Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrarmos a páscoa de Dom Darci José Cardeal Nicioli. Este nosso querido irmão faz sua passagem, isto é, muda de estado de vida. É momento de fazermos duas reflexões: o sentido de nossa existência como Igreja no Habbo Hotel e o sentido da morte na vida do cristão. Sim, mesmo que este nosso irmão continue sua vida na realidade, pensarmos no sentido da morte cristã, já que aqui celebramos o fim de sua vida no hotel. Portanto, me permitam dividir minha homilia em duas partes. Em primeiro lugar, falarmos de nossa Igreja, a partir de Dom Darci. Porque Dom Darci está entre os primeiros de nossos irmãos, que fizeram parte dessa nossa Igreja e que se tornaram clérigos na realidade. Nos lembra que nossa Igreja é lugar de florescimento, de poda e de amadurecimento de vocações. E nisto a Igreja no Hotel tem muito a colaborar. Porque, por mais que hajam pessoas que conseguem viver quase um alter ego aqui, o que talvez seja muito problemático, a maioria de nós somos aqui o reflexo de quem somos na realidade. E na vida comunitária que aqui temos, podemos crescer uns com os outros. Também nos reflete quem aquela pessoa será na Igreja da realidade. Não sem excessões, o clero acaba sendo um termômetro para a própria pessoa que quer abraçar o chamado à vida sacerdotal, de perceber os sinais da vocação, e até mesmo de perceber que não os tem. A Igreja também nos ensina a lidar com o outro enquanto outro, nas nossas diferenças. Nestes sentidos, nossa Igreja tem muito a contribuir com cada um de nós. E Dom Darci foi alguém que soube vivenciar muito bem essa experiência que a Igreja do Habbo o concedeu. Aqui por muitos anos se desgastou. No seu período de pausa no processo formativo, largamente doou seu tempo e sua sabedoria à Igreja. Um homem sempre muito disposto a abraçar as missões lhe foram confiadas, e muito sincero consigo mesmo e com a Igreja quando não podia desempenha-las. Seu amor e carinho especial pela Mãe Aparecida, o devotou não apenas o cuidado com a casa da Mãe, mas, também e sobretudo, o ofício de Arcebispo de Aparecida. Pensarmos em Dom Darci é pensarmos num homem simples, que soube ajudar a Igreja muitas vezes no silêncio, ajudando os outros, estando com, sendo presente. Pensarmos em Dom Darci é pensarmos em gratidão a Deus por sua vida, pelo seu ministério, por tudo que fez e viveu conosco, e pedir a Deus que o acompanhe e esteja com ele neste novo estado de vida. Em segundo lugar, amados irmãos e irmãs, pensemos na morte do cristão. Nós não fomos criados para ficarmos eternamente neste mundo. Mas, esta morte que nós conhecemos, que é incerteza, que é dor, não estava nos planos de Deus. Por isso, a Ressurreição de Jesus Cristo dá novo sentido à nossa morte. Sim, pecamos. Mas estamos cheios da esperança que Deus, em sua misericórdia, perdoe os nossos pecados de um modo ainda maior do que somos capazes de perdoar. Nós tememos a experiência da morte. Tememos porque nossa fé ainda não é do tamanho de uma semente de mostarda. Temos medo de cair na escuridão, na inexistência. Temos medo porque não somos capazes de imaginar a morte como experiência além do espaço e do tempo. Aí transformamos em nossa imaginação o céu, o inferno em lugares. Contamos até dias de purgatório, num lugar que não há tempo. Mas, irmãos e irmãs, diante de todo esse mistério que envolve a morte do cristão, tenhamos esperança. Tenhamos esperança que viveremos para sempre em Deus. Tenhamos esperança pois a vida saiu vitoriosa na batalha entre a morte e a vida. Tenhamos esperança porque ele foi nos preparar um lugar no céu. Não um lugar físico, não mais uma morada física, mas uma morada, um lugar eternos. Eterno é aquilo que não tem começo, nem meio e nem fim. Lá Deus será tudo em todos. E eu acredito que quando fecharmos os olhos neste mundo para abrirmos em Deus, ele só fará pergunta no juízo: "AMASTE?". E eu e você responderemos com toda sinceridade possível o quanto amamos e o quanto não amamos. Deus não nos acusa. O divisor nos acusa. Nós nos acusaremos, e agora sabendo de todas as coisas. O Espírito Santo será nosso advogado. Nossos juízes o Pai e o Filho. O Pai que amou tanto o mundo que enviou seu Filho. O Filho que amou tanto o mundo que morreu na cruz por amor. Amados irmãos e irmãs, diante deste tribunal, como não confiarmos na infinita misericórdia? Ele nos julgará com justiça. Mas, até o último instante de nossa vida, até o último sopro de existência em nós, ele estará procurando um meio de nos converter para que sua sentença para nós seja a misericórdia. Assim seja! Amém.
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