segunda-feira, 25 de março de 2024

25.03.2024 | Missa do Crisma

Saúdo com estima Dom Vito Cardeal Lavezzo, vigário geral para a Diocese de Roma, em nome do qual saúdo com igual estima todo o clero romano e todo o clero aqui reunido neste dia em que celebramos a Missa do Crisma. Esta antiguíssima liturgia, que caiu em desuso durante a ideia média, quando proibiram-se as missas vespertinas, e a missa da Ceia do Senhor passou a ser celebrada na manhã da Quinta-feira Santa, foi retomada pelo Concílio Vaticano II e manifesta de um modo muito belo a unidade da Igreja no seu presbitério, que se une ao seu Bispo para abençoar o óleo dos catecúmenos, dos enfermos e consagrar o Crisma. Já a antífona da entrada demonstra a beleza desta liturgia: Jesus Cristo fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai. Sim, irmãos e irmãs, Jesus Cristo fez de nós um reino de sacerdotes. Somos um reino sacerdotal pela força batismal, capazes de oferecermo-nos a nós mesmos ao Senhor. Mas, a alguns deste reino sacerdotal, o Senhor Jesus escolheu para exercer este sacerdócio enquanto ministério. Em primeiro lugar, os Bispos, os apóstolos e seus sucessores. Em segundo lugar, os presbíteros, como extensão dos Bispos. Ainda assim, Jesus Cristo é o sacerdote por excelência, capaz de dar-se a si mesmo em sacrifício, transpassado, mas que hoje está glorioso no céu, onde continua a oferecer-se a si mesmo. Assim como cumpriu-se plenamente em Jesus Cristo, em nós, homens chamados ao ministério sacerdotal, repousa o Espírito Santo que envia para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor. De fato, irmãos, isto cumpre-se plenamente em Jesus Cristo, e a nós por subsequência. Todos nós assumimos a missão do Cristo. É fácil, às vezes, falarmos em agir "in persona Christi" na liturgia, mas se esquecer de ser a pessoa de Cristo fora também da liturgia, manifestando a graça, o amor de Deus. Este é um grande risco que tira de nós o ministério sacerdotal como dom e o torna um fardo pesadíssimo e difícil de ser carregado. E o Espírito que nos envia a ser ministros de Deus - na linguagem do profeta Isaías  - é o Espírito que nos unge e nos mandar dar o óleo da alegria. A oração de consagração do Crisma que recitaremos em alguns instantes, nos fala da força deste óleo. Os óleos dos enfermos e dos catecúmenos são abençoados para dois momentos tão singulares da vida: o Batismo e a unção dos enfermos. O Santo Crisma - não meramente o óleo do Crisma - é consagrado. Nele está toda a força santificante do Espírito Santo para os Batizados, para as crismas, para as ordenações, para as dedicações. O Santo Crisma, que dá nome a esta missa, manifesta toda a força do Espírito Santo em seu suave odor e com ele é ungido tudo que é escolhido para ser consagrado. O termo "ungido", traduzido para o hebraico e transliterado, é "Messias". Jesus Cristo é o Messias, o escolhido, o ungido, sobre o qual repousa toda a fortaleza do Espírito Santo. E sobre nós, também, ungidos pelo sacramento que é este sagrado Crisma, repousa o Espírito que nos envia e fortalece na missão. Que neste dia, irmãos sacerdotes pelo ministério, onde recordamos da nossa unção, do nosso envio, e da instituição do sacerdócio por Jesus Cristo na última ceia, renovemos não só nossos propósitos sacerdotais como meras palavras, mas como verdade, como propósito de fazer uma Igreja renovada, uma Igreja sempre nova, uma Igreja toda ungida por estes óleos da alegria, onde a doce fragância do Cristo Ressuscitado, na força do Espírito Santo, seja sempre abundante entre nós. Amém.

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