segunda-feira, 18 de março de 2024

18.03.2024 | Missa pro Ecclesia

 Saúdo Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, digníssimo decano do Colégio Cardinalício, em nome do qual saúdo todos os eminentíssimos senhores cardeais aqui presentes e todos os demais irmãos que participam desta Eucaristia neste dia em que rezamos esta missa pela Igreja. A liturgia da Palavra que ouvimos, neste dia em que comemoramos a memória de São Cirilo de Jerusalém, nesta quinta semana da Quaresma, nos conta na primeira leitura a história de Susana. Não quero me tornar enfadonho na repetição da longa história de Susana, narrada pela profecia de Daniel, mas desejo que possamos colocar esta história na celebração que realizamos. Susana é a mulher bonita e temente a Deus. E dois anciãos foram nomeados juízes. Os dois, apaixonados por ela, queriam possuí-la. Por não poderem, fazem de tudo para acabar com ela. Daniel é aquele que pega os "dois velhos encarquilhados no mal" na mentira. Pois bem, Susana é a Igreja: bela, sempre exuberante, é a Igreja do Senhor. Os anciãos são os clérigos não mais velhos, mas, os que veem na Igreja um objeto de poder, de carreirismo, de crescimento. Estes não podem possuir a Igreja porque ela já pertence aos que a amam e acima de tudo pertence ao Senhor. Daniel é todo aquele que promove a Igreja. Talvez não tenha ficado muito claro o que quero dizer, portanto explico: a história de Susana, hoje, para nós, devem nos lembrar que no nosso meio pode ter gente que queira a Igreja para si, uma Igreja do seu jeito, uma Igreja de acordo com seus ideais, uma Igreja que faça as coisas conforme a pessoa pensa que deva ser. Mas, não é assim que funciona. E por mais que estes queiram desmerecer os outros, por mais que não queiram colaborar no ministério dos outros, por mais que fiquem como crianças emburradas que não conseguem o que querem e por isso fiquem prejudicando a Igreja, a Igreja é de Cristo, não se vende e não se compra. Mas a justiça sempre é feita. Àqueles que não amam a Igreja não tem lugar nela. Não tem! Além disso, o caso de Susana é um caso de tentativa de abuso sexhual. Por isso, ao rezar hoje pela Igreja, rezemos por todas as vítimas de abuso sexhual, de poder e de consciência por parte dos membros do clero, e por parte dos membros do nosso clero. Infelizmente achamos que isso não existe no nosso meio. Porém, existe e é nossa missão tirar quem soubermos dessa situação de nosso convívio. No Evangelho de hoje, esta perícope tão conhecida phor nós da mulher adúltera. Vejam como o caso de Susana se repete: os velhos, mesmo pecadores, foram levar àquela mulher para ser apedrejada. Isso é comprovado pelo fato de que quando Jesus diz que quem não tiver pecados deve ser o primeiro a atirar a pedra, eles não atiram. Eles se reconhecem pecadores. E nem Jesus condena a mulher, ele a perdoa e a ama. Percebamos, pois, que na Igreja não há espaço para julgar ninguém. Não há espaço para condenar alguns como os mais pecadores e elevar outros como os mais santos. - Mulher, ninguém te condenou? - Ninguém, Senhor. - Nem eu te condeno, vai e não peques mais. Quando chegam as pessoas até nós, na Igreja, nós não condenamos, não lascamos a doutrina em cima delas. Antes, primeiro nós as acolhemos e as amamos. Mesmo pecadoras. Mesmo "indignas" (como se nós fossemos mais dignos). Mesmo feridas e machucadas pelas estradas da vida que as fizeram chegar até aqui. Mesmo com tudo isso, nós acolhemos. A conversão vem depois, como um processo. Antes, acolher. Quando ver a fragilidade do teu irmão aqui dentro da Igreja, olha primeiro pra ti e veja se é lícito você condená-lo. Oxalá na nossa Igreja todos nos ajudassemos, oxalá ninguém quisesse tê-la para si, mas todos sermos para ela e sermos uns para os outros, como verdadeira comunidade dos filhos de Deus: Igreja santa, constituída por nós, homens tão fracos e pecadores, mas a caminho da santidade. Assim seja! Amém.

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