou no batismo, que falou
na transfiguração, agora se cala diante da morte do seu Filho. Jesus sente o abandono, a dor da
solidão. Não só do Pai, pois sabe que irá se separar do Pai para entrar na mansão dos mortos,
mas o abandono da humanidade toda. Jesus, utiliza-se de uma palavra do salmo 21, mostrando
que ele rezou até o fim de sua vida. Jesus é homem da oração, e por meio de sua oração, também
nos convida a sermos homens e mulheres de oração. Homens e mulheres que rezam. Homens
e mulheres que sabem que Deus não os abandona. Pois Deus não nos deixa sozinhos quando 
rezamos. Ele se une a nós em nossas orações. Ele está conosco. 

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


QUINTA PALAVRA:
 “Tenho sede!” (Jo 19,28);

A sede de Jesus não é apenas material. Ele tem sede de justiça. Ele tem sede da vida do seu povo.
Ele é a fonte de água viva. Mas, ainda sim, na cruz ele mostra-se humano. Ali, como nos diz aquele
belo hino "Adoro te devote", Jesus esconde sua divindade e mostra sua humanidade. Ele, sim, 
tem sede de água. Ele se revela completamente humano. Mas, ainda sim, ele tem sede da justiça.
Sede do momento em que todos os homens e mulheres da terra poderão ter vida. Ele tem sede
de dignidade. Ele tem sede da conversão dos pecadores. Jesus encontra muitas sedes naquele
momento. Sedes que todos esperavam que ele fosse saciar. Mas Jesus precisa que o coração do
homem se abra a Ele para que Ele possa sanar suas sedes, para que ele possa dar água viva ao
coração do homem. Ele tem sede, mas apenas nós podemos dar o nosso próprio ser, para sanar
sua sede, para que façamos sua vontade.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


SEXTA PALAVRA:
 “Tudo está consumado” (Jo 19,30);

Apesar de tantas coisas a fazer, Jesus dá sua obra terrena como terminada. Agora não é mais
o momento dele fisicamente operar as obras divinas. É o nosso momento. É o momento da
Igreja levar a frente as obras do Senhor. É o momento da Igreja de batizar, de dar a Eucaristia,
de anunciar a Palavra. É o nosso momento de trabalhar. Ele fez sua parte. E continuará agindo
mas agora pelos seus seguidores e seguidoras, seus discípulos e discípulas missionários do amor.
Tudo está consumado, pois agora vai se dar a salvação de toda a humanidade no seu sangue
redentor. Pois agora o mundo todo vai ser justificado pela suas santas chagas, pela sua paixão.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.

SÉTIMA PALAVRA:
 “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).

Com o último suspiro que lhe havia, Jesus devolve ao Pai o seu espírito. Ele confiou no Pai por
toda a sua vida. Agora não seria diferente. Ele devolve ao Pai o seu espírito, isto é, o Espírito Santo.
Este Espírito que há em cada cristão batizado. É o nosso espírito que nos liga ao Espírito de Deus.
Jesus entrega ao Pai o espírito num gesto de confiança. Pois, sabe que o Pai vai lhe devolver o 
espírito para o ressuscitar. O espírito era o que ligava Jesus ao Pai. Por isso, agora, para entrar
na morte, Jesus precisa se desconectar do Pai, e experimentar a morte como nós experimentamos.
Seu corpo irá para o sepulcro. Sua alma irá a mansão dos mortos. Seu espírito está nas mãos do Pai.
Sua alma na mansão dos mortos ficará até que o Pai devolva a Ele o Espírito, e então o Cristo
na mansão dos mortos, com a cruz nas mãos, irá libertar todos aqueles que ali experimentavam
a ausência de Deus. Irmãos, quando Jesus entrega o Espírito nas mãos do Pai, há uma ruptura
no coração da Santíssima Trindade. Mas Deus não deixa de ser Deus. Essa é uma questão teológica
difícil de entender. Mas, ela também não é importante. Importante é a confiança de Jesus no Pai.
Importante é que Jesus espera no Pai e o Pai não o abandona. Nós também precisamos esperar.
Esperar no Pai, que também nos dará a vida. Mas, para termos a vida, é preciso perde-la por amor
ao Pai e ao seu plano. Cristo morre. A nós resta a esperança da ressurreição.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.

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