terça-feira, 25 de junho de 2024

25.06.2024 | Consistório Extraordinário

Eminentíssimos senhores cardeais, meus caros filhos. A liturgia de hoje nos apresenta no evangelho de São Mateus a insistência de Jesus para que não demos coisas santas aos cães e pérola aos porcos. Com estas afirmações e com a sua colocação sobre a porta larga e a porta estreita, Jesus está instruindo seus discípulos no caminho do Reino. A porta é estreita e são poucos os que a encontram. Quem encontra a porta estreita é quem se encontrou com Jesus Cristo. Aqui nos cabe perguntarmos: conhecemos a Jesus Cristo? Não quero aqui propor uma homilia sobre a liturgia diária. Mas, antes, voltar o nosso olhar para aquilo que é central para o nosso Ministério: Jesus Cristo. Será que o nosso cardinalato não é coisa santa aos cães e pérola aos porcos? Como usamos desta honraria que a Igreja nos deu? Como eu uso do pontificado que a Igreja me deu? Usamos como autênticos conhecedores de Jesus Cristo? Ou será que os nossos ofícios e títulos são pérolas aos porcos? Meus diletos irmãos, não posso dizer que o último mês foi um tempo simples e fácil. A ausência de uma grande parcela do colégio cardinalício foi sentido e refletiu em toda a Igreja. Todos nós passamos, obviamente, por momentos de provas de fim de semestre, de outras atividades, e aqueles que se ausentaram solicitaram a devida licença. Sim, sim, não nego isso. Mas espero que agora, fim da do semestre, seja o momento de voltarmos às nossas atenções para a nossa Igreja. Eu sempre vos disse com muita clareza, não tenho nenhum problema com a pessoa que entende que não deve dar tanta atenção à Igreja no Habbo. Mas essa pessoa tem total liberdade de pedir emeritude. Agora, o que não dá é para permanecermos apenas ocupando uma cadeira. E ao mesmo tempo, não fazermos os nossos ofícios. Não cumprirmos com os nossos ofícios. Infelizmente, algo que pesa muito para mim é a amizade que tenho para com muitos dos senhores. Com todos, basicamente. Este colégio cardinalício, que está atualmente é um colégio de amigos. Não tenho inimizade com nenhum dos senhores. Por isso, quando os senhores vêm com as vossas justificativas, que muitas vezes considero válidas e necessárias, eu sempre digo que está tudo bem. Porque eu não posso me impor as vossas vidas pessoais. Não posso impor a nossa Igreja acima da vossa vida. Sequer acho saudável que alguém faça isso. Mas, essa amizade às vezes pode atrapalhar também o próprio andamento da Igreja. Os senhores bem sabem que a minha tendência é sempre a misericórdia. Só que chega um momento que não dá para empurrarmos mais algumas coisas com a barriga. Por isso, considero que devemos refletir, estou colaborando com a Igreja? O ofício que tenho colabora com a Igreja? O que eu posso fazer sem depender dos outros? Não que na Igreja alguém seja sozinho. A comunidade é essência da Igreja. Só que cada um aqui dentro, como cardeal, deve ter as suas próprias iniciativas. Eu detesto interferir nos dicastérios. E só interfiro quando acho realmente necessário. Eu sei que é muito difícil eu dizer algo porque corre-se o risco de comparar com o meu próprio ministério enquanto cardeal. Por isso, peço aos senhores que, antes de olhar para minha pessoa, olhem para o meu ofício e para a responsabilidade que tenho diante da Igreja para dizer o que direi. O Dicastério para evangelização não promove as missões que eram necessárias. O Dicastério para o culto Divino e a disciplina dos sacramentos está engatinhando nas reformas litúrgicas. O Dicastério para os seminários não consegue terminar a apostila. O Dicastério para os leigos, eu ainda sequer vi a alguma página da apostila para os leigos. As arciprestias as eu não vejo outra celebração nas basílicas a não ser as minhas. Vejo alguns trabalhos com os presbíteros, mas ainda não o suficiente. Sinto, na verdade, falta de apoio com os presbíteros. O próprio monsenhor Ruan é alguém carente e que precisa da nossa atenção, porque faz um belíssimo trabalho pastoral com os leigos. Eu não sei como estão os meus bispos. Tem duas figuras do colégio episcopal que eu não sei o que fazer, que são dom Erlei e dom Everton. Na verdade, meus caros, sinto falta de um apoio no geral. Quando me lembro das nossas conversas sobre pontificados mais curtos, o que fez o próprio meu antecessor, João Paulo VIII, Ter tido um breve pontificado, fico pensando: O meu pontificado também deveria ser breve, mas como deixar a Igreja ainda com essas situações? Sem qualquer ilusão de Salvador da pátria, sem messianismo. Mas continuo meu Ministério no desejo de que todos nós nos empenhemos para podermos cumprir com aquilo que devemos fazer para com a nossa Igreja. Quando olho para discursos como o que vimos no grupo, recentemente, de ex clérigos, agora cismáticos falando que estão nas outras igrejas por causa dos pagamentos que lá existem, eu fico de fato feliz. Porque percebo que os que estão aqui estão porque levam com seriedade a Igreja. Que este colégio com a sua bonita missão de colaborar de perto com o Romano pontífice em sua missão. Possa também levar com seriedade o Ministério que lhes foi confiado. Que possamos continuar ao mesmo tempo, com leveza, para termos gosto pelo que fazemos, mas com o devido compromisso que assumimos. 

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