Estamos celebrando o trigésimo segundo domingo do tempo comum. No Evangelho desse domingo
nós vemos Jesus, que após falar sobre aqueles que usufruem dos pobres, senta-se ao lado do cofre
das esmolas, e fica vendo os ricos fazerem suas ofertas. Então chega uma viúva e doa tudo aquilo
que ela tinha. A oferta da viúva, saindo do mais profundo do coração, mostrava sua confiança
na providência Divina. Ela não tinha salário, não tinha homem, era viúva, e depositando tudo
o que tinha, provavelmente morreria de fome. Assim, nos voltamos para a Primeira Leitura, quando
a viúva de Sarepta, confia também na providência Divina e faz o pão, com aquele pouquinho de óleo
e farinha, que não acabaram mais. A viúva de Sarepta e a viúva do Evangelho, na sua pobreza
e simplicidade, compreendem a providência do Senhor, e doam tudo aquilo que tem pela causa
do Reino. Hoje, além do dinheiro, é preciso que doemos a nossa própria vida pela causa do Reino.
É muito fácil vivermos na superficialidade, doando aquilo que nos sobra, como faziam os ricos.
É muito fácil doarmos o tempo que sobra, a vida que sobra. O Senhor está nos pedindo uma doação
completa e do fundo do coração. Uma doação alegre e generosa. Uma doação que se confie aos
cuidados do Senhor. Observem que essa dinâmica de confiar-se aos cuidados do Senhor é muito
explorado nas escrituras. Pois os discípulos, ou seja, nós, discípulos e discípulas, precisamos seguir
o exemplo do próprio Mestre, e Ele foi o grande exemplo de quem confia-se aos cuidados do Pai.
Por isso a Segunda Leitura vem nos lembrar que Jesus se confiou, pela sua morte, nos braços e
abraços do Pai amoroso. De fato, o Cristo entrou no santuário, nos céus, pelo seu próprio sangue,
e entrou para oferecer o sacrifício de sua própria vida para que fossemos salvos, para destruir o
pecado. E Jesus não é como os sacerdotes do antigo testamento, ele entra uma vez por todas,
oferece o sacrifício uma única vez. Por isso na missa não celebramos outro sacrifício, mas é o mesmo
sacrifício pascal oferecido, tornado presente, na celebração eucarística. E do mesmo modo que Jesus
morreu uma única vez, todos nós morreremos uma única vez. Por isso, o autor da carta aos Hebreus
deixa bem claro que o homem morrerá uma só vez e depois virá o juízo, acabando completamente
com qualquer esperança ou expectativa de reencarnação. Se houvesse reencarnação, o próprio
Jesus teria sido em vão, teria morrido em vão. Mas não, ele vem e nos resgata, oferece seu sacrifício
para destruir o pecado.
Que nós possamos doar a nossa própria vida como sacrifício de louvor, ofertando não o que nos sobra
mas todo nosso sangue, lágrimas e suor, pela nossa salvação, e de todos os irmãos e irmãs.
Amém.
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