Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando neste dia a Festa da Apresentação do Senhor, dia dedicado também aos membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, ou seja, nossos irmãos e irmãs religiosos e religiosas. Esta festa de hoje ainda está em profunda relação com o Natal e se coloca no quadragésimo dia após a chegada do Salvador. A mensagem desta festa é muito clara: chegou a plenitude dos tempos e veio a luz. No velho Simeão e em Ana, presentes no Templo naquele dia, estão representados todos aqueles que esperaram o Senhor e que agora viam consumadas as suas esperanças. O Antigo Testamento preparou e esperou, a filosofia, a sociedade, os costumes, a política; tudo foi se preparando para aquele momento em que a nossa humanidade recebeu a presença de Deus. E agora, em Jesus, isso se cumpre. Todas as promessas, todas as profecias a respeito dele vão se cumprindo ao longo de sua vida. É a inauguração de um novo tempo, de modo que aqueles que viveram a expectativa podiam alcançar agora a liberdade, a salvação. E nós, que tanto tempo depois também vivemos cheios de esperança pela consumação do tempo do Senhor em nossas vidas, não podemos perder essa esperança e um dia diremos como Simeão: pois agora meus olhos viram a vossa salvação. Mas é como é difícil ver a salvação no meio deste mundo de trevas? Jesus vem ser luz. Jesus vem para salvar, mas sua salvação também é luz no meio do seu povo, pois é já transformadora. Diante das trevas de um mundo que se afastou de Deus, mas, ainda mais, diante das trevas do nosso coração quando se afasta de Deus, nós somos convidados a deixar que Cristo seja a luz. E como Jesus será a luz? Ele será luz quando sua Palavra iluminar a nossa existência. Quando isso acontece, conseguimos viver em equilíbrio com as divergências, com as dificuldades, porque tudo vai se enchendo de sentido. Talvez, hoje, uma das nossas maiores dificuldades para viver uma vida feliz, seja a falta de sentido, de entender o sentido das coisas. Quando Cristo ilumina as realidades, nelas se encontra sentido, mesmo no sofrimento. Vamos deixar que Cristo impregne o nosso ser com a sua suavidade, ilumine para nós quem somos, as situações da vida e o mundo onde estamos, para que possamos ver com clareza a Sua presença, os caminhos que devemos correr e como sermos, também nós, iluminadores no meio das trevas. Sim, iluminadores, pois mesmo a luz que é Jesus Cristo precisou chegar a nós por meio de outra luz, que hoje também é recordada em feliz memória: Maria Santíssima. Ela é ofuscada pela luz de Cristo, pois na verdade, nela resplandece como que num espelho a luz de seu Filho. Que Ela nos dê a graça de também irradiarmos a luz de Cristo, de acordo com nossos carismas e especificidades, para que a todos chegue está luz sem a qual o ser humano sempre caminhará na escuridão, sem a qual sempre estaremos perdidos, pois só nele encontramos o que sempre esperamos e sempre procuramos. Assim seja! Amém.
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