Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o décimo domingo do Tempo Comum. Devemos tomar cuidado com o espírito de divisão. A primeira leitura é a narrativa do pecado original. Adão e Eva representam toda a humanidade que quer ser como Deus. Deus fez a humanidade livre. E na sua liberdade, diante do tentador, Eva e Adão comem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não só desobedecem a ordem de Deus, de que não poderiam come-lo, mas, queriam ter o conhecimento de Deus. E de fato, ali eles tomam consciência que estavam despidos. Ou seja, conhecem o mal. E quando conhecem o mal, o ser humano que é bom por natureza, porque é criação de Deus, se divide do seu criador. Aí está um primeiro espírito de divisão que o ser humano optou em sua liberdade. Mas, há na liturgia de hoje uma segunda situação de liberdade, que é a liberdade de Jesus. A perícope do Evangelho de São Marcos que ouvimos fala sobre a relação de Jesus com seus parentes, e costura no meio disso um embate de Jesus com os mestres da lei. São Marcos faz muito isso. E hoje nos mostra Jesus em sua liberdade. Ele é livre das amarras com sua parentela, é livre das amarras institucionais dos mestres da lei, é livre. E aqui, livre, mas não dividido. É livre dos seus parentes, mas amplia sua família a todos aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática. É livre dos mestres da lei, mas não deixa de apontar a salvação, o caminho da verdade, também a eles. Diante dos parentes que achava que Jesus estava ficando louco por causa de sua missão, o Senhor mostra que sua missão é sim extrema. É preciso as vezes renunciar ao sono, a alimentação, a diversão, por causa do anúncio do Reino de Deus. Sua missão não é uma missão de melindrosos, mas de homens e mulheres livres, capazes de assumir os extremos do Evangelho. No embate dos os mestres da lei, que acusam Jesus de expulsar os demônios em nome de Belzebu, o príncipe dos demônios, Jesus mostra como é ilógico o raciocínio deles. Não há Reino que se divida contra si mesmo e subsista. Mas nós tendemos a dividir o Reino de Deus. Não somos capazes, mas muitas vezes temos essa tendência. E fazemos isso quando optamos por não viver esse Reino. Fazemos isso quando dizemos não aos extremos do Evangelho. A partir de quando a Palavra de Deus chegou aos nossos ouvidos nós já estamos comprometidos com ela, qualquer abstenção é ilusória. Por isso o nosso não divide. Divide-nos de Deus e nos divide a nós mesmos, pois o ser humano não pode ser completo senão em Deus. Por isso, São Paulo na segunda carta aos coríntios que ouvimos pode dizer com tanta segurança que após os sofrimentos desta vida, Deus nos prepara uma moradia na eternidade. Pois aquele que se uniu ao Senhor por toda a vida, também espera se unir a ele no céu. Mas, aquele que dividiu seu coração do coração de Deus, aquele que foi instrumento de divisão de famílias, de grupos de pessoas, de amizades, todo aquele que dividiu, também terá seu lugar com o divisor, o diabo. Somos livres para escolher: união ou divisão, ser família de Jesus em seu Reino ou sermos nós os nossos próprios deuses?
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