quinta-feira, 1 de agosto de 2024

02.08.2024 | Missa Exequial de Dom João Pedro Cardeal Silva

Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para nos despedirmos de nosso amado Dom João Pedro Cardeal Silva. Nos despedirmos desse querido irmão, é nos despedirmos de um homem muito simples, que sempre agiu no silêncio. Dom João Pedro não precisou de palcos, de grandes catedrais, nem de tantas coisas superficiais, para falar de Jesus Cristo. Era um homem que pouco falava, mas, que quando falava, era pra espalhar o doce odor do Cristo. Seu exemplo permanecerá entre nós, como modelo de simplicidade. Amados irmãos, a morte sempre causa em nós um processo de luto. De fato, o luto faz parte de nossas vidas e é vivido de diversos modos e por diversas circunstâncias. O processo do luto nem sempre está ligado a um ente querido falecido. Às vezes vivemos o luto pelos términos de ciclos na vida social, profissional, amorosa, ou outros ciclos em nossas vidas. Fato é, que o luto faz parte de nossas vidas e não podemos fugir dele. Mas, para nós, cristãos, o luto pela morte é um luto revestido pela esperança. A primeira leitura, retirada do Segundo Livro dos Macabeus, é um relato de como Judas Macabeu oferece um sacrifício pelos mortos, pois crê na ressurreição final. De fato, é neste período, que surge o judaísmo como a religião que conhecemos - pois antes eram muito mais exclusivamente uma etnia e moradores de uma região - e com ele a fé na ressurreição. E sua fé não era desamparada. Pois, na plenitude dos tempos, o Filho de Deus, morreu e ressuscitou por primeiro, para que nós pudessemos seguir, também, o mesmo caminho. O Evangelho é justamente essa Páscoa do Senhor, sua Passagem, sua Morte e Ressurreição. A narrativa de São Lucas diz que cortina do santuário rasga-se, ou seja, estamos reconciliados com o Pai, e podemos entrar em contato com Ele, e Jesus morre na cruz. O Evangelho traz aquele texto que cantamos como refrão do salmo. Este é o grito de Jesus Cristo que se lança confiadamente nas mãos do Pai. Ele sabe que o Pai não o deixará na morte. O Pai não o desamparará. Ele se lança e o Pai o acolhe. Como a criança que não tem medo, pois confia no pai. Assim foi Jesus. Ele nos ensina a confiar em Deus. Confiar em Deus durante a nossa vida, mas, também confiar em Deus na hora de nossa morte. Porque um dia os nossos olhos vão se fechar para este mundo. E aí, confiamos em Deus. Ninguém sabe como será. O filósofo Blaise Pascal defendia que a crença em Deus era uma aposta. Podemos crer em Deus, viver a vida toda como crentes, morrermos e Deus não existir. Mas, aí, não haverá arrependimento, nem possibilidade de arrependimento. Porém, se apostarmos que Deus não existe, vivermos a vida do nosso jeito, e na morte nos encontrarmos com Deus, nos arrependeremos, mas não haverá mais possibilidade de remissão. Portanto, mesmo que assustador pensarmos na morte, apostemos em Deus. O Evangelho continua com a narrativa da manhã do domingo, quando as mulheres encontram-se com os anjos que anunciam que Jesus Ressuscitou. Nossa fé está embasada em Jesus Cristo Ressuscitado. Nós cremos e professamos um Senhor que é vencedor sobre o pecado e a morte. Ele, com sua Páscoa, destruiu a morte, o Diabo, o inferno. Portanto, confiemos, tenhamos fé em nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado, que nos revelou o Pai, e que nos precede no céu, para que, quando fizermos a nossa páscoa, nos uniremos a sua Páscoa. Tenhamos essa esperança e certeza, de que, quem se lançar ao Pai durante a vida, no fim dela será acolhido em seus braços e abraços. Assim seja! Amém.

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