Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade de São Pedro e São Paulo, apóstolos e padroeiros de Roma. Pedro e Paulo são as colunas da Igreja. Pedro pela missão conferida pelo Senhor Jesus de ser a pedra sobre a qual é construída a Igreja, Paulo pela sua missão e ministério, como apóstolo do Senhor, evangelizador das nações. Duas figuras que não foram fáceis para o Senhor. Pedro era um homem cabeça dura, ignorante, que não entendia as coisas que Jesus queria dizer, era esquentado e impulsivo. Paulo era um bom judeu, tão bom que perseguia os cristãos. Pedro e Paulo passaram por um encontro com Jesus Cristo, um encontro definitivo que mudou suas vidas para sempre. Pedro passou a vida com a profundidade daqueles três anos. Refletindo sobre o Senhor que o chamou a ser pescador de homens, que ele confessou a fé e se tornou pedra da Igreja, como ouvimos no Evangelho de hoje, que não quis ter os pés lavados, que negou, mas que foi ao túmulo, que disse amar o Senhor Ressuscitado. Cristo deu a Pedro, como primeiro entre o colégio apostólico, as chaves, a missão de ligar e desligar, e o poder do inferno nunca prevalecerá na Igreja fundada sobre Pedro. Cremos na Igreja, isto é, cremos de dentro da Igreja, a partir da Igreja. Não pode crer a partir da Igreja, quem não guarda a comunhão com o Santo Padre, o Papa, e neste momento, o Papa Francisco. Amados irmãos e irmãs, quando Pedro estava preso, a primeira leitura nos relata sobre quatro grupos de soldado, com quatro soldados cada um para guardar a prisão. O que havia de tão perigoso em Pedro? O olhar de Jesus. Nos olhos de Pedro estava o olhar de Jesus. Nas palavras de Pedro, a Palavra de Jesus. Mas, ainda não havia chego o momento do testemunho de Jesus Cristo na vida de Pedro chegar ao extremo do martírio. Deus o liberta da prisão. E, bem sabemos, que São Pedro só vai morrer em Roma, muito depois, já ancião, crucificado. E crucificado de cabeça para baixo como indigno de morrer como o seu Senhor. Há aquela bela tradição que diz que Pedro ia fugir de Roma, mas no caminho se encontra com Jesus e lhe pergunta: "- Quo vadis?" Que quer dizer: "- Onde vais?" E Jesus lhe responde: "- Eu vou para Roma ser crucificado outra vez." Então, Pedro volta a Roma onde permanece até o martírio. E em Pedro, Jesus Cristo morre outra vez. Jesus morre outra vez em cada mártir. E ainda há mártires em nossos tempos. Mártires tantas vezes silenciosos, mas, prontos para dar o testemunho até o fim. Porque martírio é isso, é testemunho. Tanto que, após toda a sua missão e as suas viagens, na segunda carta a Timóteo, São Paulo afirma com toda certeza aquilo que ouvimos na segunda leitura de hoje: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.". E São Paulo, como cidadão romano, vai ser decapitado nesta cidade. Seu crime foi ter sido cristão. Seus crimes foi o de terem amado. Cuidado, porque hoje estamos assistindo a mesma coisa. Agora, dar comida aos pobres, vem se tornando até crime. Onde está o espírito cristão da nossa sociedade? Onde está a fé que dizemos ter? Morta sem obras? Amados irmãos e irmãs, os apóstolos Pedro e Paulo nos deram os fundamentos da fé. Eles sustentam a fé da Igreja que é, hoje, nossa responsabilidade guardar, professar e ensinar. Seu martírio que hoje celebramos, é essa fé vivida ao extremo. Que seu exemplo nos acompanhe como Igreja do Senhor, para também fazermos, a partir do encontro com Jesus, com que a fé seja autêntica, celebrada, vivida, guardada, professada e ensinada, na comunhão da Igreja e a todos os povos. Assim seja! Amém.
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