HOMILIA NA MISSA
Irmãos, celebramos hoje a anunciação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebramos o dia em que Jesus Cristo, Deus eterno e Filho do eterno Pai, gerado antes dos tempos, entrou na história humana, se fazendo homem, assumindo a carne do pecado, para salvar a humanidade. Nós pecamos e quebramos muitas vezes a aliança com Deus. Mas, Deus sabia que chegou a hora de firmar conosco uma nova e eterna aliança, e essa é firmada em Jesus Cristo. O Salmista nos expõe muito bem essa dinâmica. Os nossos pecados quebraram nossa relação com Deus e ela precisava ser restaurada. Mas, Deus sabia que por nós mesmos não éramos capazes disso. Então, para que voltássemos os olhos para Deus, para que o peso que caía sobre nós não nos amassasse, não nos destruísse, o Filho eterno do Pai assume a missão de salvar-nos. Ele assume a natureza humana. Cristo, Jesus de Nazaré, não deixa para trás a natureza humana, mas une, em sua pessoa, a natureza humana e a natureza divina, o que chamamos de união hipostática. Um mistério difícil de compreender, mas, que nos basta simplesmente crer. Pois, Ele que sendo Deus não tinha pecado, tornou-se pecado por nós. Ele, que era Deus, esvaziou-se a si mesmo e tomou a condição de um escravo e fez-se aos homens semelhantes. Irmãos, vejam que profundida. Ele era Deus imenso e se fez homem! Assumiu em tudo a nossa condição. Que humilhante para Deus... Por isso, as vezes, temos a tendência de diminuir o que de fato aconteceu, mas não podemos. Ele se humilhou! Assumir a condição humana para Deus seria humilhante. Que outro Deus ouvimos dizer que se preocupa assim com seu povo? Como consequência do nosso livre arbítrio o Pai não podia nos obrigar a cumprir a aliança, mas, Ele não nos quer perder eternamente, por isso o Filho aceita se fazer sacrifício. Encarnando em Maria, Cristo inicia o processo sacrificial. Por isso faz sentido celebrarmos essa solenidade mesmo que em meio a quaresma: porque na encarnação inicia-se a caminhada para a cruz. O menino hoje encarnado é o Deus que contemplaremos em alguns dias morrer e ressuscitar. Que mistério é nosso Deus! No Evangelho ouvimos Maria dar seu fiat, mas, era o próprio Verbo de Deus, Jesus Cristo, que dava seu sim pela boca de Maria. Jesus aceita a vontade do Pai e se encarna para nos resgatar. E nós, por mais quanto tempo vamos continuar fugindo de Deus? Precisamos parar de fugir de Deus, precisamos nos voltar para Ele, comungar do cálice da nova e eterna aliança, vivendo de acordo com essa aliança e dizer, como Jesus: "COM PRAZER FAÇO A VOSSA VONTADE".
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
DISCURSO DE DESPEDIDA
Irmãos, que alegria poder ter partilhado com vocês esse bonito momento da nossa visita Apostólica. É sempre bom nos reunirmos irmãos. A fé católica não é uma fé individualista, mas, uma fé de comunidade. Quando os primeiros cristãos se reuniam nas catacumbas, era o momento auge da vivência em comunidade. Termos comunidade de fé, de amor, nos motiva e impulsiona no segmento de Jesus Cristo. ele próprio em sua vivência humana quis ter uma comunidade a comunidade dos discípulos, e dos apóstolos. E como comunidade que crescemos e evoluímos no seguimento de Jesus Cristo. Apenas no apoio mútuo os cristãos conseguem chegar a plenitude da vida em Cristo. Pois, viver em Jesus é viver na comunhão do seu Corpo, a Igreja. Deste modo, estivermos reunidos nesses dias nos animando, nos fortalecendo como comunidade de amor que reunida em torno de seu divino mestre espera receber os benefícios de sua misericórdia. Irmãos, estamos as portas da semana maior, momento em que celebramos com favor a paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Que possamos celebrar com amor estes mistérios, e que eles nos fortaleçam ainda mais no segmento de nosso Senhor. Meu objetivo aqui com vocês foi apenas um: falar sobre Jesus Cristo. Desejo que nesses próximos dias possamos mergulhar com profundidade no ministério de Jesus, sofrer com ele, morrer com ele, vencer a morte com ele. Como reflexão para essa semana santa que presidirei coloquei uma bonita antífona: "ó morte eu serei a tua morte, ó inferno eu serei a tua ruína". Jesus Cristo que agora nem tanto podemos contemplar é o vencedor da morte, destruidor do inferno, Vitória para cada um de nós que nele crê. Obrigado pela acolhida de cada um de vocês, em todas as arquidioceses que passei. Agradeço a cada um na pessoa de Dom Pedro, nosso núncio apostólico. Muito, muito, muito obrigado. Espero retornar em breve. Permaneço unido a vocês num só coração, Unidos no coração transpassado e e glorioso do nosso mestre ressuscitado. Juntos caminhamos! Deus está conosco!
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