sábado, 15 de junho de 2024

16.06.2024 | XI Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o XI Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo, recorda-nos que somos necessitados da graça de Deus. Na primeira leitura, Ezequiel profetiza a partir do exílio da Babilônia. Provavelmente o profeta estava na primeira leva dos que foram deportados de Judá para a Babibilônia, sob o julgo de Nabucodonosor. Em sua profecia, primeiro Ezequiel se empenha em criticar o povo de Deus. O profeta lembra-os que foi por causa da infidelidade do povo, que agora eles sofriam o exílio. Mas, agora, Ezequiel está trazendo uma mensagem de esperança. O próprio Deus vai tirar um galho da copa do cedro e vai planta-lo sobre o alto do monte de Israel e sob sua sombra virão os pássaros. E, por estar acima de todas as outras árvores, todas saberão que o Senhor elevou aquela árvore. Esta mensagem é uma mensagem de profunda esperança para o povo exilado. Porque mesmo estando ali no exílio, Deus não se esquece deles. A mensagem de Ezequiel é que é o próprio Deus quem vai tirar Israel, seu povo, do exílio e vai levá-lo de volta para o alto do monte de Sião, para Jerusalém. E o profeta ainda termina dizendo "Eu, o Senhor, digo e faço". Quem faz, meus queridos, quem faz é o Senhor. Quem vai libertar a Israel não são suas próprias forças. É o Senhor. No Evangelho é colocada para nós uma categoria muito importante: o Reino de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, encarnou-se por amor, e encarnou-se para uma dupla missão, a de salvar o ser humano, e para anunciar e instaurar o Reino de Deus. Mas, o que é o Reino de Deus? Jesus explica através de parábolas, porque é difícil entender o Reino de Deus. Sabemos que o Reino de Deus está no já e no ainda não. Ou seja, ele já está presente na história humana, mas ainda não é o Reino em plenitude. Porque o Reino de Deus não é deste mundo. Tanto que na segunda leitura, São Paulo fala aos coríntios que nós preferimos deixar a moradia do nosso corpo para ir morar junto do Senhor. Isso não quer dizer, é claro, nós pormos um fim a nossa vida. Mas, quer dizer que lá, sim, alcançaremos a plenitude do Reino. Porque o Reino de Deus é aquela realidade onde ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste. Reino de Deus é aquela realidade onde não haverão pobres, nem ricos ensoberbecidos, nem famintos, nem sedentos, nem nhus, nem doentes, nem prisioneiros, nem ladrões, nem assassinos, nem fofoqueiros, nem julgadores, nem nenhum tipo de mal. Mas, não nos iludamos. Se participaremos do Reino na eternidade, depende se já participamos do Reino agora. E não apenas nós devemos estar no Reino de Deus, é o Reino de Deus que deve estar em nós. E como esse Reino acontece em nós? Como esse Reino acontece no meio de nós? O Reino acontece por ação de Deus. Por graça de Deus. Nós podemos até espalhar a semente do Reino em nós e no mundo. Mas, o Reino vai crescer por ação de Deus. O Reino de Deus tem uma energia, tem um dinamismo próprio que o faz crescer. E aí precisamos ser pacientes. Porque a semente vai germinando e crescendo, mas nós não sabemos como isso acontece. Precisamos ser muito pacientes com os outros em suas imperfeições. Mas, acima de tudo, precisamos ser pacientes conosco mesmos. Precisamos entender que o Reino vai crescendo em nós no dia a dia, nas coisas pequenas, e que nós quase não percebemos. Ser pacientes e deixar que o tempo cure nossas feridas. Porque todos nós trazemos feridas. Ser pacientes e deixar que a ação de Deus aconteça. Grandes momentos de conversão e de mudança são sim necessários, mas tendem a ser como a folha seca que rápido queima. A verdadeira conversão, a verdadeira mudança, o verdadeiro crescimento do Reino de Deus em nós é aos poucos. Nós temos que ter confiança e esperança. Sim, confiança e esperança que o Reino de Deus está crescendo em nós e no meio de nós. Que ele, que ainda é a menor sementinha, o grão de mostarda, vai se tornar a maior das hortaliças. Que o Reino de Deus, já instaurado por Jesus, um dia será tão grande, tão grande, que será muito maior do que todos esses reinos deste mundo. Sabem o que é este Reino? É o amor. Porque o Reino é de Deus e Deus é amor. Que sejamos capazes de abrir os nossos corações para permitirmos que a semente cresça, que o Reino de Deus se dilate, até o dia que ele for tudo em todos. Assim seja! Amém.

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