Meus amados irmãos, celebramos hoje o quinto Domingo da Quaresma. Relembremos dos domingos anteriores. Os primeiros três domingos ouvimos a narrativa das três primeiras alianças: Noé, Abraão e Moisés. No domingo passado vimos essa aliança rompida pelo povo, que teve como consequência o exílio na Babilônia. Hoje, nós estamos voltando deste exílio. Deus, pela boca do profeta Jeremias anuncia que firmará uma nova aliança. Esta nova aliança não precisará ser ensinada - como era o Shemá Israel - não precisará ser firmada, porque a pertença do povo a Deus, agora, será por um vínculo no coração, tão profundo e forte que nada pode romper. Isso posto, ouvimos no Evangelho que os gregos queriam ver Jesus por ocasião da festa da Páscoa. Estamos no Evangelho de São João já na terceira Páscoa de Jesus em Jerusalém, esta que foi a sua Páscoa. Os gregos não eram simplesmente gregos, pois ele foram adorar em Jerusalém. Então, ainda podiam ser politeístas, mas também já podiam ser gregos convertidos ao judaísmo. De qualquer modo percebemos que seja por uma tendência a fé ou seja já pela fé no Deus único, esses gregos já tinham cravada no seu coração a aliança. E Jesus, quando vai falar, não ensina com um discurso aos gregos, tão dotados de entendimento, mas usa as palavras mais simples para descrever àquele momento que estava chegando. De fato, irmãos, Jesus coloca o desapego da vida como critério aos que o querem seguir. Hoje, o que falta em nossa Igreja não é gente, não é uma questão de números. Falta-nos gente interessada e compromissada com a Igreja. Temos nomeações cheias, mas sempre estamos reclamando que falta gente para assumir as coisas. Entendemos que algo está errado? Quando reclamamos que sempre as mesmas pessoas ocupam as mesmas coisas; quando reclamamos que alguém mais jovem ocupou um posto hierarquicamente mais alto; não percebemos que algo está errado também conosco? Que talvez falte da minha parte demonstrar interesse, compromisso, desapego? E como é difícil nos desapegarmos da nossa vida, irmãos queridos! O próprio Senhor Jesus sentiu a angustia. Mas, ele próprio se questiona como se livrar disso, se esta é exatamente a sua missão? Meus irmãos, como não sermos compromissados com a Igreja se esta é nossa missão? Quando somos nós compromissados com a Igreja, nós glorificamos a Deus, assim como Jesus veio para em sua missão glorificar o Pai. A voz do Pai, no Evangelho que ouvimos, confirma a missão do seu Filho. Deus que outrora era inatingível, que pouquíssimos podiam ouvir falar, agora falou diretamente conosco, e fala ainda mais pela boca do Filho, e continua a falar hoje por meio das Escrituras. O Evangelho termina com Jesus falando que quando for levantado da terra, atraíra todos a sí. Somos atraídos por Jesus? Se fossemos, seriamos comprometidos com Jesus. Nós nos deixamos encantar por Jesus? Irmãos queridos, é preciso se encantar, se apaixonar pela pessoa de Jesus Cristo para poder desapegar-se da sua vida, para poder ser seu discípulo, para viver na nova e eterna aliança. Esta nova e eterna aliança, recorda-nos o autor da Carta aos Hebreus, foi firmada pela obediência do Filho ao Pai, não poupando a própria vida, para ser causa de salvação aos que lhe obedessem. Que nesta caminhada quaresmal, este êxodo para a Páscoa da Ressurreição, o Senhor crie em nós um coração que seja puro, capaz de atraír-se, capaz de encantar-se, capaz de compromissar-se, capaz de desapegar-se, capaz de firmar com Deus um pacto, uma aliança de amor, no Sangue de Jesus. Assim seja! Amém.
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