Irmãos, estamos celebrando a missa do crisma. Esta celebração eucarística, que normalmente acontece na quinta-feira Santa pela manhã, é o momento de renovarmos as nossas promessas sacerdotais e abençoarmos os óleos que usaremos ao longo do próximo ano. É da celebração Pascal de Jesus Cristo que brota para nós o ministério sacerdotal, e nos alcança a graça do Espírito Santo. A liturgia desta celebração nos apresenta Jesus Cristo como ungido de Deus. Aquele que antes era premeditado no livro do profeta Isaías agora se faz realidade entre os homens. Cristo é ungido o eleito de Deus Pai, pois quis o Pai que seu Cristo fosse o cume de todas as coisas. Quando Jesus faz a leitura desse trecho da Escritura no Templo todos ficam pasmos, pois percebem que falava Dele. E ele próprio diz: "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que acabaste de ouvir". A Escritura alcança seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, Ele é o ungido por excelência e nós participamos da sua unção. De igual modo, irmãos, Ele é o sacerdote por excelência, mas, nos faz participantes de seu sacerdócio. A todos, pelo Batismo, e a nós, Bispos e Presbíteros, pelo Batismo e pelo ministério, Cristo fez sacerdotes. O sacerdote é aquele que oferece um sacrifício. Cristo é, ao mesmo tempo, sacerdote, altar e cordeiro, oferecido uma vez por todas pela humanidade. Pela nossa unção, nossa missão, aqui, é celebrarmos o memorial desse evento, e sermos anunciadores daquele que anuncia a Boa nova aos pobres; a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; a libertação os oprimidos e um ano da graça do Senhor. Essa é a nossa missão: de sermos outro Cristo. Sim, pelo Batismo, mas, muito mais nós que nos propomos a nos configurarmos a Jesus Cristo. E essa configuração a Cristo deve ser uma configuração a Ele naquele momento em que institui o sacerdócio: quando lava os pés dos discípulos. Nossa configuração é ao Cristo Servo. Ele institui o sacerdócio em razão da Eucaristia, e estes dois, em razão de seu mistério Pascal. Corremos o risco, irmãos, de colocar a Eucaristia a nosso serviço, os sacramentos a nosso serviço, a Igreja a nosso serviço, usando nosso discurso a nosso bel prazer, como se nós fôssemos o centro de tudo isso. Mas, não, o centro é Ele, é Jesus Cristo. Ele nos fez participantes de seu ministério e quer manifestar-se através de nós. Só que ele não poderá fazer isso se permanecermos de coração fechado, achando por nós mesmos que estamos certos, sem abertura ao crescimento, a escuta da Palavra, a obediência, aos modos como Deus quer falar conosco. Nós precisamos ter um coração próximo do coração do Senhor. Devemos ser como São João, que repousa sobre o peito de Jesus na Ceia. Façamos, irmãos Bispos e Presbíteros, do altar o lugar do repouso de noss´alma. Ele quer ser o lugar de renovar as forças para a missão, para o anúncio desse Senhor Jesus Cristo, nosso Mestre. Se um clérigo não tem proximidade, intimidade com Jesus e não celebra seus mistérios com a própria vida, ele está no lugar errado. A Liturgia, os sacramentos, o sacramento que nos marca, deve transformar a nossa existência humana. Depois de lavar os pés dos discípulos, de fazê-los sacerdotes, de dá-los a Eucaristia, Jesus transformou completamente a vida deles. Eles já não foram mais os mesmos, pois experimentaram o Senhor. Que, nessa Páscoa, possamos de fato morrer e ressuscitar com Cristo, deixarmos para trás o velho homem e abraçarmos a vida nova. E todos nós, irmãos, ungidos por esses óleos nos sacramentos, recordemos a força de Cristo que nos batiza, que nos fortalece na doença. Sobre os que descer a unção do Santo Crisma venha também o Espírito Santo, e nos faça participantes do convívio que Cristo conquistou para nós pela sua morte e ressurreição. Por fim, continuemos celebrando esse memorial e vivendo de acordo com ele, até o dia em que Cristo vir sobre as nuvens, imolado e Ressuscitado, Vitorioso para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário