segunda-feira, 5 de agosto de 2024

05.08.2024 | Consistório Ordinário Público

Eminentíssimo Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, que em breve irá completar dois anos como Decano do Colégio Cardinalício, amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para concedermos o barrete cardinalício ao eminentíssimo Dom Junior Assis. A leitura que ouvimos nos leva ao dia de Pentecostes, quando pela ação do Espírito Santo, os discípulos começam a anunciar o Evangelho em diversas línguas, de modo que todos entendiam. Esta perícope nos remete à universalidade da Igreja. Embora sejamos muitos, falemos muitas línguas, formamos um só corpo, o Corpo de Cristo. E, nesta mesma universalidade, onde destaca-se a unidade como dom, está presente também o dom da diversidade. Formamos uma unidade na pluralidade. Nenhum de nós é igual ao outro. Somos todos diferentes. Cada um de nós com a sua história própria, com uma caminhada de vida. Cada um de nós olha para a realidade a partir de uma perspectiva. Cada um de nós possui um dom e um carisma diferente. Cada um de nós, dentro dos diversos carismas existentes dentro da Igreja, fazemos nosso encontro com Jesus Cristo do nosso modo. E isso, antes de ser um problema, é, na verdade, uma bênção. Caríssimo Dom Junior Assis, é a essa diversidade que o senhor, bem como todos os cardeais, deve estar a serviço. O cardeal não impõe seu modo à Igreja, como nem o papa o faz. A perspectiva é a do serviço. Saiba, Dom Junior, que recebes o cardinalato como uma honra. Pois, de fato, o cardinalato é uma honraria, um mérito, um título. Mas, ao mesmo tempo que é um título, traz acarretado consigo uma ministerialidade, um serviço, que não pode ser separado da honra. Até porque, no mesmo livro dos Atos dos Apóstolos que ouvimos, mais adiante, o autor sagrado recorda um dito de Jesus: "É mais feliz quem dá do que quem recebe.". É mais feliz, Dom Junior, aquele que serve. O senhor recebe esse cardinalato hoje por causa de vosso serviço a Igreja por meio da minha pessoa, da pessoa do Romano Pontífice, ao longo deste pontificado. Vossa fidelidade foi comprovada há muito tempo, embora instável. Agora, lhe conferimos esta honra com grande alegria. Mas, não posso deixar de dizer, que não deixe o cardinalato lhe distanciar dos bons propósitos. Porque, dhiscordando de Maquiavel, que em O Príncipe diz que o príncipe deve ser amado e temido, eu lhe digo que o cardeal deve ser amado e respeitado. E o respeito é consequência imediata de ser amado. Olhamos, sempre, sob uma perspectiva cristã, da Boa Nova de Jesus Cristo. E, aí, o principal é amar e ser amado. O respeito não se impõe, se conquista. Se conquista pelo exemplo. E hoje percebemos que os cardeais não são mais aquelas figuras que eram em tempos passados. Longe disso ser negativo, nos mostra que não é a cor que usamos que deve nos destacar, nos fazer ser respeitados, mas, o quanto somos testemunhas de Jesus Cristo pela nossa vida, ação e ministério. Que o senhor, Dom Junior, e todo o colégio cardinalício, seja essa testemunha, que como o vermelho de vossas vestes, estejam dispostos a ir até as últimas consequências do seguimento de Jesus Cristo, que é o amor.

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