Eminentíssimos senhores cardeais, excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade de São José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Padroeiro da Igreja Universal e dando início ao meu ministério como Bispo de Roma com a recepção do anel do pescador e do pálio pastoral. O anel nas antigas famílias vinha marcado com o brasão de família. Era uma herança que ia se passando, era sinal de pertencimento. O anel do pescador, por sua vez, novo a cada papa, também é sinal de uma herança e de pertencimento aos que sucedem daquele humilde pescador da Galileia, que tem sua imagem cravada no anel, e que se chama Pedro. A Pedro não foi prometida herança alguma, descendência alguma, mas ele teve sua sucessão initerrupta até os nossos dias. Esta Igreja, fundada sobre a rocha que é Pedro, foi confiada também a um homem, antes mesmo de ser Igreja: a José. A este homem, da descendência de Davi, que ia receber Maria como esposa, foi confiado Cristo. São José assumiu esta missão de ser o pai adotivo de Jesus como a missão de sua vida. Permanece ao lado de Maria para que ela não seja passada por infiel, não a abandona, cuida dela no parto, foge com ela para o Egito para que o menino não fosse morto... Um pobre carpinteiro. Ele ensinou ao Senhor Sapientíssimo, a ler as Escrituras, conhecer a Torá. Ensinou ao que vivia na intimidade do Pai a como rezar. Ensinou a Palavra que fez todas as coisas do mundo a profissão de carpinteiro. Ensinou ao que pediu licença para se encarnar, a respeitar sua mãe. A promessa feita pelo Senhor a Davi lá no livro de Samuel se cumpre em José. Que mesmo não sendo pai bilógico de Jesus, o transmite a sua descendência. E porque a ele foi confiado o cuidado de Jesus Cristo, foi confiada também a ele o Corpo místico de Cristo que é a Igreja. A oração coleta de hoje diz ainda mais forte: a ele foi confiado o cuidado dos mistérios da salvação humana e a Igreja deve conservá-los e levá-los a plenitude. Porque nós somos a descendência também de Abraão, da qual fala São Paulo na Carta aos Romanos, somos também herdeiros da promessa e povo da aliança. Somos essa posteridade inimaginável, incontável como as estrelas do céu, por meio da fé. Trazemos como Igreja, como cristãos, e pessoalmente, esta missão de cuidar da Igreja, de cuidar de Jesus. Cuidar da Igreja é cuidarmos desta nossa instituição, que é tão divina mesmo sendo tão humana. Cuidar de Jesus é cuidarmos da nossa fé, mas é também cuidarmos dos nossos irmãos e irmãs. Esta dupla característica nunca pode ser esquecida, senão caímos numa fé falsa. Temos que salvar as almas e os corpos. São João Crisóstomo diz para não adornarmos o altar e desprezarmos o corpo dos nossos irmãos e irmãs pobres, porque isso seria incoerência. A palavra-chave aqui é cuidado: cuidar da Igreja, cuidar da fé, cuidar do que está marginalizado. Mas, e aqui tem um mais muito importante, só é capaz disso quem tem coragem. O Evangelho que ouvimos nos diz que quando José resolve abandonar Maria, ainda em segredo, o anjo lhe aparece e diz: "Não tenhas medo de receber Maria como tua esposa.". Hoje o anjo nos diz:"Gregório - e diz o nome de cada um de nós - não tenha medo de tomar esta Igreja, de abraça-la como tua responsabilidade e de cuidar dela, de cuidar da fé, do depósito da fé e da vivência da fé, de cuidar dos que precisam de ti." Não tenhamos medo! Sejamos homens e mulheres corajosos para correspondermos a este chamado! Este chamado que é para todos nós, porque eu não sou a Igreja. Gregório IV é o papa, é o primeiro, é o que guia, mas a Igreja não se reduz a mim e nem toda a responsabilidade pela Igreja é minha. A Igreja é de Cristo e a Igreja é nossa! Por isso, todos somos corresponsáveis pela nossa Igreja. E vamos continuar patinando em tantas coisas enquanto não assumirmos essa corresponsabilidade, enquanto não entendermos que todos nós temos uma missão e devemos cumpri-la. Não há missão mais ou menos importante na Igreja, cada missão é única, especial e irrepetível, cada missão é modo de exercermos esse cuidado com o Corpo Místico de Cristo. Que São José nos ensine a sermos fiéis a Deus e a cuidarmos - todos juntos - desta nossa Igreja que é para nós herança dos que passaram e presença de Deus no nosso meio. Assim seja! Amém.
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