Excelências, irmãos e filhos,
Reunimo-nos hoje, não apenas como líderes da Igreja, mas como guardiões de uma fé viva e vibrante que é o coração pulsante de nossas comunidades. É com um espírito de fraternidade e responsabilidade que vos exorto a reacenderem a chama do vosso chamado episcopal. Como Bispos, sois chamados a serem mais do que figuras distantes; sois convocados a serem pastores visíveis e atuantes, presentes nas atividades da Igreja, nas missas do papa, dos arcebispos, e em cada celebração que une os fiéis em oração e adoração. Vós deveis ser vistos, excelências. Não recebestes as vossas mitras para deixá-las guardadas embaixo do colchão. Não! Vós tendes a missão de serem presentes e presença. Ser presença é ser marcante, e a nossa marca deve ser o doce odor do Cristo Bom Pastor. Por onde passamos, devemos deixar nossa marca de alegria, marca de esperança, marca de fé, marca de amor, de caridade. Recordai-vos, excelências, que o Bispo não é um mero padre, pároco ou capelão. Sois sucessores dos apóstolos, investidos com o tríplice múnus de ensinar, governar e santificar. Ao refletirmos sobre o nosso papel enquanto Bispos, é imperativo que compreendamos plenamente o tríplice múnus que nos foi confiado: o múnus de ensinar refere-se à nossa responsabilidade de pregar o Evangelho e ensinar como mestres. Somos os arautos da fé, chamados a trazer Cristo aos novos discípulos e a sermos os doutores autênticos da fé apostólica, munidos da autoridade de Cristo. Nós somos os guardiões do despositum fidei. O múnus de santificar nos lembra que como Bispos, somos encarregados de dispensar a graça do sumo sacerdócio, especialmente na Eucaristia, que oferecemos pessoalmente ou cuja celebração garantimos por meio dos presbíteros nossos cooperadores. Por isso que não se pode - algo que já vi reclamações - o Bispo concelebrar um presbítero. O presbítero é extensão do nosso braço. "Ah, mas na vida real eu já vi isso acontecer." Eu também já e mostra duas coisas: não temos clareza nem da teologia do sacramento da ordem e nem da Eucaristia. A Eucaristia é o centro da vida da Igreja particular, e por meio dela, juntamente com a nossa oração e trabalho, santificamos a Igreja. Por fim, o múnus de governar envolve dirigir as nossas Igrejas particulares como vigários e legados de Cristo, utilizando nossos conselhos, incitamentos e exemplos, mas também com autoridade e poder sagrado, que devem ser exercidos para edificação e no espírito de serviço do nosso Mestre. Talvez vossa excelência seja um bispo auxiliar, mas este múnus é partilhado pelo arcebispo com vossa excelência. Vejam, auxiliares, vós deveis ter proximidade com vosso arcebispo. Conversem, levem questões, partilhem do ministério. Muitas vezes o ministério é pesado porque não partilhamos. Vejam o papa tem a toda a chúria romana. Vós também deveis dividir as funções, partilhar o ministério. Se a arquidiocese vai mal, é culpa não só do arcebispo, mas culpa de todos, em primeiro lugar dos bispos. Tanto que nosso critério sempre é: fulano não sabe nem ser bispo auxiliar, como vai assumir um outro trabalho mais exigente? Não que ser bispo auxiliar seja simples, não. Mas, você está sobre o amparo de outro. Irmãos, sejam unidos e partilhem do ministério. Redescubram o papel do episcopado, que é fundamental para a orientação e crescimento espiritual do povo de Deus. No âmbito da formação presbiteral, urge que sejais ativos e próximos dos seminaristas. Acompanhai-os com sabedoria e amor, sendo vós mesmos formadores que inspiram e preparam a próxima geração de sacerdotes para os desafios e alegrias do ministério. Quantos seminaristas cada um aqui formou nos últimos meses? Os senhores podem e devem ser formadores diretos e se for o caso podem até ser reitores dos seminários. Isto, em nossa realidade, é função do bispo auxiliar também. Porque, às vezes, mal tem padre para o bispo auxiliar ajudar a cuidar, aí o bispo fica com as perninhas pra cima, descansando. Esta função também é dos arcebispos, a quem eu exorto a terem também seus seminaristas para formar. A atual apostila de formação só exige o acompanhamento e ainda assim a gente não acompanha. E, se não acompanha os seminaristas, muito menos acompanha os padres. Aí eles se dispersam, desistem, e ninguém sabe porquê. Porque falta, justamente, proximidade, meus queridos, proximidade. A Igreja clama por um senso renovado de corresponsabilidade. Este deve ser o alicerce de nosso serviço: uma colaboração frutífera que reflete o amor de Cristo pelo seu rebanho. A corresponsabilidade na Igreja, por sua vez, é um conceito que reflete a responsabilidade compartilhada entre todos os membros da comunidade eclesial. Significa que cada um de nós, impulsionado pelo Espírito Santo, deve contribuir ativa e generosamente para o bem comum, apoiando uns aos outros. Quando alguém se perde, quando algo deixa de ser feito, quando a missão não é bem cumprida, a culpa é de todos nós. Por isso, também a missão é de todos nós! Que este encontro reafirme nosso compromisso comum e fortaleça nossos laços de unidade e propósitos. Assim seja! Amém.
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