Irmãos e irmãs, como celebrar um domingo da alegria na metade da quaresma? Nós estamos nesse caminho quaresmal, rumo a Páscoa do Senhor, e nosso coração já bate mais forte pois se aproximam os dias da vitória sobre o antigo inimigo, e nós queremos chegar lá exultantes de fé. Mas, para isso, precisamos antes passar pelo exílio. Essa experiência do povo hebreu é hoje a nossa experiência que tão bem se expressa no salmo 136. Nosso coração pode estar exilado de Deus, sentindo saudades de Deus. Isso porque, como diz São João Paulo II: “A pessoa humana tem uma necessidade que é ainda mais profunda, uma fome que é maior que aquela que o pão pode saciar: é a fome que possui o coração humano da imensidade de Deus”. Nosso coração, irmãos e irmãs, anseiam por Deus e o querem a todo custo. Hoje os homens e mulheres se separaram de Deus, procuram outras razões para a felicidade, outros deuses. Mas não encontrarão neles a satisfação, a realização, que só Deus pode dar. Se um casal de esposos não tem Deus - embora ache que tenha, se um presbítero não ama a Deus - ama a si próprio, não há verdadeira realização. Pois muito mais do que em nossas vocações particulares, a felicidade do nosso ser está na realização da nossa vocação universal, a santidade, que é a procura de Deus. Aos esposos isso se dá na verdadeira doação mútua, aos clérigos na doação a toda a comunidade. Mas, enquanto não há um esforço para isso, viveremos cativos no exílio com os nossos corações afastados de Deus. Nesse caso, vamos pendurar nossas harpas, nossos instrumentos de felicidade no Salgueiro, na árvore mais triste e infrutífera. Pelo contrário, devemos pendurar nossos instrumentos, nossa alegria na árvore da cruz, na cruz gloriosa do Senhor Ressuscitado. Devemos colocar nossa esperança no Senhor e então, apesar das dificuldades dessa vida, teremos esperança. Confiando no Senhor demos um passo para a realização de nossa alma. Aqui neste mundo sempre haverá tristeza e alegria, dor e júbilo, momentos bons e maus. Mas não podemos nos esquecer do Senhor, como os hebreus não podiam se esquecer de Jerusalém, do templo, da morada do Senhor. Antes que se cole nossa língua, que resseque nossa mão, que não possamos fazer mais nada, mas, que permaneça a esperança e confiança em Cristo, que é o mais importante. Coloquemos nossa esperança no Senhor crucificado e Ressuscitado. Olhemos para esse Cristo elevado sobre a cruz e vejamos que, através Dele, nos vem a vitória sobre o pecado, o mal e a morte e chega a alegria, o bem e a vida em plenitude.
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
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