Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimo Dom Sthevan Cardeal Fitzwan, Vice-Decano do Colégio de Cardeais,
Digníssimos demais cardeais presentes,
Dom Agnelo Sarto e Dom Giuseppe Betori,
e demais filhos e filhas presentes.
Estamos aqui unidos para elevarmos a príncipes da Igreja os bispos Giuseppe Betori e Agnelo Sarto.
Este momento, portanto, se torna profundo momento de reflexão sobre o ministério destes,
e também do nosso ministério. Estes dois irmãos, por meio da dedicação de sua própria vida,
doaram-se e continuarão a se doar a Deus, por meio do serviço a Santa Igreja. Um serviço, não como
o dos apóstolos do Evangelho lido, que esperava recompensa. Os filhos de Zebedeu pedem a Jesus,
que pudessem ter como recompensa um lugar de honra, e falam isso logo após Jesus anunciar
sua paixão. Em verdade, eles estavam surdos pelo seu egoísmo. Depois do pedido deles, nós vemos
os outros dez que ficam bravos. E na verdade eles não estão indignados não! Eles estão com inveja,
pois não foram eles que pediram. Assim irmãos, nós vemos Jesus que se volta para aqueles homens
de coração fechado, pecadores, em suas misérias, e os pede que sirvam na gratuidade, pois aquele
que quer ser grande deve se fazer servidor de todos. E como é difícil para nós nos tornarmos servidores,
como é difícil nos desligarmos dos nossos pequenos Narcisos que crescem dentro de nós, e nos
colocarmos a disposição do Senhor. Irmãos, é exatamente por esse motivo que nós vemos atualmente
a cisma do ex bispo Tomás. Pois eles preferiram se fechar naquilo que era melhor para eles,
a vida boa, sem pagar, e não o que era o melhor para a Igreja. E quantas vezes também nós, aqui,
nem precisamos ir a outro hotel, aqui mesmo, não queremos desempenhar corretamente os nossos
trabalhos. Quantos cardeais, quantos bispos já não passaram por aqui e não deixaram marca alguma?
Quantos já não foram embora e nem nos lembramos deles? Não lembramos pois nunca demos atenção?
NÃO! Não lembramos porque não nos marcaram. Não nos lembramos porque acharam que celebrar,
concelebrar missa, era o suficiente. E isso não é o suficiente, é o mínimo. Terça-Feira iremos abrir
o Concílio Vaticano VII. Um concílio que para muitos está já condenado ao fracasso! Sabem o motivo?
Pois eles vem apenas com uma visão muito humana, material, palpável. Homens fracos e covardes!
Não sabem aceitar a missão, não sabem seguir a missão! Eu prefiro na Igreja um homossexual
que aceite fielmente a missão e a desempenhe bem, do que um heterossexual fraco, como estes
nossos irmãos da cisma de Aparecida. Sim, nos escandaliza um papa ter que dizer isso! Mas irmãos,
não podemos ser hipócritas como foram os discípulos. Estamos justamente, graças ao Concílio,
e graças a formação na Educação Católica, num tempo propício de formarmos homens compromissados
com o serviço da Igreja. E vocês dois, que, nessa tarde fria de outono romano, são interpelados
ao serviço da Igreja como cardeais, firmem o vosso compromisso. Que vosso ministério seja para
o bem da Igreja, para a santificação do povo de Deus, e para a frutificação das vocações. Que o Senhor
vos ajude, e vos dê a força de derramarem, como Ele, sangue, suor e lágrimas, pela salvação das almas.
Amém.
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