Digníssimos bispos e cardeais, que mesmo em baixo número se fazem presentes, e nesta noite,
além de meus filhos pelo ministério petrino e irmãos no episcopado, se tornam padres conciliares.
Amado povo de Deus, que se encontra ou não em comunhão com essa cátedra romana.
Estamos reunidos em um momento, que positiva ou negativamente irá entrar para a história da Igreja.
É a abertura do sétimo concílio Vaticano. Estamos aqui, no coração cristão do mundo todo, pedindo,
e por isso o vermelho, a presença do Espírito Santo, que vem para nos trazer os seus sete dons.
A primeira Leitura nos leva ao Concílio de Jerusalém, o primeiro de toda a história da Igreja.
Mais especificadamente a leitura nos coloca no resultado do Concílio. Essa leitura quer nos levar
a reflexão, que este concílio que vivemos, poderá não ser grande em quantidade, mas será grande
no quesito de seus resultados. Por sua vez, a segunda leitura interpela a nós, bispos da Igreja,
padres conciliares, a velarmos pelo rebanho. Não podemos realizar esse Concílio sem antes realizarmos
uma profunda abertura de nós mesmos, a esse espírito de renovação e aggiornamento que estamos
propondo. Por isso, nossas ações não devem ser tomadas visando os nossos próprios interesses,
mas, sim, visando o bem geral da Igreja e a salvação das almas. Irmãos, por fim, o Evangelho
nos leva ao momento em que Jesus, após ser tentado no deserto, vai até Nazaré, e entrando na sinagoga,
faz a leitura daquela belíssima passagem do livro do profeta Isaías. E quando ele termina de anunciar,
que o Espírito estava sobre Ele, todos ficam olhando para Ele, com essa mesma carinha de peixe
que vocês me olham agora. E Jesus afirma para eles que, de fato, se cumpria aquela passagem
da escritura. E a passagem se cumpre em Jesus, pois Ele é, por excelência, aquele que recebe o Espírito.
Mas não é apenas aquele que recebe, também envia. Ele mesmo disse que nos enviaria o Consolador,
que é o Espírito Santo, que também reclina sobre cada um de nós, pelo sacramento do Batismo.
Muitos, infelizmente, renegam esse Espírito, deixando de lado a missão, e se transformando em inúteis.
Mas nós, aqui presentes, somos convidados a ceder o nosso coração ao Espírito Santo, permitir
que Ele aja em nós, para que Ele guie esse Concílio.
Nessa dinâmica, meus queridos, nós vamos abrir o nosso VII Concílio Vaticano. Este, não quer vir
a suprir, ou descartar os seus anteriores. Os tempos são novos, a realidade é nova, e nem tudo
deve ser colocado em repetitivas pautas. Mas existem problemas atuais, que não existiam naquela época.
E isso tudo deve ser solucionado com extrema urgência. Não se pode mais conter, como feito outrora,
toda a ação realizada, por isso precisamos de um concílio que nos leve a uma verdadeira abertura
enquanto Igreja. Abertura na nossa ação evangelizadora; abertura e expansão dos nossos confins,
a fim de que toda a Igreja possa, um dia, reunir-se sob um só rebanho e um só pastor. Assim,
nesssa noite, e de imeditado, decidi acolher de volta a comunhão conosco os clérigos do Habbhlet.
Comunhão, algo tão necessário na nossa vivência atual. Falta que nos abramos a comunhão
de uns com os outros, sem brigas por motivos bestas, ou infantis. É o momento de iniciarmos
um novo caminho de comunhão. Comunhão de uma Igreja que se preocupa com as realidades,
de uma Igreja que quer se tornar sempre mais atual. Para terminar irmãos, vos digo, que podemos
ser poucos ou muitos, pode ser bonito ou feio, mas o nosso concílio cumprirá o seu objetivo:
De levar a Igreja a um novo tempo, um tempo bonito e um tempo de Esperança. Um tempo de confiança
na graça do Senhor, que nos leva a esperar nele e em seu amor. Um tempo de novos horizontes,
um tempo, de portas e janelas abertas, a uma visão nova de mundo e de Igreja. Não que a nossa
visão atual esteja ultrapassada, mas começou a pegar pó. Por isso, o concílio quer uma nova abertura,
retirar o pó das nossas sacristias e altares, muitas vezes não utilizados, mas também, retirar o pó
que engessou os nossos corações. Irmãos, que permitamos que o concílio cumpra o seu objetivo.
Que a Virgem Maria, a Mãe da Igreja Universal, que esperou no Senhor, nos conceda a esperança,
o amor, e a força de vontade, de nos tornarmos servidores do Senhor e do seu povo. Amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário