domingo, 17 de dezembro de 2023

17.12.2023 | III Domingo do Advento

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Advento, o domingo da alegria, quando aguardando fervorosos a chegada do Natal, pedimos a Deus a graça de celebrá-lo com júbilo na solene liturgia, como recitamos na oração coleta do dia de hoje. A liturgia de hoje fala-nos sobre o profetismo. O profeta tem uma dupla missão, uma dupla característica: o profeta anuncia e denuncia. Não existe profetismo sem essa dupla característica. Quando olhamos ao profetismo de Isaías, percebemos essa dupla realidade. O Espírito do Senhor que repousa sobre o profeta o unge e envia para anunciar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor. É por isso que o profeta exulta e se alegra no Senhor e reconhece a ação do Espírito em sua vida. O Espírito é o que reveste o profeta. Por isso, São Paulo na primeira carta aos Tessalonicenses ao convocar a alegria, interpela a não apagar o Espírito e não desprezar a profecia. A profecia sempre depende do Espírito Santo. Um grande problema de nossos tempos é uma dicotomia da ação do Espírito na profecia e as dimensões proféticas. Hoje, quando fala-se do profetismo, acha-se que o profeta fecha os olhos e começa a falar coisas aleatórias, profetizando na vida dos outros. Isso não é o profetismo bíblico. O profeta traz uma mensagem de acordo com a vontade do Senhor. Mas, não alienado. O profeta fala a partir de um locus vivendi, isto é, um lugar do qual se vive. Isaías profetiza a partir do exílio; São Paulo profetiza a partir da vida da comunidade de Tessalônica; João Batista profetiza a partir da vivência no meio do povo de Israel. João Batista, ainda, nos ressalta outra dimensão do profetismo: o profeta não se exalta por ser profeta. Pelo contrário, vive no escondimento. Mais importante do que o profeta é a mensagem que traz o profeta. Mais importante do que cada um de nós, é Espírito de Cristo que está presente em cada um de nós e que nos impele a anunciar a chegada de um novo Reino, e a denunciar o antigo reino, que é o reino do pecado. Quando olhamos aos problemas sociais, políticos e religiosos, percebemos que ainda estamos de certo modo ligados ao reino do pecado. Quando denunciamos as injustiças sociais, nós rompemos com este reino do pecado, que escraviza, que humilha, que diminui, que tira a dignidade de cada pessoa humana e aí anunciamos o reino de Deus, que já chegou, que está no agora e no ainda não. Preparemos pois, o caminho do Senhor e o caminho do seu reinado vivendo o profetismo que nos foi incubido pelo nosso batismo e, com sinceridade de coração, poderemos celebrar o nascimento do Senhor não como um evento salvífico do passado, mas, como salvação presente e sempre renovado em nossa vida. Assim seja! Amém.

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