segunda-feira, 4 de março de 2024

04.03.2024 | 1ª Colocação

Meus amados irmãos, nesta nossa primeira colocação do nosso retiro, cujo tema é "Por uma Igreja sinodal: 'levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura.' (Jo 13, 4).", quero falar-vos sobre a pessoa sinodal e a conversão. Primeiro, precisamos entender o que é sinodalidade. Sínodo, como já ouvimos ad nauseam, é "caminhar juntos". Papa Francisco levantou essa discussão sobre a sinodalidade dentro da Igreja. Devemos entender que viver de modo sinodal é profético. Nós estamos diante do individualismo, do populismo e do globalismo e queremos falar de sinodalidade, de estar juntos. Justamente por isso é profético. Mas, não dá para mudar a Igreja e a sociedade se não mudarmos a nós mesmos. Às vezes nós nos assustamos, por exemplo, com a Campanha da Fraternidade aqui e acolá, ou com um padre que faça um discurso mais voltado para o social, mas, não entendemos que a conversão social depende da nossa conversão pessoal e vice-versa, são duas realidades intrisicamente unidas. Tertuliano dizia que a dor de um membro dói em todo o Corpo de Cristo. O erro de um, deste modo, é responsabilidade de toda a comunidade. Se há dentro da Igreja alguém que não esteja no espírito de sinodalidade, não conseguimos fazer com que toda a Igreja caminhe junto. Mas, sinodalidade não é apenas uma palavra bonita, um ideal distante. Sinodalidade não é um modelo de Igreja, sinodalidade é um modo de agir pessoal. Falarmos de conversão à pessoa sinodal, é pensarmos uma pessoa que esteja embuída dos valores e de uma espiritualidade sinodal. Aí entra o primado da graça de Deus. Podemos falar e falar de sinodalidade, de ministerialidade, de mudanças na nossa Igreja, mas se faltar profundidade espirutual no que fazemos é apenas hipocrisia, é a Igreja fingindo que mudou e não vai dar em lugar nenhum. E quanta gente tem dentro da Igreja torcendo para isso. Porque nós queremos dar manutenção aos nossos mini poderes, às nossas ilusões de poder. Justamente falta nestas pessoas e falta em todos nós uma conversão, que não é meramente um aderir ao catolicismo, mas é uma conversão à lógica do Reino de Deus. Devemos transpirar o Reino de Deus. O Reino de Deus tem uma proposta de vida e de mundo e implica em entrar num processo de conversão. Aí está o primado da graça: não somos nós que nos convertemos, é Deus que nos faz voltar. Deus só age quando damos espaço e nos abrimos a isso. E quando damos espaço a Deus, percebemos a nossa dificuldade em viver o Evangelho. Porque o Evangelho não é apenas um conjunto de normas, mas, é uma pessoa viva que é Jesus Cristo. Não nos obriga só a uma realidade meramente intimista, mas, nos interpela a uma vivência comunitária da fé, ou melhor, uma fé que tenha incidência real no mundo que vivemos. E quando fazemos essa experiência de Jesus Cristo, nós percebemos que Jesus Cristo era uma pessoa sinodal. Aí, irmãos queridos, ser uma pessoa sinodal é consequência de seguir a Jesus. Há, então, uma coerência que se espera dos discípulos de Jesus, de suas falas ao seu agir. Todos nós somos incoerentes, porque estamos num processo de conversão. Mas, quando não nos esforçamos neste caminho, somos hipócritas. E, ah, meus irmãos, Jesus Cristo não condenou nada mais que a hipocrisia. E quantos hipócritas temos dentro de nossas igrejas e quanto de hipocrisia não há dentro de nós? "Senhor, ainda bem que não sou como este...", ou, então, ficamos julgando moralmente a vida dos outros, principalmente a vida sexhual. Este pecado moral não foi o mais combatido por Jesus: o mais combatido foi a hipocrisia. Nós não vamos conseguir diminuir Jesus por causa nossa, por causa da nossa hipocrisia. Mas, não podemos não acreditar naquilo que pregamos ou acreditar mas não nos esforçarmos para ser aquilo. Se fazemos isso, somos medíocres e isso é muito triste. Não é porque não estamos lá, ainda, na santidade, que não podemos trabalhar o caminho. Por isso, a meditação que vos proponho é: Estou disposto a mudar? Realmente? Verdadeiramente? Ou, então estou me enganando e já aceitei minha mediocridade?

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