quarta-feira, 3 de julho de 2024

03.07.2024 | Festa de São Tomé, Bênção da Igreja e Posse do Bispo de Óstia

Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Bispo de Óstia, eminentíssimos senhores cardeais, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Festa de São Tomé, neste dia no qual abençoamos esta Igreja. A primeira leitura desta liturgia de São Tomé, parece casar tão bem com o rito de bênção da Igreja. Nós somos as pedras vivas, incorporadas no edifício que é a Igreja, que tem Cristo como a pedra angular. Repetimos tanto que somos a Igreja, mas, às vezes, não nos damos conta do que isso significa. Significa que todos nós somos responsáveis pela Igreja, e que se algo não vai bem, é culpa de todos. Porque um membro doente, interfere em todo o corpo. Do papa aos seminaristas, dos leigos e dos religiosos, se algo não vai bem, todos nós somos responsáveis. Ser Igreja não é ser da Igreja. Temos muita gente que é da Igreja, mas, pouca gente que é Igreja. Porque ser Igreja nos impele não apenas a uma pertença, mas a um ser, a algo que se torna inseparável de nós. E, neste sentido, quando as coisas não vão bem na Igreja, também não vão bem dentro de nós. A Igreja reflete o nosso interior. Mas, não tenhamos medo. Hoje, celebrando São Tomé, ouvimos o famoso relato de sua dúvida. Não corramos o risco, porém, de irmos apenas pela tradição popular de que Tomé era o Apóstolo incrédulo. O evangelista João não quer tanto enfatizar a descrença de uma pessoa, mas, o motivo dela. São Tomé não crê no Ressuscitado porque não fez a experiência com ele. Quando Jesus apareceu Ressuscitado, Tomé não estava com a comunidade. E aqui está o principal: só se faz experiência verdadeira de Jesus Ressuscitado com a comunidade. Senão, a nossa fé se torna intimista e individualista. E isso vem se expressado muito em nossos tempos, e se torna muito claro nas músicas religiosas. Uma religiosidade fundada no "eu", na minha experiência pessoal com Jesus, muitas vezes tão piegas. Esse movimento para a interioridade faz parte da nossa experiência de fé, mas, a fé não se resume na interioridade. Também faz parte dela a exterioridade. Porque a fé se vive na comunidade. A communitas fidelium, a comunidade de fé, é o local privilegiado da experiência com o Senhor. Por isso a celebração litúrgica é sempre um ato comunitário da Igreja toda, seja a missa, os outros sacramentos, sacramentais e a liturgia das horas. E aqui abençoamos esta igreja, como lugar da reunião da comunidade, no meio da qual se põe o Cristo Ressuscitado que nos convida a toca-lo em seu Sacramento Eucarístico, na Palavra proclamada, e nos irmãos reunidos conosco. Esta missa convocada com o Colégio Cardinalício é de modo especial para exprimir para a Igreja o dom da unidade e da comunidade destes que são os nossos colaboradores mais próximos. Amados irmãos e irmãs, se todos somos responsáveis pela Igreja, se a Igreja é comunidade, nós percebemos que de fato nós somos a Igreja, o novo povo de Deus. Assumamos para nós este ser a Igreja, para que possamos todos nós, pastores e rebanho, continuarmos os ministérios, a missão que temos dentro deste edifício vivo que é o Corpo do Senhor. Assim seja! Amém.

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