segunda-feira, 12 de novembro de 2018

12/11/18

Digníssimo Dom Jorge Snaif, que será ordenado Bispo,
Digníssimos senhores que receberão o pálio,
Demais concelebrantes e ministros,
Amado povo de Deus,
estamos celebrando um grande dia de Festa. Comemoramos a memória do Bispo São Josafá,
nesse dia onde celebro meus quatro anos de ordenação episcopal, com a ordenação episcopal
de Dom Jorge Snaif, e com a imposição do pálio aos senhores arcebispos. Este é um momento 
bonito de comunhão. Assim, celebramos São Josafá, um bispo, que em sua vida, já que nasceu
Católico Bizantino, lutou pela unidade da Igreja Bizantina com a Igreja Católica Romana. Com isso,
o Bispo Josafá foi perseguido pelos Ortodoxos Bizantinos, que não podiam admitir que ele estava
convertendo os seus fiéis para a comunhão com a Santa Igreja. Foi assim, que o Bispo Josafá foi martirizado,
aos 43 anos, enquanto realizava uma viagem Pastoral. São Josafá torna-se então, nesta noite,
o sinal da luta pela comunhão e pela unidade, que os senhores arcebispos devem se tornar. Estamos 
em tempos onde é impossível negar que falta unidade na Igreja, por isso, os senhores devem se empenhar
para honrar o pálio que hoje receberão, sinal do Bom Pastor, mas também sinal da vossa comunhão
conosco. Por isso esforcem-se para que haja plena comunhão, com o vosso presbitério, com vossos
auxiliares, e com essa Cátedra Apostólica. Que o pálio que os senhores receberão seja de fato a imagem
da ovelha que levam aos ombros. Assim, que os senhores possam configurar-se sempre mais ao
Cristo Bom Pastor. Do mesmo modo, nessa noite configuramos o Cardeal Snaif a imagem do Bom Pastor,
por meio de sua ordenação episcopal. Não é comum vermos a ordenação episcopal já de um cardeal,
mas, agora que deve assumir a Arquidiocese de Aparecida, é um evento necessário. Configura-se,
Dom Jorge, a imagem do Cristo servo e do Cristo Bom Pastor, e com amor conduza a Grei que lhe
é confiada. A ordenação hoje não é um mero ritual, é o nosso deposito da fé que confiamos ao senhor,
mais importante do que o senhor ser cardeal, é o senhor ser bispo. Onde está o bispo aí está a Igreja!
Por isso, seja sempre a imagem da Igreja, esposa de Cristo, que leva o suave odor de seu Esposo,

anunciando fielmente as suas palavras. Nessa noite, então, também me recordo de minha ordenação
episcopal, no seu quarto aniversário. Aquele dia, onde pela bula de Inocêncio IV, eu fui ordenado
bispo, pelas mãos de Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer, na mesma Basílica onde celebrei a minha
primeira missa. Sou grato a Deus pelo que ele realizou e realiza em mim, bendito seja Ele, pois nada
foi pelos meus méritos, mas tudo por sua bondade. Por fim, irmãos, nos voltemos a Liturgia da Palavra
do dia de hoje, no Evangelho. Os discípulos pedem que o Senhor os aumente a fé, mas Jesus os diz a 
grande e dolorosa verdade: eles não tem fé nenhuma. E assim somos a maioria de nós, não temos fé,
pois não nos confiamos verdadeiramente ao Senhor, quando começam chegar os momentos de dificuldade,
de provação, nós nos afastamos do Senhor. Estamos habituados, sobretudo nos tempos atuais, 
a fazermos tudo do nosso jeito, a termos tudo na hora. E com Deus, as coisas não são assim. 
Então, quando ele não faz o que queremos, desistimos e perdemos a fé. Não podemos ter essa fé 
morna, precisamos ter uma fé firme, que seja capaz de perder tudo, perder a própria vida, pelo Senhor.
Querido clero, e demais irmãos presentes, que nossa vida seja feita oblação, e encontre seu sentido
apenas no Senhor, que não seja uma vida fraca como a de muitos irmãos, sobretudo os que se dividiram 
pois não tiveram o que queriam. Precisamos, mesmo não compreendendo os caminhos que o Senhor 
nos propõe, aceitarmos, pois o próprio Cristo não se negou em morrer nas mãos dos malfeitores,
pela nossa salvação. Ele se doou completamente pela causa do Reino. Que nossa vida se consuma 
pela causa do Reino, e, assim, a recompensa chegará, não agora, mas na eternidade. Amém.

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